terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dilma Rousseff no Jornal Nacional

Devo dizer que não vejo o “Jornal Nacional”. Quase nunca. Fátima Bernardes e sua alma gêmea, o Bonner, são demais para meu fígado. (Mas também já era assim nos tempos de Cid Moreira.) Meus amigos ficam indignados com Miriam Leitão, Lucia Hippolito, Merval Pereira, Diogo Mainardi, William Waack e coisas que os valham. Eu me irrito um pouco com isso. Não entendo por que perder tanto tempo lendo, ouvindo e vendo essa gente.

Mas, de tanto que falaram, acabei vendo a entrevista de Dilma Rousseff ao “Jornal Nacional”. Um esquema espúrio. Só que o tiro da Globo saiu pela culatra. Tentaram acossar Dilma dizendo, por exemplo, que ela não passa de marionete de Lula. No afã de colar na candidata petista o estigma de pouco experiente, de satélite de Lula, só fizeram colar nela sua proximidade com o presidente mais popular da história brasileira. Estão desesperados, metem os pés pelas mãos. Perdem-se, sem querer dão mais alguns pontos percentuais a Dilma, que se saiu muito bem no palanque Global.

A ansiedade de William Bonner e Fátima Bernardes, nas tentativas frustradas de pegar Dilma Rousseff no contrapé, chegou a dar dó. No início dá raiva, mas depois vem uma certa pena. Tanta soberba, e os dias passam, inúteis, como diria Borges. Deu-se mal, o casal da Rede Globo. Eles deram audiência às idéias que tentam combater.

Veja aqui a entrevista de Dilma Rousseff ao Jornal Nacional
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6 comentários:

Victor disse...

As vezes eu acho que o que aparece na mídia de mercado é só a ponta o iceberg de uma estratégia de comunicação que deveria ser mais complexa, mas me supreendo vendo que as armas que eles tem são as mesmas que se ouve por aí. Desqualificar a Dilma pela falta de experiência, dizer que ela é grossa e por isso não terá disposição para o diálogo e querer que a candidata explique em 12 minutos grandes planos para um país de 190 milhões de habitantes e dimensões continentais, se esta é a estratégia é bem fraca. A grande vantagem das concessões públicas é a repercussão em outros veículos, aí sim com textos ajeitados pelos jornalistas da maneira que melhor lhes convier. A frequencia destas mensagens é algo hipnótico e pode fazer colar coisas que não procedem.

Felipe Cabañas disse...

Ridículo...
Faz tempo também que não suporto mais assistir a merda do Jornal Nacional, com o casalzinho 20 da nação... Em primeiro lugar porque é um programinha de variedades (e de segunda categoria). Quem quer jornalismo de verdade tem que se virar com outros meios...
Não raro o dia teve um grande acontecimento político e o noticiário começa com uma matéria sobre obesidade, imposto de renda ou buracos nas estradas...
Embora também seja uma desgraça, o jornal da noite ainda é melhorzinho (o Waack, embora também seja um babaca, me parece mais sério que o bobonner).

Ainda vou processar a Rede Bobo pelas toneladas de lixo que despeja na minha cabeça. Porque não é brincadeira: às vezes você quer fugir, e ela te persegue: porque sua mãe está vendo novela na sala e você está ouvindo na cozinha, porque você está no consultório do dentista e tem uma maldita televisão sintonizada no canal 5, porque você quer passar um domingo em paz e onde você vá tem um televisor que te persegue com as asneiras do Faustão. Só lixo, lixo e mais lixo.

Sobre a Dilma no JN, ela se saiu bem. Se fosse o Serra, teria cometido alguma grosseria, porque a disposição em acossá-la é nítida (não deixam ela responder direito, cortam as respostas no meio para fazer outras perguntas - quem eles pensam que são? Estão diante de uma ministra que poderá ser presidente da república e se comportam como repórteres estagiários). Pro inferno o William Bonner e a Fátima Bernardes.

Leandro Conceição disse...

Ela com certeza compensou, com louvor, tudo o que ela foi de ruim no debate.

E em um programa com mais de 1.000% de audiência do que o chato debate. Bela análise: "Deram audiência às idéias que tentam combater".

Acredito que tenha sido a melhor entrevista da Dilma. E, prepare-se Serra Nosferatu, ela vai estar afiada nos próximos debates.

Anselmo disse...

minha lembrança das entrevistas do JN com os candidatos é de perguntas duras e diretas. Embora concorde que normalmente o peso seja maior contra candidatos mais à esquerda, tenho na memória perguntas duras contra Alckmin sobre segurança e tal (posso estar enganado).

Longe de defender que haja sequer equilíbrio (qto mais imparcialidade e outras bobagens) dos entrevistadores, é normal tentarem acossar o entrevistado. Cabe ao entrevistado sair dessa. Não fazem pegadinha, do tipo mostrar documentos, perguntar sobre Cide etc.

Fernando Augusto disse...

É, nesse caso ficou injusto o comentário, pois a Dilma foi a primeira a ser entrevistada e, assim como o Anselmo, lembro das entrevistas do JN em outras eleições e as perguntas sempre foram nesse tom mesmo, para todos os entrevistados.

Não que haja equilíbrio na cobertura política em geral do JN, mas pelo menos nas entrevistas parece ser igual para todos. Bom, vamos aguardar a entrevista com o Serra.

E, ainda sobre a entrevista da Dilma, ouçam isso aqui. Prova de que já entregaram os pontos mesmo: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/MERVAL-PEREIRA.htm

Mr. brBlues disse...

Chupa Bonner e Bernades!
Eu não tinha mesmo visto a entrevista. A Dilma deu um baile nos dois, que, a certa altura, ficaram visivelmente nervosos por não conseguirem pegar com suas perguntas-arapucas a candidata. Que por sinal demonstrou muita fleugma, com aquele indefectível sotaque mineirinho. Eta trem bão!