sexta-feira, 14 de junho de 2013

Pensamento para sexta-feira [44] – Hamlet: Ser ou não ser – eis a questão



Ato III, Cena I, de Hamlet (Shakespeare) – trecho

Ser ou não ser – eis a questão.
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra um mar de angústias –
E, combatendo, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulho,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A potência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem aguentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Se não porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males   que já temos,
A fugirmos para outros que desconhecemos?


5 comentários:

Mayra disse...

É bonito e profundo o trecho. Mas, nesse momento, não sinto eco na voz sábia e desiludida do bardo inglês. Nesse momento, de desastres cívicos em SP, sinto mais o eco do passado, dos passados, em que nas ruas se ouvia "No pasarán'!!!

Edu Maretti disse...

Vou publicar mais tarde um depoimento sobre os "desastres cívicos em SP", embora a profundidade existencial de que fala o bardo seja a meu ver muito mais importante, porque atravessa os séculos.

Mayra disse...

A voz das ruas tb atravessa os séculos...

Paulo M disse...

Traduz nossa existência (parca). Fabuloso.

Alexandre disse...

Acho que a voz das ruas e do bardo se completam, nesse momento. Mesmo pque as batalhas e guerras soam forte na cultura britânica. Já o Brasil ainda engatinha, rumo à uma crise econômica considerável. Passeata contra o aumento das passagens é só um motivo. Na verdade, isso faz parte de uma crise econômina, o que motiva essa desordem.
Ser ou não ser parece ser uma questão eterna.