quarta-feira, 14 de abril de 2010

Santos: 98 anos – orgulho que
nem todos podem ter

Eduardo Maretti *
O jornal Diário de Santos publicou no dia dia 9 de abril de 1912 um texto intitulado “Um novo clube de football”, que dizia (grafia da época):

Varios sportsmen desta cidade estão empenhados em organisar um poderoso club de football, tendo já para isso, conseguido um vasto e esplendido terreno de propriedade do sr. J.D. Martins, á rua Aguiar de Andrade, no Macuco, onde será installado o ground da nova sociedade sportiva”.

A matéria ainda informava:

"a comissão organisadora do clube compõe-se dos tres esforçados cavalheiros seguintes: Mario Ferraz de Campos, Raymundo Marques e Argemiro de Souza Júnior”.

Em 15 de abril, o mesmo Diário de Santos publicava na primeira página a nota:

SPORTS

SANTOS FOOT-BALL CLUB

“Fundou-se hontem nesta cidade, sob os melhores auspiciosos o “Santos Foot-Ball Club”, com o elevado numero de 146 socios. A reunião de fundação desse club sportivo effectuou-se na sede do Club Concordia tendo começado ás 2 horas da tarde, com a presença de muitos socios.

Depois de escolhido o titulo acima, passou-se a eleição da directoria
”.

O presidente eleito então foi Cizino Patusca.
E assim** começava, há 98 anos, a gloriosa história do time de Araken Patusca (campeão paulista em 1935); de Zito, Ramiro, Formiga e Vasconcelos (idem, 1955); de Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, entre outros (como o goleiro Gilmar, os zagueiros Mauro Ramos de Oliveira, Ramos Delgado...); do grande goleiro argentino Agustín Mario Cejas (na foto - meu ídolo na infância) nos anos 70; da primeira versão dos Meninos da Vila de 1978 (Nílton Batata, Juari e João Paulo); do campeão de 1984 com Serginho Chulapa; do magnífico time de 2002, de Fábio Costa, Alex, Leo, Renato, Elano, Robinho, Diego... ; do bicampeão paulista de 2006 e 2007; e finalmente da terceira geração dos “Meninos da Vila”, de Neymar, Paulo Henrique Ganso e André.

Enfim, ser santista “é um orgulho que nem todos podem ter”. Parabéns ao Santos Futebol Clube.

* Foto: praça Independência, 19 de dezembro de 2004 - Comemoração do título brasileiro daquele ano

**Com informações do historiador do Santos, Guilherme Guarche.

Atualizado às 19h35

Santos 8 x 1 Guarani (festa de aniversário no campo) -
Mais uma vez, os meninos deram um show histórico, na Vila Belmiro. Foram 8 a 1 sobre o Guarani de Campinas, no jogo de ida pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Quase todos, golaços.

Como o dia foi de festa, Robinho jogou com a camisa 200 (número de partidas pelo clube) e Léo com a 98, pelo aniversário do Santos. Confiram (
atualizado às 12h50):



terça-feira, 13 de abril de 2010

Guerra das pesquisas, eleição 2010
e "massa cheirosa"

ABr
A pesquisa Sensus divulgada hoje, terça, 13 de abril, coloca mais lenha na fogueira na chamada “guerra das pesquisas”, título de matéria de CartaCapital desta semana.

Na pesquisa, encomendada pelo Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo), Dilma Rousseff chega a 32,4%, empatada tecnicamente com José Serra (32,7%). Ciro Gomes (PSB) aparece com 10,1% e Marina Silva (PV) tem 8,1% (margem de erro de 2,2 pontos percentuais).

Curiosamente, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, disse que seu partido e os aliados de José Serra não levam em conta os levantamentos que mostram a subida de Dilma: “pesquisas do Sensus e do Vox Populi, nos últimos tempos, têm estado muito diferentes dos nossos acompanhamentos, das nossas pesquisas e das de outras instituições. Não estamos trabalhando com elas”, advertiu o nobre tucano, segundo o Blog Terra Magazine hoje.

Provavelmente, Guerra só leva em conta a pesquisa Datafolha. Divulgada dia 27 de março, ela apontou estranho crescimento de Serra (32% para 36%) e oscilação de Dilma para baixo (28% a 27%), contrariando o que têm mostrado todos os outros institutos, como Vox Populi e mesmo Ibope, que mostram ascensão de Dilma. Detalhe: a pesquisa Datafolha foi divulgada, muito oportunamente, três dias antes de Serra deixar o governo paulista para colocar sua “campanha nas ruas”.

Dez antes dias desse estudo do Datafolha, o Ibope divulgou o seu, segundo o qual a diferença a favor de Serra despencou de 21 para somente cinco pontos percentuais desde novembro: Serra tinha 38% e apareceu com 35% em 17 de março; Dilma subiu de 17% para 30%.

A Folha de S. Paulo questionou a metodologia do levantamento do Vox Populi (divulgada dia 3 de abril) que dá 34% dos votos ao tucano e 31% à petista. Em matéria da Rede Brasil Atual (5 de abril), o diretor-presidente do Vox Populi, João Francisco Meira, rebateu: "O Vox Populi tem um modelo, falamos na casa das pessoas, damos tempo para elas responderem, nossas pesquisas podem ser auditadas a qualquer tempo". E emendou: "O Datafolha faz entrevistas na rua, sem verificar se a pessoa mora mesmo na cidade".

Eliane Catanhêde e a “massa cheirosa”
Muita gente já viu, muitos blogs publicaram. Eu não ia publicar, até por uma questão de higiene, pois tenho falado de coisas superiores, como do Santos de Neymar e o escritor Jack London, por exemplo.

Mas, já que estamos falando do tema, vai abaixo o vídeo da jornalista Eliane Catanhêde, da Folha de S. Paulo, entusiasmada, esfuziante no evento tucano de lançamento da pré-candidatura de José Serra. Segundo ela, o PSDB até parecia um “partido de massa” no evento, “mas uma massa cheirosa” (sic).



domingo, 11 de abril de 2010

Zagueiro Durval faz o gol que
praticamente põe o Santos na final

A vitória do Santos sobre o São Paulo por 3 a 2 neste domingo foi justa e lógica. Com gol da vitória de um zagueiro nos estertores da peleja. Mais difícil do que esperavam santistas mais empolgados. Como aconteceu na vitória do Peixe sobre o Corinthians (2 a 1) e na derrota para o Palmeiras (4 a 3), o time da Vila deixou o adversário reagir.

Na semifinal com o São Paulo, as dificuldades do time da Vila decorreram muito por méritos do time do Morumbi.




Foi um grande jogo e os dois protagonistas estiveram à altura das tradições. Ricardo Gomes e seus comandados fizeram o possível. O São Paulo jogou com dez jogadores durante boa parte do jogo. No início do primeiro tempo (até o tomar o gol) e em boa parte do segundo teve mais posse de bola e dominou o meio-campo, mesmo sem Marlos a partir dos 32min da primeira etapa.

Assim, e com raça, o São Paulo chegou ao empate aos 22min do segundo tempo, depois de ter 2 a 0 contra. Mas precisando ganhar (e portanto tendo de jogar aberto) contra o time de Neymar e Robinho, sem esquecer de André mais enfiado, e com o apoio de Ganso e Marquinhos, e Léo pela esquerda... Fica difícil para qualquer time evitar a derrota, convenhamos.

O Santos jogou com o regulamento debaixo do braço, levou uma pressão federal, mas calculada, confiou no poder de seu ataque e foi premiado com um gol do zagueiro Durval. O impressionante do atual time do Santos é que o golpe mortal é imprevisível. Contra o São Paulo, por exemplo, Neymar, Robinho, Ganso e André tiveram atuações apagadas. Mas o desgaste físico e mental para marcar esse quarteto é enorme e uma hora ou outra os espaços aparecem. E aí não tem defesa.

O São Paulo de Ricardo Gomes jogou com elegância, duro, mas na bola. O cartão vermelho do são-paulino Marlos (conseqüência do segundo amarelo) foi rigoroso, mas o juiz manteve o critério que ele mesmo mostrou desde o início ao dar um cartão injusto para Neymar em falta sobre Dagoberto. Discordo desse critério do limitado árbitro Marcelo Rogério, mas pelo menos ele usou a mesma medida para os dois times.

O São Paulo perdeu seu quinto clássico seguido na temporada: para Portuguesa (3 a 1), Palmeiras (2 a 0), Corinthians (4 a 3) e Santos duas vezes (2 a 1 na fase de classificação e 3 a 2 na semifinal). É uma sequência no mínimo desconfortável.

Vale registrar: o jogo do Morumbi, mando do São Paulo, em que o Santos praticamente sacramentou sua ida à final do Campeonato Paulista tinha 35 mil pessoas. Em Santos 2 x 1 Rio Claro, no domingo de carnaval, 32 mil santistas empurraram o Peixe à vitória no Pacaembu.

São Paulo 2 x 3 Santos

São Paulo
: Rogério Ceni; Jean, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Rodrigo Souto, Hernanes, Jorge Wagner (Fernandinho) e Marlos; Dagoberto (Marcelinho Paraíba) e Washington (Cicinho)
Técnico: Ricardo Gomes

Santos: Felipe; Wesley, Edu Dracena, Durval e Leo; Arouca, Marquinhos (Zé Eduardo) e Paulo Henrique Ganso; Robinho, Neymar (Madson) e André (Pará)
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Marcelo Rogério
Auxiliares: Vicente Romano Neto e David Botelho Barbosa
Público: 35.695
Renda: R$ 1.578,325,25

Gols: Junior Cesar (contra, para o Santos), aos 25min, André (S) aos 40min do primeiro tempo; Hernanes (SP), aos 8min, Dagoberto (SP), aos 22min, Durval (S), aos 45min do segundo tempo

PS: Grêmio Prudente 1 x 2 Santo André

O Santo André ganhou de 2 a 1 do Grêmio Prudente no Prudentão. Quer dizer, Santos x Santo André deve ser a final do Paulistão 2010. A tabela da volta do mata-mata paulista é:

18 de abril de 2010
Jogos de volta

Santos x São Paulo – 16h – Vila Belmiro (transmissão: TV Globo, Band e Sport TV)
Santo André x Grêmio Prudente – 18h30 – Bruno José Daniel (Sportv)

Atualizado às 22h33

sábado, 10 de abril de 2010

Santos x São Paulo: chegou a hora

Eduardo Metroviche - Gaspar Nóbrega/VIPCOMM
Santos x São Paulo pela semifinal do Paulistão 2010. No Morumbi, o Alvinegro vai manter o esquema pra lá de ofensivo que está encantando quem gosta de futebol ou Dorival Junior optará por uma atitude menos ousada e mais pragmática?

O que fará o São Paulo de Ricardo Gomes? Vai aproveitar o mando de campo e partir pra cima para reverter a vantagem santista de jogar por dois empates? Acho difícil. Primeiro porque esse não é o estilo do time da capital, e depois porque se fizer isso corre o risco de levar uma goleada. A conferir.

Paulistão 2010

De resto, como santista, tenho ótimas recordações do Morumbi (Diego também, como podem ver no vídeo abaixo), onde já comemorei nas arquibancadas três títulos: o Brasileiro de 2002 (3 a 2 no Corinthians) e dois paulistas, o de 1978 (que terminou em 1979), na final em que o Peixe bateu o mesmo São Paulo, apesar de perder o último jogo por 2 a 0, e o de 2007, na final com o São Caetano então treinado por Dorival Júnior.

São Paulo e Santos já disputaram 260 partidas na história. Do total, 86 vitórias do Peixe, 62 empates e 112 triunfos tricolores.

De 2001 a 2010, os times se enfrentaram 28 vezes: 13 vitórias do Santos, dez do São Paulo e cinco empates. No século XXI, o Alvinegro marcou 41 gols contra 36 do Tricolor. Dos 28 duelos na década, só uma goleada: Santos 4 a 0 em 30 de julho de 2006, pelo Brasileiro, no Morumbi.

A rivalidade entre os dois times aumentou a partir do Brasileirão de 2002. Na fase de classificação (só havia um turno), São Paulo 3 a 2 no Morumbi. Ao marcar um gol, Diego comemorou pulando sobre o escudo do adversário, e provocou revolta nas hostes são paulinas. Fui a esse jogo com Gabriel. Lembro que saímos do campo de bom humor, apesar da derrota. Grande partida, e ficamos contentes com nosso time, que perdeu porque Léo fez um pênalti infantil no fim do jogo.

Nas quartas-de-final daquele Brasileiro de 2002 (o último da era dos mata-matas) o São Paulo era líder e franco favorito. O Santos se classificara em 8° lugar e era considerado zebra. Resultado: Peixe 3 a 1 na Vila Belmiro, jogo em que o São Paulo escapou de uma goleada, e 2 a 1 no Morumbi, um épico que Carmem, Gabriel e eu ouvimos pelo rádio, no AP de nossa amiga Ângela Assumpção. Poucas vezes fiquei tão nervoso na vida por causa de futebol.

Voltando ao clássico deste domingo, os comentaristas da rádio CBN estão dizendo que o São Paulo é favorito, um time mais “consistente”. Êta imprensa provinciana e conservadora que é essa paulistana. Vamos ver o resultado depois dos dois jogos.

Não custa lembrar que na fase de classificação neste Paulista (Santos 2 a 1, em Barueri) Rogério Ceni ajoelhou.

Abaixo, os melhores momentos daquele Santos 2 x 1 São Paulo de 2002, quando, após o jogo, Diego disse: “O São Paulo, e particularmente o Morumbi, me dá muita sorte. Eu sabia que ia fazer um gol hoje". Foi o último mata-mata do clássico San-São. Nele, Ceni também ajoelhou no gol de Diego.



quinta-feira, 8 de abril de 2010

A natureza selvagem segundo Jack London

LITERATURA
Para meu amigo Xico Santos, que um dia me apresentou o livro Martin Eden



Falar do romance Caninos Brancos, de Jack London (foto), que acabo de ler, não exige gancho jornalístico. Porque, se tudo o que é belo na vida dependesse de gancho e de jornalismo, estávamos fritos.

Jack London (1876-1916) é um dos mais inquietantes e importantes da fértil literatura norte-americana que foi surgindo nas livrarias nas primeiras décadas do século XX. Desta geração fazem parte John Reed (1887-1920), Ernest Hemingway (1899-1961) e Scott Fitzgerald (1896-1940). Os dois últimos são reunidos sob o rótulo “geração perdida”, termo ao que parece cunhado pela escritora Gertrude Stein (1874-1946) e que me soa mais como rótulo do que como verdade literária. Reed, Hemingway e London têm em comum o fato de terem atuado como jornalistas.

Voltando ao livro Caninos Brancos (1906): você começa a ler uma história cujo enredo tem início nas geladas “terras do Norte”, no Canadá, e vai terminar em São Francisco (EUA), onde o próprio Jack London morreu em 1916. Nela, dois homens conduzidos por um trenó de cães tentam atravessar a “natureza selvagem”, o frio extremo, a paisagem desoladora do deserto branco infinito, e precisam chegar a seu destino, um tal Fort M’Gurry.

Mas você vai descobrindo, lenta e inexoravelmente, através da narrativa envolvente, seca, implacável e econômica de London, que a história não é a de um homem, de alguns homens, de uma tribo ou civilização, mas é a história de um lobo. Ou da família de um lobo, através das gerações.

Um lobo que se chama Caninos Brancos, nome que lhe foi dado por um de seus donos durante a vida (um índio). Na história, a natureza que é selvagem para o homem (a desgraça) é o habitat (a bênção, apesar da luta pela vida) do magnífico lobo, animal de grande poder e beleza que (parênteses) foi caçado covarde e incessantemente pelo homem branco durante a conquista da Terra. Por falta de outro adjetivo, é sobrenatural a maneira pela qual Jack London descreve a mente (trabalho que certamente demandou enorme e longa observação) desse animal que as gerações transformaram nesse ser domesticado, submisso e idiota do mundo contemporâneo: o cãozinho que não pára de latir durante a noite. Mas o lobo não late, o lobo uiva.

Mesmo tendo de se submeter ao “deus” homem, seja como cão de parelha ou cão de rinha (ritual sádico e demasiadamente humano), perdido entre o raiar da civilização que se lhe apresenta e a selva profunda de seus ancestrais, o lobo preserva a beleza do instinto, da ferocidade e da potência: “ainda possuía uma certa ferocidade oculta, como se a selva permanecesse dentro dele”. A transmutação do selvagem no animal domesticado que se processa na criatura Caninos Brancos não poderia ter sido espiritualmente tão bem forjada por ninguém como foi por Jack London.

O autor escreveu, entre outros livros, obras-primas como Martin Eden e O Lobo do Mar. É o escritor que, entre todos os que li, melhor descreve a morte, da maneira mais assombrosa (a morte verdadeiramente, a morte da consciência, em suma), no romance Martin Eden. A abrangência de sua literatura é grande: sem ela, a obra do venerado beatnik Jack Kerouac (1922-1969), por exemplo, pelo menos tal como a conhecemos, não teria existido.

Curiosamente, na história de Caninos Brancos, Jack London parece escrever com amor, ao contrário do que quando escreve apenas sobre humanos, quando sua literatura não consegue fugir da crueldade como inerente ao homem. Em Caninos Brancos, no qual o protagonista é um lobo, ser que inspirou até o fantástico lobisomem, o escritor olha para a vida com mais benevolência.

Jack London nasceu em São Francisco, onde também morreu em 22 de novembro de 1916, na fazenda Glenn Ellen. Uns dizem que se matou, outros afirmam que ele morreu acidentalmente de overdose de alguma droga, ou seja, suicídio involuntário. Segundo a lenda, o local ficou conhecido como Casa do Lobo. Não sei. Só sei que se você leu este texto até aqui, deveria ler Jack London.

Caninos Brancos (Jack London)
Editora Melhoramentos - 237 páginas.
R$ 37,90

Texto também publicado, em versão um pouco diferente, no Boteco Cultural

Mais uma de pitbull

Segundo matéria da Folha Online de hoje, 8 de abril, um pitbull invadiu pela manhã a Escola Estadual Professor Claudinei Garcia, na cidade de Osasco (região Oeste da Grande São Paulo), e atacou nove crianças, que foram socorridas num pronto-socorro e depois liberadas.

É por essa e muitas outras que eu defendo a extinção dessa besta assassina. Isso pode ser proporcionado por projeto do senador Valter Pereira (PMDB-MS), em tramitação no Senado, que “proíbe a reprodução dos pitbulls e institui esterilização obrigatória dos machos”.

PS - Logo após eu ter postado o texto, a assessoria do senador Pereira retornou a ligação que eu havia feito ao gabinete para saber como anda a tramitação do projeto. Segundo o assessor Roberto Chamorro, o relator da proposta, senador Gim Argello (PTB-DF), retirou o relatório para fazer um reexame e ainda não o devolveu à Comissão de Constituição e Justiça.

"Ele já havia apresentado um parecer favorável", disse Chamorro.

Atualizado às 16h55

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Bayern derruba Manchester United

O Bayern de Munique superou o Manchester United na soma dos dois resultados das quartas-de-final da Liga dos Campeões da Europa e fará a semifinal contra o Lyon. Wayne Rooney jogou no sacrifício e os Diabos Vermelhos venceram por 3 a 2 nesta quarta-feira, 7, e caíram pelos critérios de desempate. No jogo de ida, em Munique, 2 a 1 para o Bayern de virada.

(O confronto tem sabor de vingança para o time bávaro. Na finalíssima da temporada 1998-1999, o Manchester conseguiu uma vitória épica e o título: perdia por 1 a 0 até os 46min do segundo tempo, quando Sheringham empatou o jogo. Aos 48min, o norueguês Solskjaer virou e deu a copa à equipe vermelha. Eu vi esse jogo e foi realmente espetacular.)

Mas desta vez, não deu. Na sua casa, o Mancheter começou arrasador e já vencia por 2 a 0 aos 7 minutos, com um golaço de Nani, de letra (Gibson, aos 3min, abriu o placar). Aumentou outra vez com Nani para 3 a 0 aos 42 e o narrador da ESPN Brasil, Paulo Andrade, já gritava como certa a classificação dos ingleses. Mas futebol... E Olic diminuiu aos 43.

Veja os gols de Manchester 3 x 2 Bayern



Com Rooney fora de sua melhor forma, o time inglês fez um segundo tempo sem a intensidade da primeira etapa. O atacante que fez quatro gols nas duas partidas contra o Milan, nas oitavas, e um contra o próprio Bayern no jogo de ida na Inglaterra (cinco gols em quatro jogos, média de 1,25 por partida**) saiu de campo aos 12 sem anotar nenhum. Os alemães passaram a dominar e diminuíram para 3 a 2, com um golaço de Robben chutando de primeira um cruzamento de escanteio. Era o suficiente, até porque o experiente time da Bavária soube tocar a bola e cozinhar o jogo diante de um impotente Manchester.

O Bayern pega nas semifinais o Lyon, que eliminou o Bordeaux (3 x 1 e 0 x 1). Aposto no Bayern. Eliminar o Manchester em pleno Old Trafford dá um moral danado.

Depois do show de Messi, que fez quatro gols no Camp Nou na rodada da terça-feira (veja aqui os gols), para assombro do bom mas atônito time do Arsenal, ninguém pode dizer que o time catalão não seja o favorito contra a Inter de Milão. Mas, como se sabe, futebol...

Quartas-de-final – jogos de volta (jogos de ida aqui)

6 e 7 de março de 2010
CSKA Moscow 0 x 1 Internazionale
Barcelona 4 x 1 Arsenal
Bordeaux 1 x 0 Lyon
Manchester United 3 x 2 Bayern de Munique

Semifinais
Barcelona x Internazionale
Bayern de Munique x Lyon

**A informação sobre o desempenho de Wayne Rooney nas oitavas e quartas-de-final apontava, erradamente, a "média de 1,7 por jogo em 5 partidas". O correto, como editado no texto, é: cinco gols em quatro jogos, média de 1,25 por partida (atualizado às 21h25)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Metrô: na Linha 4 Amarela, tudo igual e sem previsões

Foto: Divulgação
Um dos temas que mais têm atraído os leitores a este blog à procura de informações é a Linha 4 Amarela do metrô.

Falei com a assessoria de imprensa da Companhia do Metrô, que me disse hoje, dia 6 de abril, praticamente o mesmo dos posts anteriores: metrô adia inaugurações e cronograma emperra. "Não tem datas [previstas]. Todos os protocolos de testes estão sendo finalizados" para que as estações Faia Lima e Paulista (foto acima) sejam entregues ao público, informa a assessoria.

Segundo ela, os atrasos não têm nada a ver com o lançamento da candidatura de José Serra à presidência da República. As inaugurações não estariam sendo postergadas para coincidir com o fato político mais importante para o tucanato. A imprensa da companhia diz que, como os sistemas e trens são novos, os testes têm que ser feitos com cuidado.

O fato é que, dia 23 de março, a Folha de S. Paulo informava que as estações Paulista e Faria Lima seriam inauguradas "nos próximos dias". Já se passaram 14 e nada.

A estação Butantã, que está em obras (para quem passa por lá, aparentemente em fase final de acabamento), deve ser inaugurada "até o final do ano", informa a assessoria. A estação interessa a toda região Oeste da Grande SP.

De resto, a Linha 4 Amarela, no dia em que for finalizada, o que ninguém pode prever, será a seguinte: Luz – República – Higienópolis – Paulista – Oscar Freire – Fradique Coutinho – Faria Lima – Pinheiros – Butantã – Morumbi – Vila Sônia.

A promessa do governo Serra era entregar seis estações dessa linha em fins de 2008. O cronograma foi sendo postergado e, hoje, só se prevêem para breve as estações em vermelho acima. De 11, só duas.

O agora ex-governador Serra, porém, não fica nem vermelho ao dizer: "Não há atraso. Não houve promessas, houve metas".

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Andres Sanchez fala em negociações na hora errada

Eduardo Metrovcihe
Num post no Futepoca na sexta-feira, o Nicolau constata que "está definido o time titular do Corinthians: Felipe; Moacir, Chicão, William e Roberto Carlos; Ralph, Jucilei, Elias e Danilo; Dentinho e Ronaldo".

Acho que o time do Corinthians que pode conseguir o primeiro título de Libertadores da sua história, no ano de seu centenário, pode mesmo ser esse, com algumas variações, como Iarley eventualmente como terceiro atacante quando necessário ou mesmo no lugar de Ronaldo ou Dentinho em alguma eventualidade (suspensão, contusão), entre outras alterações. Assim como Tcheco, que, parece, vai superando as desconfianças e aos poucos conquistando um lugar, senão entre os titulares, pelo menos como boa opção.

Acontece que já circulam notícias dando conta de que pelo menos quatro jogadores do time titular escalado acima estão em vias de ser negociados: Elias, Jucilei, Ralf e Dentinho (foto acima), o que o próprio presidente do clube, Andres Sanchez, admitiu em entrevista à TV Bandeirantes. Sanchez diz que esses ou outros atletas do elenco não sairão antes de terminar a Libertadores (ou a participação do clube) na competição.

Mas, mesmo com a garantia do presidente de que os atletas ficarão para a disputa continental, há uma questão que não quer calar: como vai ficar a cabeça dos jogadores? Conseguirão manter o ritmo e a concentração suficientes para disputar um título tão difícil se o próprio mandatário cita seus nomes como candidatos ao sonho europeu? Haveria jogador corintiano que, mais do que assediado, já teria sido negociado, como Felipe Coutinho, do Vasco da Gama, jovem craque já "vendido" à Inter de Milão?

Como se sabe, a maioria dos atletas do futebol brasileiro vem de origem humilde e às vezes não tem estrutura para segurar uma pressão como essa tentação. Independentemente disso, acho que Andres Sanchez deveria ter ficado quieto, para o bem se seu próprio clube.

E assim caminha o futebol brasileiro, um mero exportador de matéria-prima, à mercê dos interesses das aves de rapina ($$$) que mandam no futebol mundial e pairam sobre nossos times. Quando vejo o Santos encantar com seu futebol mágico e alegre, sempre fica aquela coceira perturbando: até quando?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Os 10 Melhores Termos de Busca do Mês [1]

A partir deste post, a cada mês ou quinzena (dependendo do tempo, porque o negócio dá um trampo) vou publicar uma seleção de termos de busca pelos quais os leitores chegaram a este blog.

Copio a ideia do blog só casando, que acompanho, tenho na lista de blogs aí do lado direito e me faz dar boas risadas. Dizem que rir faz bem à saúde e até hoje não li, vi ou ouvi nenhuma teoria segundo a qual rir dá câncer.

Não sei se a ideia é da galera do só casando, já que a blogosfera contém incontáveis blogs (quantos? Talvez seja uma pauta pra minha amiga Mary-Jô, do blog Nomadismo Celular – caso ela tenha saco). O que sei é que a ideia é ótima e é divertido tanto ler como fazer. Claro que nem penso em ser tão engraçado como os socasandoenses, evidente!

Os termos de busca (em itálico) eu vou copiar/colar exatamente como foram grafados. Portanto não me acusem de ser analfabeto e nem mesmo analfabeto funcional. A situação da educação no país não é culpa minha!

Aí vai então a primeira seleção dos melhores termos de busca do mês (ou da quinzena, se eu arranjar um estagiário - he he), com um comentariozinho em algum lugar linkando o post supostamente encontrado pelo respectivo e estranho (ou não) termo de busca (por ordem alfabética, pra ninguém me acusar de hierarquizar informações). Nem sempre vai ter link. Às vezes é um exercício inútil ficar procurando.

Os 10 Melhores Termos de Busca do Mês



1) animal que pode ser extinto em 2010
– Alguns dizem que é o porco. Mas eu espero que seja o pitbull.

2) chala brum se chuta
– Não entendi

3) data carnaval há contradições sobre o que realmente os sem terra e o governo quer.
– Olha, na minha opinião as contradições existem, sim, mas acho que durante a folia de Momo ninguém está nem aí pra elas. Há quem diga que as contradições desaparecem no carnaval, mas não conheço nenhuma tese que comprove tal hipótese.

4) de frateis Rogério
– Sinceramente, também não entendi. Mas você pode ter chegado a este blog por causa do Neymar, do Robinho ou do Milton Leite.

5) jose serra competente?
Não

6) neymar se casando
– Se você for uma Maria-chuteira, a boa notícia é que Neymar parece que ainda é solteiro. A má notícia é que ele já é milionário. Quer dizer, você não tem chance.

7) o que o corinthians faz quando ganha a libertadores
Ningém sabe

8) porque mesmo com a falta de água estamos tendo enchentes
Pergunte à Sabesp. Nenhum jornalista é obrigado a saber tudo, cacete.

9) qual foi o horario do jogo entre santos e portuguesa
17 horas. Mas por quê???

10) quantas libertadores o corinthians ganhou
– Nenhuma

Atualizado às 02h48

Lula: "Quem quiser me derrotar vai ter que trabalhar mais do que eu"

"Antigamente eles copiavam [os jornais estrangeiros] porque falavam mal de nós. Agora que dá no New York Times que o Brasil vai pra frente, não querem nem dar a notícia."

No discurso que fez na posse dos novos ministros, na quarta-feira, 31 de março, o presidente Lula mais uma vez desabafou contra a postura da militante imprensa brasileira. Também mencionou o fato de que "os jornais aqui no Brasil ficaram incomodados" porque ele não quis ir visitar o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl, em sua recente visita de Isarel, que já abordei aqui.

terça-feira, 30 de março de 2010

Devassa continuará proibida

O Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) manteve nesta terça-feira, 30, a proibição da veiculação da propaganda da cerveja Devassa na TV. O comercial havia sido tirado do ar liminarmente no início de março. A propaganda foi autorizada a ser transmitida pelo rádio. No julgamento desta terça-feira, 30, 12 conselheiros mantiveram por unanimidade a decisão anterior.

A Devassa é fabricada pela Schincariol. Na propaganda da agência Mood, a socialite Paris Hilton é fotografada por um voyeur em cenas sensuais enquanto desfila com a lata de cerveja.

As polêmicas continuam as mesmas.

1) seria procedente a alegação que pipocou aqui e ali de que a proibição atenderia interesses da AmBev, “maior cervejaria da América Latina e 4ª maior do mundo”? (as aspas são do site da própria Ambev).

2) a argumentação da defesa da agência Mood, responsável pela propaganda, citou a "Boa", da Antarctica, com Juliana Paes, para argumentar que a proibição é incabível porque "não é a primeira vez que se vê uma menina com uma lata de cerveja na mão dançando em um comercial de cerveja".

3) A proibição da Devassa atende ao argumento de que o anúncio é “desrespeitoso para mulheres e abusa de sensualidade”. Na minha opinião, "desrespeitoso para mulheres" soa muito politicamente correto para o meu gosto. E "abusa" de sensualidade é subjetivo. O que é "abusar" da sensualidade quando sabemos que na TV tudo pode? Se qualquer pessoa for ao site do Conar, verá que entre seus preceitos básicos está o seguinte: todo anúncio "deve ser preparado com o devido senso de responsabilidade social, evitando acentuar diferenciações sociais".
Independentemente de sexo e sensualidade, este preceito torna-se uma piada se você assistir a uma miríade de anúncios televisivos quaisquer, que incentivam o consumo desenfreado, a velocidade dos carros potentes, a voracidade das crianças por produtos comestíveis nocivos à saúde etc.

Isso para não ir além e lembrar que a novela da noite da Globo e o pernicioso Big Brother são liberados para horários em que as salas estão cheias de crianças. OK, novelas e programas não têm nada a ver com o Conar, órgão não governamental e de autorregulamentação, criado pelo próprio mercado publicitário. A questão fica colocada apenas para reflexão.

Enfim, para quem não viu, o comercial proibido está abaixo. Cada um que faça seu juízo.

[atualizado à ooh10]


segunda-feira, 29 de março de 2010

Quartas-de-final da Liga dos Campeões começa nesta terça

Começam as quartas de final da Liga dos Campeões da Europa (veja abaixo a tabela dos jogos, que serão transmitidos terça e quarta-feira, dias 30 e 31, pela ESPN e ESPN Brasil).

Em tese, os duelos mais empolgantes serão Bayern de Munique x Manchester United (que a Gazeta também mostra ao vivo) e Arsenal x Barcelona. Favoritismo para ingleses no primeiro jogo e catalães, no segundo.

Manchester e Barcelona são os dois melhores times da Europa atualmente, na minha opinião, e têm dois dos maiores craques do mundo, Wayne Rooney e Lionel Messi. Sem eles, a Copa do Mundo ficaria muito mais pobre.

Os amantes das dicotomias já colocam a mais nova questão: quem é melhor? Messi ou Rooney? Não acho tal comparação pertinente. Ambos jogam em posições diferentes, são de culturas futebolísticas diferentes, e cada um representa da melhor maneira o estilo inglês (Rooney) e argentino (Messi) do chamado esporte bretão.

A performance do atacante inglês nesta temporada é espetacular. Graças a seu talento, oportunismo, força e precisão, os Diabos Vermelhos estraçalharam o Milan do decadente Ronaldinho Gaúcho nas oitavas da Liga, 3 a 2 no San Siro (16 de fevereiro) e só 4 a 0 em Manchester (10 de março). Rooney fez quatro gols, dois por partida.

Parênteses: não consigo entender por que o "lobby" por Ronaldinho Gaúcho em nossa imprensa é tão insistente. A última vez que esse rapaz desequilibrou um jogo importante pela seleção, ou por ela fez uma partida digna de um jogador diferenciado, foi contra a Inglaterra em 2002, na campanha do penta (Mundial em que Rivaldo e Ronaldo foram os jogadores decisivos). Na ocasião, contra os ingleses, Gaúcho marcou um golaço de falta sem querer, realizou uma grande jogada em que entortou o inglês para passar a Rivaldo, que fuzilou, e depois foi expulso por uma solada.

Messi, em um aspecto, lembra Ronaldinho Gaúcho: é que
o futebol do craque argentino do Barça ainda não encantou na seleção. Talvez porque a seleção
da Argentina nos últimos anos venha capengando, sem padrão tático, o que prejudica o futebol de qualquer um. Ou será porque Messi tem pouca identificação com as coisas de seu país, já que foi para o Barcelona ainda adolescente, quase criança, depois de ser rejeitado em sua terra? O argentino, porém, tem tempo: não fez nem 23 anos ainda, enquanto o brasileiro já completou 30 e continua com aquele ar blasé de quem parece não se importar com nada.

Mas também Messi conta com uma espécie de idolatria na mídia brasileira que às vezes cansa.

Se tivesse que escolher entre Messi e Rooney para jogar no meu time, eu escolheria o inglês. São dois craques, mas tenho uma certa antipatia pelo meia do Barcelona e pela idolatria a ele. E também porque no Santos já tem Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Liga dos Campeões da Europa
Quartas de final - Jogos de ida

30 de março de 2010 (terça-feira)
15h45 - Lyon 3 x 1 Bordeaux (ESPN) *
15h45 - Bayern de Munique 2 x 1 Manchester United (transmissão: Gazeta e ESPN-Brasil) *

31 de março de 2010 (quarta-feira)
15h45 Internazionale 1 x 0 CSKA Moscow **
15h45 Arsenal 2 x 2 Barcelona **

Atualizado às 12h05
*Atualizado às 21h27 (30/03/2010)
**Atualizado às 23h31 (31/03/2010)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Digressão literária sobre o caso Isabella

Faltam algumas horas para ser conhecido o resultado do julgamento do casal Nardoni, acusado de matar a menina Isabella em março de 2008.

Acho meio irritantes os comentários-clichês e politicamente corretos do tipo “Isabellas morrem todos os dias, principalmente as negras, pobres” etc. Claro que o Brasil está muito longe de ter justiça social, que nossas crianças pobres são vítimas das mais bárbaras formas de violência e que o judiciário do país está muito longe de ser justo, com o perdão do pleonasmo.

Mas a discussão de um crime como o que vitimou a menina Isabella é apaixonante. Não há como negar. E não é apenas produto do “espetáculo midiático”. O embate de argumentos entre promotoria e defesa, os mistérios, as supostas motivações dos assassinos ou suspeitos, a imaginação que perpassa tanto nossas (pelo menos minhas) reflexões como as discussões sobre o assassinato, tudo isso é muito sedutor ao espírito.

Se não fosse, Dostoiévski, por exemplo, não teria se debruçado sobre o crime em suas duas maiores obras-primas, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamázov. Há muitos outros exemplos de artistas e pensadores que focaram o tema. Michel Foucault, com o impressionante Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão, que é o estudo psiquiátrico e judicial, documentado, de um caso ocorrido na primeira metade do século XIX, na França.

Norman Mailer trata do tema crime mas não entra em implicações jurídicas, com seus bons Um Sonho Americano e Os Machões não Dançam, que retratam, como talvez dissesse Paulo Francis?, a podridão da burguesia americana.

Entre incontáveis filmes que enfocam este que é um tema duplo, assassinato/julgamento (ou justiça), sempre me ocorre o francês A Isca (L'appât – 1995), do diretor Bertrand Tavernier. (Observação: há um outro filme chamado A Isca, americano. Enlatado. Eu falo do francês). É a história de uma menina de 18 anos que, querendo juntrar dinheiro para viajar aos Estados Unidos, cria com o namorado um golpe em que ela serve de isca para seduzir executivos, que são levados a uma armadilha, assaltados e... Aparece o assassinato, o inquérito. Vale a pena assistir.

Mas enfim, viagens à parte, voltando ao caso Isabella, concordo com Ricardo Kotscho, que falou em seu blog: “não conheço ninguém, a não ser os advogados da defesa e a família dos acusados, que ainda tenha alguma dúvida sobre a responsabilidade de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte de Isabella”.

Eu penso que a decisão do júri só não será pela condenação se uma distorção der maioria à defesa. O júri é polêmico, como instituição, porque é influenciável pela emoção. Se os aspectos técnicos, perícia, produção de provas e os argumentos irrefutáveis da promotoria prevalecerem, não há como absolver Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Só se, como no conto Os Crimes da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, o assassino for um macaco.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Paulistão gera crises e dá alegria, ora pois

Gaspar Nóbrega VIPCOMMTimão 1 x 1 Tricolor no 2° turno do Brasileiro 2009.
Rivais voltam a se enfrentar neste domingo



Insisto: tradição e a rivalidade fazem do Paulistão uma competição ímpar, a meu ver (fora outros aspectos até mais importantes, como manter os clubes do interior do estado em atividade). O momento atual dos times grandes mostra que, apesar de desprezado por alguns, o campeonato gera crises e felicidade. E não seria assim, se não valesse nada.

Quando chega o fim do ano e um time não ganhou nada, o Paulista aparece no calendário dos decepcionados como grande esperança no horizonte do calendário seguinte. No ano passado, o São Paulo F. C. ficou com aquele discurso de "priorizar a Libertadores" e terminou 2009 seco, sem ganhar nada. Começou 2010 senão com o mesmo discurso, pelo menos com igual espírito. Embora ande meio capenga no Paulistão e jogando pro gasto na Libertadores, o Tricolor tem 30 pontos no estadual, está em 3° e deve ir às semifinais.

O Corinthians foi campeão em 2009 em grande estilo, este ano patina e está à beira da crise, embora sua colocação na Libertadores, no momento, seja tranqüila (mas nesta competição, a hora de a onça beber água só chega nos mata-matas). Depois de perder para o Paulista por 1 a 0 em Barueri na quarta-feira, 25, a lua de mel entre a torcida e Ronaldo ficou estremecida, com direito a cobrança, cerco ao carro do atleta na saída do estádio e gesto obsceno do Fenômeno em direção ao grupo que o cobrou. Em nota, o pentacampeão já se desculpou, mas...

Clássico
Domingo, o clássico São Paulo x Corinthians no Pacaembu, que poderia ser tranqüilo se ambos estivessem bem no Paulistão, vai ser tenso e um grande perigo para os dois times, principalmente o Timão. Se perder, vai se afastar mais ainda do G-4 (está dois pontos atrás da Portuguesa, a quarta colocada hoje) e entrar numa turbulência preocupante para a Fiel num momento em que até Mano Menezes já admitiu haver problemas internos, cobra hombridade etc.

No São Paulo, a luz ainda não está amarela; se ganhar domingo, o time viaja em paz para o México, onde pega o Monterrey pela Libertadores no meio de semana. E alegraria a torcida, que faz tempo anda desconfiada. Pudera, o futebol que o time de Ricardo Gomes vem apresentando não passa de sofrível. Mas, se perder para o arquirrival, o sinal amarelo acende.

E a Lusa, será que vai? A vitória contra o Mirassol por 1 a 0 animou os torcedores. É a terceira seguida, após bater também São Caetano e Monte Azul.

E o Palmeiras perdeu o rumo desde a reta final do Brasileirão 2009. Virtualmente eliminado do estadual, só lhe resta tentar um improvável título na Copa do Brasil e se preparar para o Brasileiro.

E o Santos...
Bem, o Santos continua encantando com seu futebol maravilhoso e inacreditável para os dias de hoje, e só espera saber quem vai enfrentar nas semifinais do estadual, além de pensar na Copa do Brasil.

A maior preocupação de fato, hoje, para a torcida alvinegra, é a ameaça de perder para as aves de rapina do futebol europeu as joias que estão dando essa alegria, como Neymar (ao lado, foto de Eduardo Metroviche). A sombra de empresários e emissários já ronda a Vila Belmiro. Acredito que, para muitos, como para mim, a manutenção dos principais jogadores para o Brasileiro seria até mais importante do que um título nesse começo de temporada.