segunda-feira, 12 de março de 2012

Sai Ricardo Teixeira, entra José Maria Marin, o homem da medalha. Isto é CBF


Uma das coisas que sempre me espantaram no futebol é o caráter de imutabilidade do poder.

O que muda com a renúncia de Ricardo Teixeira, que presidiu a “entidade máxima do futebol brasileiro” como um imperador romano por incríveis 23 anos? Apesar da satisfação pelo fim de sua dinastia em si, na verdade nada vai mudar. O que se pode dizer quando se sabe que seu sucessor é José Maria Marin, não exatamente um modelo de homem público nem de gestor do que quer que seja? Talvez as coisas até piorem, o que faria com que algum saudoso esquecido um dia dissesse: viu, e vocês falavam mal de Ricardo Teixeira! Último governador biônico de São Paulo, Marin exerceu um mandato tampão como substituto do padrinho Paulo Maluf entre 14 de maio de 1982 e 15 de março de 1983, antes de Franco Montoro, que foi eleito na primeira eleição direta pós-ditadura.

Como disse o Felipe Cabañas em comentário a post sobre a seleção brasileira, digo, balcão de negócios, na semana passada: "Eu nem sei mais se adianta o Ricardo Teixeira cair. Acho que a CBF precisa é de uma refundação! Só uma revolução pra fazer a faxina necessária". O temor, então, era que o escolhido para substituir Teixeira fosse Fernando Sarney, um dos vices da CBF.

Mas, se não é um apaniguado do clã Sarney, o novo chefão da entidade, que ficará no cargo até abril de 2015!, é o homem cuja imagem pública mais recente é a do furto da medalha da Copa São Paulo, em janeiro último:



Basta ou precisa dizer mais? A cara de pau dos homens que “administram” o futebol brasileiro é tanta que eles devem se divertir fartamente com a indignação alheia. "Vocês vão ter de me engolir." A frase, dita pelo Zagallo após título da Copa América em 1997, para mim, ilustra à perfeição o status quo do sistema milionário da entidade que administra a “maior paixão brasileira”.

Zagallo, aliás, hoje um respeitável velhinho, é outra figura que nunca topei, com seu ufanismo tosco e a soberba de quem se sabe protegido pelos chefões, entronizado que foi como um símbolo mitológico da “amarelinha”. Um mito de papel. E o brasileiro continuará a engolir sapos. Anfíbio, desta vez, representado pelo presidente tampão José Maria Marin. Rejubile-se, caro torcedor brasileiro.

9 comentários:

Leandro disse...

O que quer dizer que a coisa continuará complicada para a já bastante sofrida vida corinthiana.
Depois da saída de um dos grandes condutores das cariocadas da CBF, agora temos um presidente atavicamente ligado a certo clube paulistano aristocrático e que odeia com todas as forças o SCCP, e isso não bastasse, mesmo antes de ocupar o trono da Casa Bandida, como diria Juca Kfouri, o mafioso já "meteu a mão" no Timão quase que literalmente no emblemático episódio da medalha da Copinha.
O Corinthians e os corinthianos que se cubram… A artilharia que nunca arrefeceu seguirá apontada e bastante pesada lá para os lados do Parque São Jorge.
É preciso estar atendo e forte…

Felipe Cabañas da Silva disse...

Grande Edu. Sempre me dando mais espaço do eu mereço. Mas realmente eu continuo sem querer mudar uma vírgula naquilo que disse naqueles comentários. Eu só acrescentaria. Acrescentaria que, para que se possa pensar num objetivo tão ambicioso quanto uma refundação, a queda do imperador Teixeira é um começo. Tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde. O poder continua nas mãos dos velhos donos do poder? Continua. Mas sem dúvida nenhuma vai haver um vácuo, e Marín não é exatamente uma unanimidade. Eu duvido muito que esse esquema de poder seja sustentável até 2015, até porque ele já começa enfrentando ameaças de motim (http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1060561-ausente-federacao-rebelde-diz-que-ja-sabia-de-renuncia-e-exige-nova-eleicao-na-cbf.shtml).

Mas testemunhando esse dia, não posso deixar de pensar: "Se o Doutor Sócrates estivesse vivo para ver o imperador arruinado!"... É uma pena...

Edu Maretti disse...

É, Felipe, faz sentido sua observação sobre a difícil sustentação desse esquema, até pela "falta de unanimidade" em torno do Marin, que talvez esteja destinado a ser um tampão mesmo na vida. A briga nos chamados "intestinos do poder" (que termo adequado para a CBF!) vai comer solta, vai ser um pega pra capar.

Observação: eu esqueci de linkar seu blog no seu nome, no post. Já corrigi!

E, Leandro, suspeito que seu comentário seja uma brincadeira, pois tem muito senso de humor... Até porque um dos homens cuja influência e poder só tem crescido na CBF é Andrés Sanchez, cotado inclusive como nome forte para presidir a CBF a partir do próprio vácuo de poder existente com a fragilidade de Marin, num processo que não sabemos se será longo ou curto. Outro nome forte é o de Marco Polo Del Nero.

Paulo M disse...

Bem, isso tem pano pra manga. Não tiro a razão nem do post, nem do Felipe no comentário. Esse vácuo está aberto, sem dúvida, mas quem vai querer (poder) aproveitá-lo? Certamente, ninguém interessado em defender mais a paixão pelo futebol do que os milhões de dinheiro da gang de empresários, emissoras de TV, patrocinadores e atravessadores de todos os tipos. E, convenhamos, pra que diabos o cara enfiou uma medalha no bolso? Aquilo é de ouro? O Presidente da CBF e do tal do COL é um malandro batedor de carteiras!? Polícia serve pra quê, afinal? Não seria o caso de prendê-lo em flagrante? Oxente...

Leandro disse...

Não, Edu. Não é uma brincadeira.
Até porque super-dimencionam esse lance do Sanchez, que de tão "patinho" na história aceitou, num momento decisivo do campeonato do ano passado, um convite feito mais p/ provocar outros cartolas desafetos do RT, e que valem tanto quanto o próprio RT.
Sem contar que esse convite também foi decorrente da coincidência do fim de mandato do Desmanchez, que se tivesse tanta força assim nos bastidores da CBF não teria visto o clube que acabara de assumir ser rebaixado no Br/2007 depois de um monte de bizarrices dentro e fora de campo.

Edu Maretti disse...

Leandro, o Corinthians caiu em 2007 porque no campo jogou para cair. Assim como foi campeão em 2011 porque jogou para ser campeão.

Se for pensar como vc diz, então força em bastidores serve pra mexer pauzinhos e por exemplo não cair? Como assim? As coisas nem sempre são tão deterministas, na minha opinião.

Sem perder o foco na CBF, acho que o período tampão que ora se inicia com Marin pode mesmo vir a ser uma transição para algo mais arejado, ou, pelo menos, mais transparente. Isso não aconteceria nem com Sanchez, nem com Del Nero.

A questão não se restringe a nomes.

Seja como for, a queda do chefão Teixeira merece um brinde. Acho que estou um pouco menos pessimista do que na hora em que escrevi o post, rs.

Em tempo: Paulo, modelos como o do basquete americano da NBA e mesmo torneios como a Liga dos Campões da Europa mostram que o espetáculo e a paixão do futebol e do esporte podem, sim, andar lado a lado com os interesses dos negócios. No Brasil ainda reina a baderna e o amadorismo. Superar isso já será um passo importante...

Leandro disse...

Edu,
Determinismo eu vejo nas suas ilações quanto a uma suposta "blindagem" do Corinthians decorrente de uma fantasiosa "força" nos bastidores do tal do Desmanchez.
Veja que não sou eu o único a considerar uma força capaz de mudar a ordem das coisas, embora consiga filtrar os dados a ponto de reconhecer que Sanchez não tem, e jamais teve, todo o poderio que reside no imaginário do anticorinthianismo galopante.
Sanchez não é nada além de um deslumbrado que caiu feito patinho nas manobras do RT e que está é muito preocupado em manter-se ligado a alguma coisa relativa ao futebol depois de ter concluído seu mandato no Corinthians.

alexandre disse...

Caro Leandro, todos sabemos que tu és corintiano. O SCCP pertence ao futebol e não o contrário. O que se precisa é a integridade e a coerência política, não só no futebol, mas em todos os esportes. Agir politicamente correto é a melhor forma de se combater a corrupção, o que é uma tarefa quase impossível. "O poder continua nas mãos dos velhos donos do poder? Continua." Pensar politicamente correto para A ou B é pensar politicamente errado. O melhor então é visualisar e pensar no que pode ser correto para o futebol e não no que pode ser correto para o seu time, nesses termos.
O homem-tampão (poderia ser homem tampinha se fosse historia em quadrinhos)certamente vai cumprir sua missão. Vamos aguardar.

Leandro disse...

Caro Alexandre,
Todos sabemos que você não é corinthiano. Muito pelo contrário.
Pensar politicamente correto apenas contra A ou B é pensar politicamente errado. O melhor, então, é visualisar e pensar no que pode ser correto para o futebol, e não no que pode ser feito contra determinado time, por razões legítimas ou valendo-se de ilações.