quinta-feira, 19 de julho de 2012

Vincent D'Onofrio: um grande ator nem sempre é um superstar


Como o detetive Robert "Bobby" Goren, em Criminal Intent

Muitas vezes se fala de grandes atores como se um grande ator tivesse de ser necessariamente um superstar. Marlon Brando, Al Pacino, Robert De Niro, Jack Nicholson, Russell Crowe, Anthony Hopkins, Gene Hackman etc.

Vincent D’Onofrio – nascido no Brooklyn, em 30 de junho de 1959 – não é um superstar, mas é um excelente ator. Ele é bastante conhecido como o detetive Robert "Bobby" Goren da série policial Law & Order: Criminal Intent, uma das poucas séries de que eu gosto, ou gostava, de ver, já que ela infelizmente acabou.

Na ótima série com locações em Nova York, o policial Robert Goren faz dupla com a detetive Alexandra Eames, interpretada pela atriz Kathryn Erbe.

A maneira como D’0nofrio encarna o culto policial que penetra nas mentes dos criminosos com um raciocínio lógico apurado aliado à intuição é dessas coisas que fazem a arte dramática valer a pena. Extremamente irônico, Bobby Goren/D’Onofrio está anos-luz à frente de personagens policiais insípidos que não convencem nem a própria mãe, seja de longas-metragens, seja de séries. Prova disso é que uma temporada da série que contou com o ator Jeff Goldblum substituindo D'Onofrio (mas não no mesmo papel) foi um fracasso. É como se Criminal Intent tivesse perdido sua alma.

Como disse o The New York Times em uma matéria, “os espectadores de Criminal Intent geralmente sabiam quem era o culpado (pelo crime). A recompensa de assistir à série, porém, era ver Goren agonizar – em cada caso, um Getsêmani pessoal – para resolver o mistério”.

Li em algum lugar, acho que no NYT mesmo, que Goren/D’Onofrio é um “detetive brilhante e atormentado que canaliza a mente criminosa enquanto a parceira mais prosaica, Alex Eames (Kathryn Erbe), cuida das provas”.

A série Law and Order: Criminal Intent completou 195 episódios ao longo de dez temporadas.

Nascido para matar, de Kubrick

Ator engordou 30 quilos para fazer o papel
Muitos devem se lembrar do perturbador filme Nascido para matar (1987) de Stanley Kubrick. Vincent D’Onofrio – que estudou no Actors Studio – era aquele gordinho psicopata (foto ao lado), o personagem Private Pyle. D’Onofrio engordou 30 quilos para fazer o papel (o que é uma prova de abnegação incrível).

Sobre a chance que lhe foi dada por Kubrick, D’Onofrio uma vez declarou: “Antes de Nascido para Matar, eu era um simples ator de teatro. Honrado, mas que nunca imaginei uma carreira no cinema. Kubrick ofereceu-me esta carreira. Devo agradecer a ele, e somente a ele, o que sou hoje".


Leia também:

Gandes atores (1): Anthony Hopkins, Gene Hackman, Marlon Brando, Rod Steiger

Gandes atores (2): Henry Fonda

Gandes atores (3): Paulo José: Macunaíma, Quincas Berro D'Água e O Palhaço

4 comentários:

Paulo M disse...

Grande atuação do ator em "Nascido para matar", um dos filmes que me marcaram por sua riqueza de detalhes que ridicularizam o exército americano e os treinamentos desumanos em que os recrutas são obrigados a aprender o amor pela guerra, pela brutalidade e pela necessidade de matar como um alimento para a própria alma. Esse personagem (Stanley Kubrick é tão brilhante que foi ao anonimato encontrar o ator ideal) é uma sensibilidade violentada pelo adestramento militar. O filme me lembra de quando me alistei no exército e fiquei, na época, imaginando, diante de tanta grosseria, o que não seria aquilo nos treinos diários para um confronto bélico. Me lembra também de um amigo com quem morei anos atrás, que servia o exército e a certa altura fugiu como um desertor até ser "resgatado" por soldados que obedeciam a ordens superiores. Kubrick é um dos maiores da história do cinema, com filmes maravilhosos e temas diversos (vide "Laranja mecânica" e "2001: uma odisséia no espaço"). D’0nofrio lhe deve muito, mas também já pagou com seu trabalho em "Burn to Kill", título em inglês que a tradução brasileira foi buscar no rótulo do capacete verde dos soldados dos EUA no Vietnã, na fantasia real de Stanley Kubrick.

Anônimo disse...

SELL
Nos anos em que a tecnologia forense estava no limite máximo com séries como CSI, Dick Wolf,o criador da franquia Law e Order, foi na contramão da tendência, e investiu nos ' instintos apurados'e inteligência em seus detetives. Então ele ' deu a luz' Criminal Intent, e em seu detetive Goren, o melhor investigador da franquia. O personagem foi tão bem construído não só pela escrita, mas também pelo seu intérprete Vincent D'Onofrio, ( VDO )que, depois de um certo tempo, começaram a ' chover' detetives e séries cujo perfil são semelhantes ao de Goren, alguns até com o mesmo histórico ( Quem assiste Criminal Minds,sabe que Dr. Reid tem até uma mãe esquizofrênica, como Goren )! Uma pena que D'Onofrio nunca tenha sido agraciado com um EMMY pelo personagem.Você tem toda razão,um grande ator nem sempre é um superstar, mas é terrível quando vemos atores com 'talentos' sofríveis,sem o calibre do talento de D'Onofrio sejam considerados 'superstar'. Ouso dizer que esta, pelo menos para mim, era a melhor da franquia Law e Order e é uma pena que a apelativa SVU tenha sido a única remanescente desta franquia. Mas fazer o que? Com certeza vai ficar como uma das melhores séries policiais da TV.

Edu Maretti disse...

Criminal Minds, em se falando de série policial, dá pra assistir. Muito bem lembrado o dr. Reid do CM no comentário acima. Só acho que o personagem tem um pouco de compaixão demais pra ser um policial do FBI. Soa inverossímil.

Não que eu seja contra a inverossimilhança no cinema (adoro Luis Buñuel, por ex.) ou em séries (quando guri eu adorava Kung Fu). Mas se a proposta É ser verossímil e realista, então tem que ser.

Seja como for, o personagem de D'Onofrio na série Criminal Intent desafia esse senso comum de policial insípido, bonitinho e gostosinho (ou bonitinha e gostosinha) de que o CSI Miami é o maior exemplo.

Em tempo, no Criminal Minds, junto com o dr. Reid, os policiais Derek Morgan e as moças Emily Prentis (minha policial favorita!) e a impagável Penelope Garcia são os melhores personagens da série. Mas nenhum deles se compara ao velho Bobby Goren/D'Onofrio.

E, Paulo, de fato, Kubrick é um monstro... Não sei se vc conhece o trabalho do ator objeto do post na série Criminal Intent, mas ele mostra que 25 anos antes, se Kubrick procurou um ator desconhecido, não escolheu qualquer um, com certeza.

Anônimo disse...

Você disse tudo...
SELL.