Meses de atraso e vários adiamentos depois, começou nesta segunda-feira o trabalho de terraplanagem, limpeza e medições topográficas no terreno em Itaquera, onde, espera a Fiel, será erguido o estádio do Corinthians, previsto para ser entregue em dezembro de 2013. É preciso deslocar os dutos da Petrobras que passam no local, o que custará a bagatela de R$ 30 milhões, "dinheiro de pinga" perto do monstruoso orçamento de R$ 1 bilhão.
Segundo a assessoria de imprensa do clube, dois tratores, duas escavadeiras, três caminhões e 20 operários deram início à obra. E, de acordo com matéria do Uol, essa etapa dos serviços terá duração de três meses. Para a construção do estádio propriamente dito, ainda não foi assinado contrato, diz a reportagem.
O estranho é que o valor da obra já está em torno de R$ 1 bilhão. O clube teria como certos R$ 400 milhões do BNDES e R$ 300 milhões de incentivos ficais da prefeitura. Faltam cerca de R$ 300 mi. De onde virão?
Não sou dos que acham um absurdo que o Estado invista em obras desse tipo, pois de uma maneira ou outra, “por meio de isenções fiscais, contrapartidas ou parcerias, o dinheiro público sempre estará em projetos muito grandes e/ou importantes”, como já escrevi aqui. O problema é a falta de transparência.
Seja como for, num arroubo de entusiasmo, o presidente corintiano, Andres Sanchez, em nota, comemorou o início dos trabalhos dizendo: “não descansaremos enquanto não chegarmos ao topo da escada, no dia da inauguração do Estádio da República Popular do Corinthians”.
Esse termo, eu diria hiperbólico, me remete a uma questão. Será Andres Sanchez comunista?
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Berlusconi sofre grande derrota em eleições e perde Milão e Nápoles
Até que enfim uma boa notícia vinda da Itália. O premiê Silvio Berlusconi sofreu dura derrota no segundo turno das eleições municipais. A mais significativa das perdas foi Milão, terra natal do chefão do campeão italiano Milan e sede do Fininvest, o império midiático do homem conhecido mais por seus escândalos sexuais e corrupção do que por qualquer ato digno de um chefe de Estado. Há 18 anos a direita dava as cartas em Milão.
Na chamada capital econômica da Itália, Giuliano Pisapia, do Partido Democrático, bateu a atual prefeita, a direitista Letizia Moratti, da coligação de Berlusconi. Na campanha eleitoral, com discurso xenófobo, o primeiro-ministro dizia que a vitória de Pisapia faria de Milão uma cidade “islâmica”, “de ciganos”, “caótica” e “entregue aos imigrantes”.
Além de perder Milão, o chefão dançou também na sulista Nápoles, onde o juiz Luigi de Magistri, com o apoio de todos os partidos de centro e esquerda, derrotou o direitista Gianni Lettieri. Nápoles é a cidade da Camorra. Segundo o candidato vitorioso, Lettieri tinha o apoio do crime organizado.
Como resultado do pleito, o acordo com a direitista Liga Norte tende a se esfarelar e Berlusconi ficar isolado.
Várias cidades comemoram aquilo que pode ser um sintoma do início do fim do “Papi”.
Quem sabe os ventos de lá cheguem até aqui, São Paulo, no ano que vem.
Marcadores:
eleições municipais 2011,
Gianni Lettieri,
Giuliano Pisapia,
Itália,
Letizia Moratti,
Luigi de Magistri,
Milão,
Nápoles,
Silvio Berlusconi
domingo, 29 de maio de 2011
A vitória arrasadora do Barcelona e o sonho do duelo Messi x Neymar
Diante do ainda chocho Campeonato Brasileiro, a luz do fim de semana foi a espetacular vitória do Barcelona por 3 a 1 sobre o Manchester United, conquistando seu quarto título da Liga dos Campeões, que antigamente se chamava Copa dos Campeões da Europa.
Poucas vezes na vida vi uma final importante – e olha que vi muitas – em que a superioridade de um time fosse tão avassaladora como foi a da esquadra catalã diante dos Diabos Vermelhos neste sábado, 28, em Wembley. Antes de falar dos gols do Barça, vamos combinar que o gol de Rooney, no 1 a 1, foi um belo gol.
Embora eu tenha uma antipatia invencível pelo craque Lionel Messi (talvez uma reação natural minha à babação insuportável de um setor da mídia esportiva tupiniquim para a qual o 10 do Barça é um ser extraterreno), não chegaria à insanidade de não reconhecer que ele está jogando muito e na final jogou ainda mais.
Messi alia o talento com a força: cria jogadas impensáveis num espaço mínimo, dá passes destruidores e é fatal quando tem a chance do gol. Parece um touro com a bola nos pés, pois dificilmente cai, mesmo diante dos zagueiros mais vigorosos.
Mas também não precisa chamá-lo de “gênio” por causa do segundo gol contra o Manchester. A defesa inglesa deu um tremendo espaço – até porque é muito difícil fechar todos os espaços contra um time que tem Daniel Alves e Abidal pelas laterais (Daniel mais ala do que lateral), Xavi, Busquets, Iniesta e Messi no meio de campo, e Pedro, Villa e... Messi no ataque. Sim, porque no meio e no ataque ele está em toda parte.
O primeiro gol do Barça foi mais bonito do que o segundo, de Messi, pois no 1 a 0 Xavi deu aquele passe típico do cara que antevê o espaço, como Tostão fazia (por exemplo no gol de Clodoaldo contra o Uruguai em 1970). Xavi pensou muito a jogada para em poucos segundos encontrar Pedro, que só fuzilou. No gol de Messi, além da defesa dar espaço, o goleirão holandês do United, Van der Sar, na minha opinião, falhou. Gols iguais a esse Rivelino fez aos montes – Rivelino que Diego Maradona disse que era seu maior ídolo e aquele no qual mais se inspirou no futebol.
Já o terceiro gol, de Villa, foi uma pintura, jogada que surgiu aliás de uma infiltração de Messi pela direita, e a zaga do Manchester – sufocada com a blitz adversária por todo o segundo tempo, com a infernal troca de passes e total domínio da bola, como um boxeur nas cordas – se confundiu, e o time inglês foi à lona.
Eu não gosto muito de estatísticas para se falar de futebol. Mas quero chamar a atenção para duas da final de Wembley. Durante toda a partida, foram cometidas 21 faltas, cinco do Barcelona, 16 do Manchester. E o time espanhol teve 63% de posse de bola. Ou seja, foi de fato arrasador.
Veja os gols do jogo:
Neymar e Messi?
Já há quem sonhe com um duelo Messi x Neymar numa possível final de Mundial entre Santos e Barcelona. Duas personalidades, a Eminência Parda e Deva Pascovitch, entre outras, acham que, se ganhar a Libertadores, o Santos pode bater o Barça.
Eu, cá da meu púlpito de São Tomé, estou focado no Cerro Porteño quarta-feira, na partida de volta da semifinal da Libertadores, quando o Peixe se classifica com um empate ou qualquer derrota por um gol de diferença, desde que marque pelo menos um tento. Passando, ainda terá a final em dois jogos, contra Vélez ou Peñarol. Só após esses três jogos é que dá para pensar num encontro entre Messi e Neymar.
Para quem gosta de futebol, seria um encontro de sonho.
![]() |
| Van der Sar não alcança o chute de Villa: 3 a 1/ Foto: Reprodução |
Embora eu tenha uma antipatia invencível pelo craque Lionel Messi (talvez uma reação natural minha à babação insuportável de um setor da mídia esportiva tupiniquim para a qual o 10 do Barça é um ser extraterreno), não chegaria à insanidade de não reconhecer que ele está jogando muito e na final jogou ainda mais.
Messi alia o talento com a força: cria jogadas impensáveis num espaço mínimo, dá passes destruidores e é fatal quando tem a chance do gol. Parece um touro com a bola nos pés, pois dificilmente cai, mesmo diante dos zagueiros mais vigorosos.
Mas também não precisa chamá-lo de “gênio” por causa do segundo gol contra o Manchester. A defesa inglesa deu um tremendo espaço – até porque é muito difícil fechar todos os espaços contra um time que tem Daniel Alves e Abidal pelas laterais (Daniel mais ala do que lateral), Xavi, Busquets, Iniesta e Messi no meio de campo, e Pedro, Villa e... Messi no ataque. Sim, porque no meio e no ataque ele está em toda parte.
O primeiro gol do Barça foi mais bonito do que o segundo, de Messi, pois no 1 a 0 Xavi deu aquele passe típico do cara que antevê o espaço, como Tostão fazia (por exemplo no gol de Clodoaldo contra o Uruguai em 1970). Xavi pensou muito a jogada para em poucos segundos encontrar Pedro, que só fuzilou. No gol de Messi, além da defesa dar espaço, o goleirão holandês do United, Van der Sar, na minha opinião, falhou. Gols iguais a esse Rivelino fez aos montes – Rivelino que Diego Maradona disse que era seu maior ídolo e aquele no qual mais se inspirou no futebol.
Já o terceiro gol, de Villa, foi uma pintura, jogada que surgiu aliás de uma infiltração de Messi pela direita, e a zaga do Manchester – sufocada com a blitz adversária por todo o segundo tempo, com a infernal troca de passes e total domínio da bola, como um boxeur nas cordas – se confundiu, e o time inglês foi à lona.
Eu não gosto muito de estatísticas para se falar de futebol. Mas quero chamar a atenção para duas da final de Wembley. Durante toda a partida, foram cometidas 21 faltas, cinco do Barcelona, 16 do Manchester. E o time espanhol teve 63% de posse de bola. Ou seja, foi de fato arrasador.
Veja os gols do jogo:
Neymar e Messi?
Já há quem sonhe com um duelo Messi x Neymar numa possível final de Mundial entre Santos e Barcelona. Duas personalidades, a Eminência Parda e Deva Pascovitch, entre outras, acham que, se ganhar a Libertadores, o Santos pode bater o Barça.
Eu, cá da meu púlpito de São Tomé, estou focado no Cerro Porteño quarta-feira, na partida de volta da semifinal da Libertadores, quando o Peixe se classifica com um empate ou qualquer derrota por um gol de diferença, desde que marque pelo menos um tento. Passando, ainda terá a final em dois jogos, contra Vélez ou Peñarol. Só após esses três jogos é que dá para pensar num encontro entre Messi e Neymar.
Para quem gosta de futebol, seria um encontro de sonho.
sábado, 28 de maio de 2011
Revista "Época" supera "Veja" em imundície e quer matar Dilma
Do blog Tijolaço – por Brizola Neto
Alertado por um leitor, fui ver a capa da Época, na qual uma foto da presidenta, de olhos fechados, é usada para ilustrar uma matéria sobre uma suposta gravidade de seus problemas de saúde.
É sordidamente mórbida.
Registra que os seus médicos dizem que ela “apresenta ótimo estado de saude”, mas a partir daí tece uma teia mal-intencionada e imunda sobre os problemas que ela apresentou e os outros que tem, normais para uma mulher da sua idade.
O hipotireoidismo, por exemplo, é problema comuníssimo entre as mulheres de mais idade. É por isso que todo médico pede a eles, sempre, o exame de TSH. E o hormônio T4 – Synthroid, Puran, Levoid, Euthyrox e outros – tomado em jejum, é a mais básica terapêutica, usada por anos e anos por milhões de mulheres do mundo inteiro.
A revista publica uma lista imbecil de “medicamentos” que a presidente tomava, em sua recuperação de uma pneumonia, listando tudo, até Novalgina, Fluimicil e Atrovent (usado em inalação até por crianças), e chegando ao cúmulo de citar “bicarbonato de sódio – contra aftas”.
Diz que o toldo que abrigou Dilma de uma chuva, em Salvador, ” lembrava uma bolha de plástico”.
Meu Deus, o que esperavam que fizessem com uma mulher que se recuperava de um pricípio de pneumonia? Que lhe jogassem um balde de água gelada por cima?
Essa é a “ética” dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades.
Esses é que pretendem ser os “fiscais do poder”.
Alertado por um leitor, fui ver a capa da Época, na qual uma foto da presidenta, de olhos fechados, é usada para ilustrar uma matéria sobre uma suposta gravidade de seus problemas de saúde.
É sordidamente mórbida.
Registra que os seus médicos dizem que ela “apresenta ótimo estado de saude”, mas a partir daí tece uma teia mal-intencionada e imunda sobre os problemas que ela apresentou e os outros que tem, normais para uma mulher da sua idade.
O hipotireoidismo, por exemplo, é problema comuníssimo entre as mulheres de mais idade. É por isso que todo médico pede a eles, sempre, o exame de TSH. E o hormônio T4 – Synthroid, Puran, Levoid, Euthyrox e outros – tomado em jejum, é a mais básica terapêutica, usada por anos e anos por milhões de mulheres do mundo inteiro.
A revista publica uma lista imbecil de “medicamentos” que a presidente tomava, em sua recuperação de uma pneumonia, listando tudo, até Novalgina, Fluimicil e Atrovent (usado em inalação até por crianças), e chegando ao cúmulo de citar “bicarbonato de sódio – contra aftas”.
Diz que o toldo que abrigou Dilma de uma chuva, em Salvador, ” lembrava uma bolha de plástico”.
Meu Deus, o que esperavam que fizessem com uma mulher que se recuperava de um pricípio de pneumonia? Que lhe jogassem um balde de água gelada por cima?
Essa é a “ética” dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades.
Esses é que pretendem ser os “fiscais do poder”.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Nota sobre o “kit contra a homofobia”: Dilma Rousseff não precisa dos votos do PSOL
Existe uma enorme confusão, fruto de ignorância ou má-fé, em torno disso que ficou conhecido como “kit contra a homofobia”. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), por exemplo, agora deu para pregar, como um pastor de igreja, que os homossexuais não votem mais em Dilma, porque a presidente suspendeu o tal kit.
Sendo o deputado do partido da raivosa e ressentida Heloisa Helena, é uma postura natural, própria de quem pretende 15 minutos de fama mas pode cavar sua própria sepultura eleitoral.
O simplismo tosco de associar a decisão da presidente como mera troca de favores políticos relativos ao caso Palocci ou como capitulação “à chantagem dos inimigos da cidadania” é, francamente, algo que não passa de política estudantil, nobre deputado. Lembro que, quando trabalhava com jornalismo jurídico, ouvia pessoas bem-intencionadas e ignorantes bradarem sobre decisões do STF: "Mas essa sentença é política, que absurdo!" Ora, diz qualquer constitucionalista respeitável, mas o STF é constitucionalmente um órgão político! Queres o quê? As pessoas mal sabem o papel das instituições e saem por aí a berrar tolices com uma naturalidade atroz.
É curioso como "militantes" que se dizem de esquerda ecoam com tanta naturalidade as teses e informações surgidas nas páginas da Folha de S. Paulo, Estadão e TV Globo.
Nobre deputado Jean Wyllys, vossa senhoria deveria saber algumas coisas.
Que ao governo do Brasil cabe zelar e trabalhar por um Estado laico. Cabe disseminar e trabalhar concretamente pela igualdade e pela tolerância. Defender os preceitos da Constituição, cujo artigo 5°, até o advento do governo Lula, do qual o governo Dilma é a continuidade, nunca passou de letra morta.
Ao Estado cabe fomentar a educação de qualidade para que as pessoas possam se preparar para a vida e o trabalho. Ao governo cabe dotar o Estado de instrumentos para o desenvolvimento da cidadania, para que o pedestre não seja atropelado por uma besta que usa o automóvel como arma; para que o otário não jogue a lata de cerveja na rua, da janela de seu carro; para que as crianças desde cedo entendam que o mundo é feito de diversidade; para que assassinos potenciais com medo de sua própria sexualidade não saiam pelas ruas agredindo homossexuais; para que assassinos potenciais não saiam pelas ruas agredindo heterossexuais; para que pessoas não saiam pelas ruas agredindo pessoas; para que racistas doentes não saiam por aí espancando negros, brancos ou amarelos.
Os poderes da República têm de proporcionar o desenvolvimento científico da nação, como fez o tão criticado Supremo Tribunal Federal ao autorizar as pesquisas com células-tronco há exatos três anos; têm de proporcionar que as pessoas possam fazer suas escolhas (“O homem está condenado à liberdade” – Sartre).
Ao Estado não cabe “fazer propaganda de opções sexuais”, como disse a presidente Dilma Rousseff. (E parece que agora é proibido usar o termo “opção”, como se Dilma, eu ou você não soubéssemos que não se trata de opção, mas de ser. Ok, brother, sabemos, não encha o saco. Ou agora a Dilma é homofóbica porque usou o termo "opção"?).
Ao Estado não cabe censurar livros, que é uma das primeiras medidas das tiranias mais canalhas.
Ao Estado não cabe discriminar ou fomentar a discriminação e a intolerância, porque Hitler já nos ensinou o preço abominável dessa estrada.
O resto, meu chapa, o resto é blá blá blá de esquerdistas raivosos, que trabalham para as forças mais reacionárias da sociedade, só não descobri ainda se consciente ou inconscientemente.
Roland Barthes disse que as revoluções não acabam com a exploração do homem pelo homem porque ela não está nas relações políticas, mas na linguagem.
Por tudo isso é que eu acho que a esquerda e a direita raivosas caminham a passos largos, de mãos dadas, rumo ao limbo político que as espera num futuro que está logo ali. E não creio que Dilma Rousseff precise dos votos do PSOL.
Sendo o deputado do partido da raivosa e ressentida Heloisa Helena, é uma postura natural, própria de quem pretende 15 minutos de fama mas pode cavar sua própria sepultura eleitoral.
O simplismo tosco de associar a decisão da presidente como mera troca de favores políticos relativos ao caso Palocci ou como capitulação “à chantagem dos inimigos da cidadania” é, francamente, algo que não passa de política estudantil, nobre deputado. Lembro que, quando trabalhava com jornalismo jurídico, ouvia pessoas bem-intencionadas e ignorantes bradarem sobre decisões do STF: "Mas essa sentença é política, que absurdo!" Ora, diz qualquer constitucionalista respeitável, mas o STF é constitucionalmente um órgão político! Queres o quê? As pessoas mal sabem o papel das instituições e saem por aí a berrar tolices com uma naturalidade atroz.
É curioso como "militantes" que se dizem de esquerda ecoam com tanta naturalidade as teses e informações surgidas nas páginas da Folha de S. Paulo, Estadão e TV Globo.
Nobre deputado Jean Wyllys, vossa senhoria deveria saber algumas coisas.
Que ao governo do Brasil cabe zelar e trabalhar por um Estado laico. Cabe disseminar e trabalhar concretamente pela igualdade e pela tolerância. Defender os preceitos da Constituição, cujo artigo 5°, até o advento do governo Lula, do qual o governo Dilma é a continuidade, nunca passou de letra morta.
Ao Estado cabe fomentar a educação de qualidade para que as pessoas possam se preparar para a vida e o trabalho. Ao governo cabe dotar o Estado de instrumentos para o desenvolvimento da cidadania, para que o pedestre não seja atropelado por uma besta que usa o automóvel como arma; para que o otário não jogue a lata de cerveja na rua, da janela de seu carro; para que as crianças desde cedo entendam que o mundo é feito de diversidade; para que assassinos potenciais com medo de sua própria sexualidade não saiam pelas ruas agredindo homossexuais; para que assassinos potenciais não saiam pelas ruas agredindo heterossexuais; para que pessoas não saiam pelas ruas agredindo pessoas; para que racistas doentes não saiam por aí espancando negros, brancos ou amarelos.
Os poderes da República têm de proporcionar o desenvolvimento científico da nação, como fez o tão criticado Supremo Tribunal Federal ao autorizar as pesquisas com células-tronco há exatos três anos; têm de proporcionar que as pessoas possam fazer suas escolhas (“O homem está condenado à liberdade” – Sartre).
Ao Estado não cabe “fazer propaganda de opções sexuais”, como disse a presidente Dilma Rousseff. (E parece que agora é proibido usar o termo “opção”, como se Dilma, eu ou você não soubéssemos que não se trata de opção, mas de ser. Ok, brother, sabemos, não encha o saco. Ou agora a Dilma é homofóbica porque usou o termo "opção"?).
Ao Estado não cabe censurar livros, que é uma das primeiras medidas das tiranias mais canalhas.
Ao Estado não cabe discriminar ou fomentar a discriminação e a intolerância, porque Hitler já nos ensinou o preço abominável dessa estrada.
O resto, meu chapa, o resto é blá blá blá de esquerdistas raivosos, que trabalham para as forças mais reacionárias da sociedade, só não descobri ainda se consciente ou inconscientemente.
Roland Barthes disse que as revoluções não acabam com a exploração do homem pelo homem porque ela não está nas relações políticas, mas na linguagem.
Por tudo isso é que eu acho que a esquerda e a direita raivosas caminham a passos largos, de mãos dadas, rumo ao limbo político que as espera num futuro que está logo ali. E não creio que Dilma Rousseff precise dos votos do PSOL.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Santos de Muricy bate Cerro Porteño por 1 a 0, ao estilo Parreira
Só Muricy não vê que Zé Eduardo deveria estar fora? Ou é panelinha?
O Santos de Muricy Ramalho conseguiu importante vitória ao bater o Cerro Porteño por 1 a 0 no jogo de ida da semifinal da Libertadores no Pacaembu, nesta quarta. Mas confesso que o estilo do time está muito Parreira pro meu gosto. Acho que o Santos tem grandes chances de conquistar a Libertadores, mas o gol poderia ser menos detalhe do que está sendo.
Ouça o gol de Edu Dracena na narração de Oscar Ulisses, da Rádio Globo:
Santos 1 x 0 Cerro Porteño - Edu Dracena
Até os 35 do segundo tempo, Muricy não fez nenhuma (nenhuma!) alteração, embora o atacante Zé Eduardo fosse durante 80 minutos uma nulidade absoluta (nessa Libertadores, ele faz o papel do “fogo amigo”: chegou a tirar dos pés de Danilo o primeiro gol do Santos ainda na primeira etapa, num cruzamento à la Ganso do zagueiro Durval, entre outras jogadas bizarras há muitos e muitos jogos).
Três volantes
Com Alan Patrick no banco, o treinador santista preferiu conservar, com o esquema de três volantes. O que é uma atitude coerente com os conservadores!, desculpem a obviedade. Como Elano é intocável (acho que, pela condição física, ele deveria estar no banco), então para Patrick jogar dever-se-ia sacrificar um volante (Arouca ou Adriano). Mas toda a ginástica mental poderia ser resolvida se o técnico abrisse mão do, me deem licença, queridinho Zé Eduardo. Cansei de ouvir santistas reclamarem: “Fora Zé Love!”. Só Muricy não vê que esse jogador deveria estar fora? Ou é panelinha?
Com Elano sobrecarregado, o time teve dificuldades em criar. Outra coisa: Elano “tá se achando”. Quando tem falta perto da área, parece o dono da bola. Falta é com ele mesmo. Só que não acerta uma faz tempo. Neymar também bate faltas (fez gol na seleção até) e deveria bater algumas.
Enfim, numa jogada espetacular do craque (e bota craque nisso) Neymar, o Alvinegro enfim fez 1 a 0 com Edu Dracena de cabeça, aos 43 do primeiro tempo.
Na metade do segundo tempo Elano já estava mais do que morto fisicamente. Mas só saiu por volta dos 42 minutos (se não me engano). Tudo bem que a ausência de Paulo Henrique Ganso é muito sentida pelo time. Mas as alterações (Alan Patrick no lugar de Elano e Maikon Leite no de Zé Love) foram tardias. Se tivessem sido feitas antes (com um pouco mais de ousadia) o Santos teria destruído o Cerro Porteño no Pacaembu.
E vamos para Assunção com um magro 1 a 0, de novo. Também porque Alan Patrick foi displicente na bola do jogo que teve já nos descontos, numa jogada, mais uma, de Neymar.
Neymar ganhou do Cerro Porteño por 1 a 0, com gol do capitão Dracena.
xxxxxxxxxxxxxxx
Tabela das semifinais
Jogos de ida
25.05.2011 (quarta) - 21:50 - Santos FC (BRA) 1 x 0 Cerro Porteño (PAR) - Pacaembu
Jogos de ida
25.05.2011 (quarta) - 21:50 - Santos FC (BRA) 1 x 0 Cerro Porteño (PAR) - Pacaembu
26.05.2011 (quinta) - 21:50 - Peñarol (URU) 1 x 0 Vélez Sarsfield (ARG)
Jogos de volta
01.06.2011 (quarta) - 21:50 - Cerro Porteño (PAR) x Santos FC (BRA)
02.06.2011 (quinta) - 21:50 - Vélez Sarsfield (ARG) x Peñarol (URU)
Atualizado às 12:19
Jogos de volta
01.06.2011 (quarta) - 21:50 - Cerro Porteño (PAR) x Santos FC (BRA)
02.06.2011 (quinta) - 21:50 - Vélez Sarsfield (ARG) x Peñarol (URU)
Atualizado às 12:19
terça-feira, 24 de maio de 2011
A barbárie impera no Pará, ainda
Pouco mais de 22 anos após o assassinato de Chico Mendes em Xapuri (no Acre) e seis da execução de Dorothy Stang em Anapu, no Pará, nesta terça-feira o casal Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro da Silva foi assassinado em Nova Ipixuna, a 390 quilômetros de Belém.
José Cláudio da Silva era considerado um dos sucessores de Chico Mendes na defesa da preservação das floresta amazônica e constantemente denunciava o extrativismo ilegal de madeira. Eles teriam sido executados por pistoleiros de tocaia numa ponte.
Em novembro do ano passado, Silva declarou num evento sobre a preservação da floresta: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo”.
E, no entanto, fizeram. Sem que nenhuma autoridade estadual ou federal tivesse evitado. That’s Brazil. A triste notícia, claro, percorre o mundo. O jornal britânico The Guardian começa matéria sobre o crime exatamente falando o seguinte: “Seis meses depois de prever seu próprio assassinato, um defensor da floresta teria sido morto a tiros na Amazônia brasileira” (aqui, o texto do Guardian).
Veja abaixo o hoje triste depoimento de José Claudio
Apesar de aparentemente uma coisa não ter nada a ver com a outra, é tremendamente emblemático que mais essa barbárie brasileira ocorra no exato momento em que se trava uma luta titânica em torno da votação do novo Código Florestal, do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), considerado gravíssimo retrocesso pela unanimidade dos ambientalistas no país.
O projeto de Aldo, o convertido
Num ato sem precedentes que demonstra o significado da eventual aprovação do texto de Rebelo, um comunista convertido ao ideário ruralista, dez ex-ministros do Meio Ambiente, em carta à presidente Dilma Rousseff, afirmaram que, se qualquer uma das versões do projeto de Aldo for aprovada, “o país agirá na contramão de nossa história e em detrimento de nosso capital natural".
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse agora há pouco que a votação será hoje. Não houve acordo. O governo tentará suprimir os pontos de que discorda (por exemplo, a anistia a desmatadores) no Senado e, em último caso, pelo veto da presidente Dilma.
“Esse código é perverso”, afirmaram os ex-ministros no documento enviado a Dilma. Assinam o texto: Marina Silva (PV), Carlos Minc (PT), Sarney Filho (PV), Rubens Ricupero (sem partido), José Carlos Carvalho (sem partido), Fernando Coutinho Jorge (PMDB), Paulo Nogueira Neto (sem partido), Henrique Brandão Cavalcanti (sem partido), Gustavo Krause (DEM), José Goldemberg (PMDB).
Atualizado às 21:03
José Cláudio da Silva era considerado um dos sucessores de Chico Mendes na defesa da preservação das floresta amazônica e constantemente denunciava o extrativismo ilegal de madeira. Eles teriam sido executados por pistoleiros de tocaia numa ponte.
Em novembro do ano passado, Silva declarou num evento sobre a preservação da floresta: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo”.
E, no entanto, fizeram. Sem que nenhuma autoridade estadual ou federal tivesse evitado. That’s Brazil. A triste notícia, claro, percorre o mundo. O jornal britânico The Guardian começa matéria sobre o crime exatamente falando o seguinte: “Seis meses depois de prever seu próprio assassinato, um defensor da floresta teria sido morto a tiros na Amazônia brasileira” (aqui, o texto do Guardian).
Veja abaixo o hoje triste depoimento de José Claudio
Apesar de aparentemente uma coisa não ter nada a ver com a outra, é tremendamente emblemático que mais essa barbárie brasileira ocorra no exato momento em que se trava uma luta titânica em torno da votação do novo Código Florestal, do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), considerado gravíssimo retrocesso pela unanimidade dos ambientalistas no país.
O projeto de Aldo, o convertido
Num ato sem precedentes que demonstra o significado da eventual aprovação do texto de Rebelo, um comunista convertido ao ideário ruralista, dez ex-ministros do Meio Ambiente, em carta à presidente Dilma Rousseff, afirmaram que, se qualquer uma das versões do projeto de Aldo for aprovada, “o país agirá na contramão de nossa história e em detrimento de nosso capital natural".
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse agora há pouco que a votação será hoje. Não houve acordo. O governo tentará suprimir os pontos de que discorda (por exemplo, a anistia a desmatadores) no Senado e, em último caso, pelo veto da presidente Dilma.
“Esse código é perverso”, afirmaram os ex-ministros no documento enviado a Dilma. Assinam o texto: Marina Silva (PV), Carlos Minc (PT), Sarney Filho (PV), Rubens Ricupero (sem partido), José Carlos Carvalho (sem partido), Fernando Coutinho Jorge (PMDB), Paulo Nogueira Neto (sem partido), Henrique Brandão Cavalcanti (sem partido), Gustavo Krause (DEM), José Goldemberg (PMDB).
Atualizado às 21:03
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Começa o Brasileirão 2011. Com leve favoritismo de Flamengo e Santos
Pronto, começou o Campeonato Brasileiro de 2011. Na primeira rodada, jogos sem graça e tecnicamente ruins, apesar dos clássicos nacionais. Palmeiras (1 a 0 no Botafogo em São José do Rio Preto), São Paulo (2 a 0 no atual campeão Fluminense, em São Januário) e Corinthians (2 a 1 no Grêmio no Olímpico) começaram com vitórias importantes, com direito a belos gols de Kleber, Lucas e Liedson. Os reservas do Santos ficaram no 1 a 1 com o Inter na Vila, joguinho pra lá de ruim.
Se alguém quiser arriscar a dizer que este ou aquele time é favorito destacado, fique à vontade. Acho impossível no momento, devido às variáveis nos próximos sete meses, desde a malfadada janela européia, passando pela seleção brasileira, que faz a Copa América, e outros fatores imprevistos.
Digo que o campeão sairá dessas nove equipes (não pela ordem): Flamengo, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Inter, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Fluminense. Assim é fácil acertar, não é? Mas, em 2010, quem apostaria no Fluminense a não ser sua torcida? (o Tricolor havia escapado por um triz do rebaixamento no ano anterior). Ou no Flamengo do “interino” Andrade em 2009? Para não ficar sobre o famoso muro é que arrisco dizer que Santos e Flamengo saem com alguma vantagem.
Muricy e Vanderlei
Dando uma pequena burilada nos times listados acima, dá para apontar num primeiro momento Flamengo e Santos com alguma vantagem, posto que têm os dois técnicos que mais ganharam o Brasileiro. Vanderlei Luxemburgo levantou o caneco cinco vezes: 1993 e 1994 (Palmeiras), 1998 (Corinthians), 2003 (Cruzeiro) e 2004 (Santos). Muricy conquistou seus quatro títulos na atual fórmula de disputa em pontos corridos: pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008) e Fluminense (2010). Não acho que Vanderlei esteja acabado para o futebol, como muitos dizem. Pode dar a volta por cima. É um vencedor.
O Peixe, no momento, é o melhor time do país e o Flamengo pode crescer muito, pois tem um bom time. E se Ronaldinho Gaúcho jogar o que ensaiou sábado, nos 4 a 0 contra o time misto (diga-se) do Avaí, o Rubro-negro pode almejar a taça. Não se sabe, porém, como será o Santos e todos os outros bons elencos após a (repito, malfadada) janela. Ganso deve sair, Neymar deve ficar. Mas nada se pode prever.
Se for à final da Libertadores, o Santos perderá vários pontos por jogar com time misto. Isso pode pesar no final. Ou não, dado o aparente equilíbrio geral.
Timão e Verdão
O Corinthians me parece hoje um time comum e que só listei entre os nove porque algo pode de repente mudar pelos lados do Parque São Jorge. São sete meses de campeonato, afinal. Mas, com essa equipe, mesmo com os bons reforços de Emerson, o Sheik, e Alex (ex-Internacional e Spartak Moscou, que só joga em agosto) não se pode culpar o Tite por um fracasso.
Coloquei o Palmeiras na lista dos nove porque o time pode ganhar corpo e amadurecer, comandado por Felipão, que não é conhecido exatamente como um perdedor no futebol brasileiro. Mas o Alviverde tem que se reforçar se quiser sonhar com o título, porque Scolari não é milagreiro. O mesmo se pode dizer do Fluminense: Abel Braga, quando assumir, pode fazer o time, que tem bom elenco, crescer muito (mas não acho Abel tudo isso, não).
Cruzeiro, Grêmio e São Paulo
O Cruzeiro entra ano, sai ano, sempre começa a temporada apontado como um dos favoritos e termina sem nada, no máximo uma vaga à Libertadores. Não apostaria na Raposa de modo algum.
Se alguém quiser arriscar a dizer que este ou aquele time é favorito destacado, fique à vontade. Acho impossível no momento, devido às variáveis nos próximos sete meses, desde a malfadada janela européia, passando pela seleção brasileira, que faz a Copa América, e outros fatores imprevistos.
Digo que o campeão sairá dessas nove equipes (não pela ordem): Flamengo, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Inter, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Fluminense. Assim é fácil acertar, não é? Mas, em 2010, quem apostaria no Fluminense a não ser sua torcida? (o Tricolor havia escapado por um triz do rebaixamento no ano anterior). Ou no Flamengo do “interino” Andrade em 2009? Para não ficar sobre o famoso muro é que arrisco dizer que Santos e Flamengo saem com alguma vantagem.
Muricy e Vanderlei
![]() |
| Fotos: Eduardo Metroviche e Divulgação Santos FC |
Dando uma pequena burilada nos times listados acima, dá para apontar num primeiro momento Flamengo e Santos com alguma vantagem, posto que têm os dois técnicos que mais ganharam o Brasileiro. Vanderlei Luxemburgo levantou o caneco cinco vezes: 1993 e 1994 (Palmeiras), 1998 (Corinthians), 2003 (Cruzeiro) e 2004 (Santos). Muricy conquistou seus quatro títulos na atual fórmula de disputa em pontos corridos: pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008) e Fluminense (2010). Não acho que Vanderlei esteja acabado para o futebol, como muitos dizem. Pode dar a volta por cima. É um vencedor.
O Peixe, no momento, é o melhor time do país e o Flamengo pode crescer muito, pois tem um bom time. E se Ronaldinho Gaúcho jogar o que ensaiou sábado, nos 4 a 0 contra o time misto (diga-se) do Avaí, o Rubro-negro pode almejar a taça. Não se sabe, porém, como será o Santos e todos os outros bons elencos após a (repito, malfadada) janela. Ganso deve sair, Neymar deve ficar. Mas nada se pode prever.
Se for à final da Libertadores, o Santos perderá vários pontos por jogar com time misto. Isso pode pesar no final. Ou não, dado o aparente equilíbrio geral.
Timão e Verdão
![]() |
| Tite/ Foto: Reprodução |
O Corinthians me parece hoje um time comum e que só listei entre os nove porque algo pode de repente mudar pelos lados do Parque São Jorge. São sete meses de campeonato, afinal. Mas, com essa equipe, mesmo com os bons reforços de Emerson, o Sheik, e Alex (ex-Internacional e Spartak Moscou, que só joga em agosto) não se pode culpar o Tite por um fracasso.
![]() |
| Felipão/Foto: Reprodução |
Cruzeiro, Grêmio e São Paulo
O Cruzeiro entra ano, sai ano, sempre começa a temporada apontado como um dos favoritos e termina sem nada, no máximo uma vaga à Libertadores. Não apostaria na Raposa de modo algum.
Grêmio e São Paulo têm passado por turbulências e é difícil prever se vão fazer jus à tradição, já que sempre começam campeonatos entre os favoritos. Mas este ano, como no caso do Corinthians e Palmeiras, num primeiro momento eu diria que correm por fora. O problema principal do Sção Paulo é a bagunça que começa de cima, da direção.
Falam do Coritiba. Não acho que tenha fôlego.
Entre os chamados grandes, o Botafogo é sério candidato ao rebaixamento. O Vasco, acho que, embora venha bem com Ricardo Gomes, não chegará nem à Libertadores.
PS (às 13:59 de 24 de maio/2011): Acabei não comentando sobre o Inter, que apontei na lista dos nove. Foi um ato falho justificável, porque se enquadra mais ou menos no perfil que vejo do Cruzeiro de Cuca. Apesar de toda a mídia dizer que é um time fortíssimo etc, não vejo nada de mais no Inter. E com Falcão então... Se mudar de treinador e acertar deficiências óbvias pode ameaçar.
![]() |
| Carpegiani: até quando? Foto: Wagner Carmo//Vipcomm |
Falam do Coritiba. Não acho que tenha fôlego.
Entre os chamados grandes, o Botafogo é sério candidato ao rebaixamento. O Vasco, acho que, embora venha bem com Ricardo Gomes, não chegará nem à Libertadores.
PS (às 13:59 de 24 de maio/2011): Acabei não comentando sobre o Inter, que apontei na lista dos nove. Foi um ato falho justificável, porque se enquadra mais ou menos no perfil que vejo do Cruzeiro de Cuca. Apesar de toda a mídia dizer que é um time fortíssimo etc, não vejo nada de mais no Inter. E com Falcão então... Se mudar de treinador e acertar deficiências óbvias pode ameaçar.
sábado, 21 de maio de 2011
Tiros e bombas contra a Marcha da Maconha em São Paulo
Da série Epísódios da truculência tucana
Cenas na tarde de hoje, sábado, na avenida Paulista, em São Paulo, por ocasião da Marcha da Maconha, que, proibida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, foi realizada como uma manifestação "pela liberdade de expressão".
A brutalidade da Polícia Militar, seja de Geraldo Alckmin, seja de José Serra, não tem limites. Onde está a liberdade de expressão se um punhado de jovens pacíficos é tratado a tiros e bombas por exercer um direito que lhes garante a Constituição do Brasil?
"A repressão policial à maconha, em menos de 80 anos, já causou mais mortes e prejuízos do que o uso da erva jamais poderia ter causado em toda a história da humanidade." (Túlio Vianna - Revista Fórum n° 98 - maio de 2011)
Leia também relatos de outros episódios:
Relatos sobre a truculência tucana [2] – Vila Madalena
Ginásio da Fito (Osasco)
Eleição de 2010
Alckmin começa seu governo atacando estudantes
Polícia de Alckmin não pára de cometer barbaridades
Atualizado às 02:26
Cenas na tarde de hoje, sábado, na avenida Paulista, em São Paulo, por ocasião da Marcha da Maconha, que, proibida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, foi realizada como uma manifestação "pela liberdade de expressão".
A brutalidade da Polícia Militar, seja de Geraldo Alckmin, seja de José Serra, não tem limites. Onde está a liberdade de expressão se um punhado de jovens pacíficos é tratado a tiros e bombas por exercer um direito que lhes garante a Constituição do Brasil?
"A repressão policial à maconha, em menos de 80 anos, já causou mais mortes e prejuízos do que o uso da erva jamais poderia ter causado em toda a história da humanidade." (Túlio Vianna - Revista Fórum n° 98 - maio de 2011)
Leia também relatos de outros episódios:
Relatos sobre a truculência tucana [2] – Vila Madalena
Ginásio da Fito (Osasco)
Eleição de 2010
Alckmin começa seu governo atacando estudantes
Polícia de Alckmin não pára de cometer barbaridades
Atualizado às 02:26
Gente, chegou a hora. O mundo vai acabar hoje
Atenção, povo. Hoje é o dia do fim do mundo. Pelo menos é o que garante o engenheiro civil aposentado Harold Camping, presidente de um grupo evangélico cristão na Califórnia (EUA) chamado Family Radio.
Eles anunciaram que hoje seria o dia do juízo final por meio de outdoors e cartazes espalhados por cidades dos Estados Unidos e Canadá. Os religiosos dizem que chegaram à fatídica conclusão por meio de estudos da Bíblia que permitem concluir que na data de 21 de maio de 2011 completam-se 7 mil anos que Noé, com sua arca para lá de ecumênica, se salvou do Dilúvio. E eu pergunto: o que eu tenho a ver com isso?
Segundo disse o porta-voz da Family Radio dez dias atrás, um enorme terremoto com duração de 153 dias terá início na Nova Zelândia e avançará ao leste. “Deus esgotou sua paciência com o mundo. Esta é a realidade", garantiu Gunther von Harringa. Ele está certo também de que apenas 170 milhões de pessoas serão salvas e vão para o céu.
A Family Radio já previu que o mundo acabaria em 1994. Como isso não aconteceu, eles afirmaram que tinham errado as contas. Mas dessa vez será mesmo o fim, garantem.
Por isso, meus amigos, eu vou almoçar, antes que seja tarde. Mas, se o apocalipse não for hoje, eu voltarei a postar neste blog. Adeus. Ou até breve.
Eles anunciaram que hoje seria o dia do juízo final por meio de outdoors e cartazes espalhados por cidades dos Estados Unidos e Canadá. Os religiosos dizem que chegaram à fatídica conclusão por meio de estudos da Bíblia que permitem concluir que na data de 21 de maio de 2011 completam-se 7 mil anos que Noé, com sua arca para lá de ecumênica, se salvou do Dilúvio. E eu pergunto: o que eu tenho a ver com isso?
Segundo disse o porta-voz da Family Radio dez dias atrás, um enorme terremoto com duração de 153 dias terá início na Nova Zelândia e avançará ao leste. “Deus esgotou sua paciência com o mundo. Esta é a realidade", garantiu Gunther von Harringa. Ele está certo também de que apenas 170 milhões de pessoas serão salvas e vão para o céu.
A Family Radio já previu que o mundo acabaria em 1994. Como isso não aconteceu, eles afirmaram que tinham errado as contas. Mas dessa vez será mesmo o fim, garantem.
Por isso, meus amigos, eu vou almoçar, antes que seja tarde. Mas, se o apocalipse não for hoje, eu voltarei a postar neste blog. Adeus. Ou até breve.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Santos joga com Cerro Porteño dia 25 no Pacaembu
A Conmebol confirmou hoje que o Santos fará os jogos das semifinais da Libertadores nas próximas quartas-feiras. O Peixe mandará o jogo de ida no Pacaembu, dia 25 de maio*. A outra semi, Cerro Porteño x Velez Sarsfield, será nas quintas-feiras.
Jogos de ida
25.05.2011 (quarta) - 21:50 - Santos FC (BRA) x Cerro Porteño (PAR) - Pacaembu
26.05.2011 (quinta) - 21:50 - Peñarol (URU) x Vélez Sarsfield (ARG)
Jogos de volta
01.06.2011 (quarta) - 21:50 - Cerro Porteño (PAR) x Santos FC (BRA)
02.06.2011 (quinta) - 21:50 - Vélez Sarsfield (ARG) x Peñarol (URU)
*Atualizado às 22:16
Leia também:
Santos empata com Once Caldas e está na semifinal
Jogos de ida
25.05.2011 (quarta) - 21:50 - Santos FC (BRA) x Cerro Porteño (PAR) - Pacaembu
26.05.2011 (quinta) - 21:50 - Peñarol (URU) x Vélez Sarsfield (ARG)
Jogos de volta
01.06.2011 (quarta) - 21:50 - Cerro Porteño (PAR) x Santos FC (BRA)
02.06.2011 (quinta) - 21:50 - Vélez Sarsfield (ARG) x Peñarol (URU)
*Atualizado às 22:16
Leia também:
Santos empata com Once Caldas e está na semifinal
Definidas as semifinais da Libertadores: Santos pega o Cerro e Vélez encara Peñarol
Cerro Porteño x Santos
Vélez Sarsfield x Peñarol
Essas são as duas partidas das semifinais da Libertadores da América 2011. Os jogos serão nas próximas duas quartas-feiras, 25 de maio e 1° de junho.
O Santos faz o jogo de ida na Vila Belmiro e decide a vaga à final em Assunção. Na fase de grupos, o Peixe se classificou às oitavas batendo justamente o Cerro, no Paraguai, por 2 a 1, no primeiro jogo sob o comando de Muricy Ramalho na Libertadores, dia 15 de abril (relembre aqui). Apesar da derrota em casa, o Cerro ficou em primeiro no grupo, deixando o alvinegro praiano em segundo.
Antes, na Vila Belmiro, havia sido 1 a 1, quando os paraguaios empataram com aquele pênalti de Edu Dracena no apagar das luzes (aqui) e a vaga ficou muito ameaçada. O treinador ainda era Marcelo Martelotte.
Nas quartas-de-final, o Cerro eliminou o Jaguares (1 x 1 no México e 1 a 0 em Assunção)*
Na outra semifinal, o Peñarol recebe o Vélez em Montevidéu e a decisão é em Buenos Aires.
Os quatro semifinalistas ganharam ao todo oito títulos, com a liderança absoluta do Peñarol. A proeza do Vélez foi ter conquistado o campeonato batendo o São Paulo no Morumbi, evitando o tricampeonato tricolor, que havia sido bi em 1992 e 1993.
Títulos de Libertadores dos semifinalistas em 2011:
Peñarol: cinco (1960, 1961, 1966, 1982 e 1987)
Santos: dois (1962, 1963)
Vélez: um (1994)
Cerro: nenhum
Embora em Libertadores sempre tudo possa acontecer, acho o Santos favorito contra o Cerro, que nunca chegou a uma final. Já entre Vélez e Peñarol, é mais imprevisível. A boa notícia é que, pelo que pude apurar, se estiver errado me corrijam, se for à final o Santos faz a segunda partida, contra Vélez ou Peñarol, em casa.
Atualizado às 13:12
Vélez Sarsfield x Peñarol
Essas são as duas partidas das semifinais da Libertadores da América 2011. Os jogos serão nas próximas duas quartas-feiras, 25 de maio e 1° de junho.
O Santos faz o jogo de ida na Vila Belmiro e decide a vaga à final em Assunção. Na fase de grupos, o Peixe se classificou às oitavas batendo justamente o Cerro, no Paraguai, por 2 a 1, no primeiro jogo sob o comando de Muricy Ramalho na Libertadores, dia 15 de abril (relembre aqui). Apesar da derrota em casa, o Cerro ficou em primeiro no grupo, deixando o alvinegro praiano em segundo.
![]() |
| Na fase de grupos, Santos 1 x 1 Cerro, na Vila |
Nas quartas-de-final, o Cerro eliminou o Jaguares (1 x 1 no México e 1 a 0 em Assunção)*
Na outra semifinal, o Peñarol recebe o Vélez em Montevidéu e a decisão é em Buenos Aires.
Os quatro semifinalistas ganharam ao todo oito títulos, com a liderança absoluta do Peñarol. A proeza do Vélez foi ter conquistado o campeonato batendo o São Paulo no Morumbi, evitando o tricampeonato tricolor, que havia sido bi em 1992 e 1993.
Títulos de Libertadores dos semifinalistas em 2011:
Peñarol: cinco (1960, 1961, 1966, 1982 e 1987)
Santos: dois (1962, 1963)
Vélez: um (1994)
Cerro: nenhum
Embora em Libertadores sempre tudo possa acontecer, acho o Santos favorito contra o Cerro, que nunca chegou a uma final. Já entre Vélez e Peñarol, é mais imprevisível. A boa notícia é que, pelo que pude apurar, se estiver errado me corrijam, se for à final o Santos faz a segunda partida, contra Vélez ou Peñarol, em casa.
Atualizado às 13:12
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Ufa! Santos 1 x 1 Once Caldas. Peixe está na semifinal da Libertadores
Com empate contra os colombianos no estádio do Pacaembu, time de Muricy pega Cerro Porteño ou Jaguares na próxima fase
![]() |
Foto: Divulgação/SFC |
Tudo indicava que o time da Vila daria um xeque-mate ainda no primeiro tempo, pois aos 12 Neymar já abria a contagem, dando o troco ao time que em 2004 eliminou o Peixe nas mesmas quartas-de-final. A esquadra de Muricy encurralou os colombianos pressionando-os em seu campo sem cessar, dominando as ações completamente. Um massacre técnico e tático. Mas perdeu Alan Patrick contundido e, aos 29 minutos, tomou um gol bobo em falta cometida na direita da defesa do Santos, note-se, por Neymar. Na bobeira, o perigoso Rentería não perdoou.
Entretanto o time continuou dominando, primeiro e segundo tempo afora. E perdendo gols. Se o Alvinegro tivesse sido desclassificado hoje no Pacaembu, a torcida já teria um eleito para crucificar: o atacante Zé Eduardo, que foi uma nulidade total. Perdeu gols, demonstrou insegurança e falta de preparo até psicológico para resolver as adversidades: quanto mais erra, mais erra, com o perdão da frase. Nisso Muricy é muito conservador: costuma dizer que quanto menos mexer, melhor. Só que há o risco de o time ficar previsível. Zé Eduardo é muito ruim. Qualquer coisa é melhor do que ele.
Drama nas arquibancadas ou na sala
Aos 40 minutos da etapa final, após o time perder várias chances de matar o jogo desde o primeiro tempo, ainda estava 1 a 1 e... Pênalti indiscutível em Neymar! Mas... o jovem craque perdeu. E o grito de gol continuou preso. Mais drama.
E, incrivelmente para os santistas nas arquibancadas ou se embriagando de nervosismo em casa, aos 44 o Once Caldas teve uma falta na entrada da área, mas Nuñes mandou para fora. Se aquela bola entra, o Once estaria na semifinal.
Não há como negar que Neymar desequilibrou mais uma vez, embora não tenha brilhado como de costume. Só o pânico que ele gera na defesa adversária quando parte pra cima já desestabiliza.
Mas se eu tivesse que dar o velho Moto-Rádio pro melhor em campo, hoje, seria para Danilo. Um monstro em campo, jogando de volante ou lateral, desarmando, armando na medida do possível, atuando em larga faixa do gramado. Léo jogou muito, Adriano foi um leão e Elano, mais adiantado após a saída de Patrick, rendeu mais do que nos jogos anteriores.
E é isso. O Santos espera agora o adversário da semifinal, que sairá do confronto entre Jaguares do México e Cerro Porteño do Paraguai. Contra o Cerro, o segundo jogo seria no Paraguai; contra o Jaguares, na Vila.
Espero que na estréia do Brasileiro, sábado, contra o Internacional, na Vila, finalmente Muricy ponha um time reserva em campo.
Leia também: Santos é bicampeão paulista
Atualizado às 18:30 (19/03/2011)
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Impressões sobre "Ensaios", de Truman Capote: é possível ser jornalista sem ser imbecil
A leitura de livro Ensaios (Ed. Leya), de Truman Capote, é um desses prazeres que se deve comunicar, pois é egoísmo não compartilhar o brilhantismo inebriante de sua narrativa, que vai de paisagens subjetivas da alma, ao falar por exemplo de Nova Orleans (título do texto que abre o livro), onde ele nasceu, a relatos jornalístico-literários (sua especialidade) com variados temas.
Entre os textos marcantes de Ensaios, "O Duque em seu domínio”, que, mais do que uma entrevista, é o relato de uma entrevista, com Marlon Brando, em um hotel em Kyoto, em 1957, onde Brando trabalhava numa locação do filme Sayonara.
A bonita edição da Leya inclui “Ouvindo as Musas”, não-ficção de cento e poucas páginas que conta a incrível turnê de uma grande companhia de teatro americana para apresentar em Leningrado a superprodução Porgy and Bess. Detalhe: em pleno ano de 1956, com o mundo dividido pela Cortina de Ferro. Nesse contexto absurdo, a arte supera as ideologias, como fica registrado pela voz de um funcionário da embaixada soviética encarregado de ciceronear a companhia estadunidense: “Quando os canhões são ouvidos, as musas silenciam; se os canhões estão silenciosos, as musas são ouvidas”.
Como Truman Capote era um dândi do século XX, sempre ao redor de ricos e famosos, ele estava invariavelmente nos lugares certos na hora certa. Por exemplo, para relatar um cruzeiro pela Grécia, onde ouve uma história macabra contada pelo capitão do barco (a literatura está em toda parte); em Tânger, onde conhece prostitutas internacionais, por assim dizer; suas impressões sobre os fotógrafos Richard Avedon e Cecil Beaton, com os quais conviveu, pelo menos o suficiente para deles fazer o retrato que sua pena pintava daqueles que achava importantes. Aqueles que podem ser pessoas, lugares ou situações.
A Sangue Frio
Um dos pontos altos de Ensaios é o texto “Fantasmas ao sol: a filmagem da A Sangue Frio”, título em si próprio elucidativo. Trata-se do relato (mais um brilhante relato) de Capote, dessa vez sobre sua participação, como “consultor” do diretor Robert Brooks, no filme A Sangue Frio, baseado no livro (obra-prima do new journalism) realizado sete anos antes, sobre o assassinato da família Clutter, no Kansas.
É muito interessante saber detalhes da produção de um filme tão difícil, e conhecer os porquês da permissão de Capote para que “o diretor Robert Brooks agisse como intermediário entre livro e tela”. Diz Truman Capote no texto: “Ele era a única pessoa que aceitava inteiramente dois pontos importantes: eu queria o filme feito em preto e branco e queria um elenco de desconhecidos – isto é, atores sem rostos públicos”.
E mais uma coisa, elucida o autor de A Sangue Frio, é que o filme “tivesse cada cena filmada em seu local original”, onde realmente aconteceram os eventos descritos na reportagem literária do livro: a casa do crime, o tribunal onde os criminosos foram julgados, a loja de variedades onde os assassinos “compraram a corda e a fita usadas para imobilizar as quatro vítimas”, entre outros elementos.
Um corvo
Como se não bastasse o mergulho na psique norte-americana da primeira metade do século XX (cinema, arte, espetáculo, fotografia, crime, ilusões), o livro Ensaios traz relatos que literalmente saem do terreno da realidade, embora justamente da realidade tratem. Falo principalmente da narrativa “Lola”, sobre um corvo que o escritor ganhou de presente de uma doméstica, uma “jovem do vilarejo” que trabalhava para ele quando o escritor morou na Sicília. “Um presente espantoso”, avalia o autor.
É espantoso, mesmo. Um corvo. Só que esse pássaro, descobre o narrador, tem uma personalidade, talvez a personalidade de todos os corvos, esse ícone eternizado – mas também estigmatizado – por Edgar Allan Poe. Mas o fato, bizarro e ao mesmo tempo delicado e bonito, é que o corvo passa a interagir com as pessoas, com suas asas cortadas, como "O Albatroz" de Baudelaire, e o estranho personagem passa realmente a fazer parte do cotidiano das pessoas, como um cachorrinho de estimação desses que existem aos milhões hoje, e que todo mundo acha “tão inteligente que só falta falar”. Mas é um corvo, não um cachorrinho.
É tão absurdo que você se pergunta: mas isso é realidade ou ficção? Diante da beleza da narrativa, a resposta a essa pergunta é irrelevante, embora se saiba que Capote fazia de fato não-ficção.
Truman Capote mostrou que é possível ser jornalista sem ser imbecil.
![]() |
| Truman Capote/Reprodução |
A leitura de livro Ensaios (Ed. Leya), de Truman Capote, é um desses prazeres que se deve comunicar, pois é egoísmo não compartilhar o brilhantismo inebriante de sua narrativa, que vai de paisagens subjetivas da alma, ao falar por exemplo de Nova Orleans (título do texto que abre o livro), onde ele nasceu, a relatos jornalístico-literários (sua especialidade) com variados temas.
Entre os textos marcantes de Ensaios, "O Duque em seu domínio”, que, mais do que uma entrevista, é o relato de uma entrevista, com Marlon Brando, em um hotel em Kyoto, em 1957, onde Brando trabalhava numa locação do filme Sayonara.
A bonita edição da Leya inclui “Ouvindo as Musas”, não-ficção de cento e poucas páginas que conta a incrível turnê de uma grande companhia de teatro americana para apresentar em Leningrado a superprodução Porgy and Bess. Detalhe: em pleno ano de 1956, com o mundo dividido pela Cortina de Ferro. Nesse contexto absurdo, a arte supera as ideologias, como fica registrado pela voz de um funcionário da embaixada soviética encarregado de ciceronear a companhia estadunidense: “Quando os canhões são ouvidos, as musas silenciam; se os canhões estão silenciosos, as musas são ouvidas”.
Como Truman Capote era um dândi do século XX, sempre ao redor de ricos e famosos, ele estava invariavelmente nos lugares certos na hora certa. Por exemplo, para relatar um cruzeiro pela Grécia, onde ouve uma história macabra contada pelo capitão do barco (a literatura está em toda parte); em Tânger, onde conhece prostitutas internacionais, por assim dizer; suas impressões sobre os fotógrafos Richard Avedon e Cecil Beaton, com os quais conviveu, pelo menos o suficiente para deles fazer o retrato que sua pena pintava daqueles que achava importantes. Aqueles que podem ser pessoas, lugares ou situações.
A Sangue Frio
![]() |
| O escritor na casa da família Clutter |
Um dos pontos altos de Ensaios é o texto “Fantasmas ao sol: a filmagem da A Sangue Frio”, título em si próprio elucidativo. Trata-se do relato (mais um brilhante relato) de Capote, dessa vez sobre sua participação, como “consultor” do diretor Robert Brooks, no filme A Sangue Frio, baseado no livro (obra-prima do new journalism) realizado sete anos antes, sobre o assassinato da família Clutter, no Kansas.
É muito interessante saber detalhes da produção de um filme tão difícil, e conhecer os porquês da permissão de Capote para que “o diretor Robert Brooks agisse como intermediário entre livro e tela”. Diz Truman Capote no texto: “Ele era a única pessoa que aceitava inteiramente dois pontos importantes: eu queria o filme feito em preto e branco e queria um elenco de desconhecidos – isto é, atores sem rostos públicos”.
E mais uma coisa, elucida o autor de A Sangue Frio, é que o filme “tivesse cada cena filmada em seu local original”, onde realmente aconteceram os eventos descritos na reportagem literária do livro: a casa do crime, o tribunal onde os criminosos foram julgados, a loja de variedades onde os assassinos “compraram a corda e a fita usadas para imobilizar as quatro vítimas”, entre outros elementos.
Um corvo
Como se não bastasse o mergulho na psique norte-americana da primeira metade do século XX (cinema, arte, espetáculo, fotografia, crime, ilusões), o livro Ensaios traz relatos que literalmente saem do terreno da realidade, embora justamente da realidade tratem. Falo principalmente da narrativa “Lola”, sobre um corvo que o escritor ganhou de presente de uma doméstica, uma “jovem do vilarejo” que trabalhava para ele quando o escritor morou na Sicília. “Um presente espantoso”, avalia o autor.
É espantoso, mesmo. Um corvo. Só que esse pássaro, descobre o narrador, tem uma personalidade, talvez a personalidade de todos os corvos, esse ícone eternizado – mas também estigmatizado – por Edgar Allan Poe. Mas o fato, bizarro e ao mesmo tempo delicado e bonito, é que o corvo passa a interagir com as pessoas, com suas asas cortadas, como "O Albatroz" de Baudelaire, e o estranho personagem passa realmente a fazer parte do cotidiano das pessoas, como um cachorrinho de estimação desses que existem aos milhões hoje, e que todo mundo acha “tão inteligente que só falta falar”. Mas é um corvo, não um cachorrinho.
É tão absurdo que você se pergunta: mas isso é realidade ou ficção? Diante da beleza da narrativa, a resposta a essa pergunta é irrelevante, embora se saiba que Capote fazia de fato não-ficção.
Truman Capote mostrou que é possível ser jornalista sem ser imbecil.
Marcadores:
"O Albatroz" de Baudelaire,
Editora Leya,
Ensaios,
literatura,
literatura norte-americana,
Porgy and Bess,
Robert Brooks,
Truman Capote
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Santos de Neymar bate Corinthians e é campeão paulista
O Santos levanta seu 19° estadual, bicampeonato (2010-2011) e quarto título paulista nos últimos dez anos (teve o bi de 2006/07) com a vitória de 2 a 1 sobre o Corinthians na Vila Belmiro neste domingo 15 de maio, com um público pífio de cerca de 15 mil pessoas. O triunfo ainda põe fim a um "tabu" sustentado até hoje pelos corintianos, o de que a geração Neymar & Ganso não ganhava do Timão.
O magro 1 a 0 ao fim do primeiro tempo – gol inusitado de Arouca, logo aos 16 minutos – foi uma bênção para o time da capital, que podia ter amargado um placar mais elástico terminados os 45 minutos. Alan Patrick e Neymar perderam chances de fazer dois ou três a zero. Foi um baile de bola.
Melhores momentos do jogo (mais abaixo, ouça narração na voz de Oscar Ulisses):
Bola de bilhar
No segundo tempo, o Timão foi pra cima. Podia ter empatado ou tomado o segundo gol. Tomou. Um gol de Neymar pra fechar com chave de ouro a participação espetacular em seu terceiro título alvinegro: dois paulistas (2010 e 2011) e uma Copa do Brasil (2010). Sabe aquela bola no bilhar que você bate e, embora ela resvale em outra, caprichosamente cai na caçapa? Pois assim foi o segundo do Santos, de Neymar. Que, embora tenha tido o toque do craque (ninguém esperava aquela batida seca), foi uma falha (ou frango?) de Júlio César.
Aos 40 do segundo tempo o Corinthians fez o gol de honra. Um gol absurdo, num mal entendido entre o zagueiro Edu Dracena (que tanto critiquei) e o goleiro Rafael. Que têm crédito, pois foram dois gigantes na conquista desse título e na recuperação do time, principalmente na Libertadores, após a chegada de Muricy.
Arouca fez uma partidaça contra o Timão. Marcou o primeiro gol (não lembro de um gol de Arouca antes, com a camisa santista) e mandou uma na trave de sem-pulo. A defesa do time de Muricy Ramalho, bem postada, deu poucas chances ao ineficiente ataque corintiano. O goleiro Rafael fez uma (uma!) defesa em todo o jogo, num chute de Willian já aos 15 minutos do segundo tempo, em que a bola veio serpenteando.
O Corinthians de Tite disputou dois jogos com lealdade, na bola. Perdeu sem dar cotoveladas ou pontapés. Merece aplausos por isso. E digo isso sem ironia.
Como se vê, o Alvinegro Praiano é o time paulista que sobrou no primeiro semestre. Em âmbito continental, é o único brasileiro que sobrou na Libertadores.
E Neymar... só precisa do título da Libertadores pra oficializar o reinado. Ser o herdeiro do trono e – de fato e de direito – o novo Rei.
Clique para ouvir os gols da partida na narração de Oscar Ulisses (Rádio Globo) - atualizado às 13:28
Santos 1 x 0 Corinthians - Arouca
Santos 2 x 0 Corinthians - Neymar
Santos 2 x 1 Corinthians - Morais
Leia ainda: Santos é tricampeão da Libertadores
(Atualizado às 16h de 23 de junho de 2011)
![]() |
| Foto: Ricardo Saibun |
O magro 1 a 0 ao fim do primeiro tempo – gol inusitado de Arouca, logo aos 16 minutos – foi uma bênção para o time da capital, que podia ter amargado um placar mais elástico terminados os 45 minutos. Alan Patrick e Neymar perderam chances de fazer dois ou três a zero. Foi um baile de bola.
Melhores momentos do jogo (mais abaixo, ouça narração na voz de Oscar Ulisses):
Bola de bilhar
No segundo tempo, o Timão foi pra cima. Podia ter empatado ou tomado o segundo gol. Tomou. Um gol de Neymar pra fechar com chave de ouro a participação espetacular em seu terceiro título alvinegro: dois paulistas (2010 e 2011) e uma Copa do Brasil (2010). Sabe aquela bola no bilhar que você bate e, embora ela resvale em outra, caprichosamente cai na caçapa? Pois assim foi o segundo do Santos, de Neymar. Que, embora tenha tido o toque do craque (ninguém esperava aquela batida seca), foi uma falha (ou frango?) de Júlio César.
Aos 40 do segundo tempo o Corinthians fez o gol de honra. Um gol absurdo, num mal entendido entre o zagueiro Edu Dracena (que tanto critiquei) e o goleiro Rafael. Que têm crédito, pois foram dois gigantes na conquista desse título e na recuperação do time, principalmente na Libertadores, após a chegada de Muricy.
Arouca fez uma partidaça contra o Timão. Marcou o primeiro gol (não lembro de um gol de Arouca antes, com a camisa santista) e mandou uma na trave de sem-pulo. A defesa do time de Muricy Ramalho, bem postada, deu poucas chances ao ineficiente ataque corintiano. O goleiro Rafael fez uma (uma!) defesa em todo o jogo, num chute de Willian já aos 15 minutos do segundo tempo, em que a bola veio serpenteando.
O Corinthians de Tite disputou dois jogos com lealdade, na bola. Perdeu sem dar cotoveladas ou pontapés. Merece aplausos por isso. E digo isso sem ironia.
Como se vê, o Alvinegro Praiano é o time paulista que sobrou no primeiro semestre. Em âmbito continental, é o único brasileiro que sobrou na Libertadores.
E Neymar... só precisa do título da Libertadores pra oficializar o reinado. Ser o herdeiro do trono e – de fato e de direito – o novo Rei.
Clique para ouvir os gols da partida na narração de Oscar Ulisses (Rádio Globo) - atualizado às 13:28
Santos 1 x 0 Corinthians - Arouca
Santos 2 x 0 Corinthians - Neymar
Santos 2 x 1 Corinthians - Morais
Leia ainda: Santos é tricampeão da Libertadores
(Atualizado às 16h de 23 de junho de 2011)
Assinar:
Postagens (Atom)













