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sábado, 21 de setembro de 2013

Notícias da semana: Chico Buarque (Genoino), Celso de Mello e papa Francisco


Vale a pena registrar três notícias desta semana, duas das quais (1 e 2) relacionadas. São notícias que mereciam postagens específicas, mas não tive tempo nos últimos dias.

1 - Chico Buarque de Hollanda aderiu ao abaixo-assinado em favor de José Genoino no contexto da semana em que o STF terminaria a apreciação dos embargos infringentes. Por isso, Chico foi objeto de ataques e xingamentos nas redes sociais.


Pensando em todo o circo armado no ano passado, com o julgamento coincidindo com as eleições municipais, interessante notar que o resultado de 6 a 5 pelos infringentes acabou fazendo lembrar a letra de uma velha canção (Jorge Maravilha) do próprio Chico, assinada pelo pseudônimo Julinho da Adelaide, que diz: “nada como um dia após o outro dia”.

Recomendo o texto do João Peres, da RBA, sobre o assunto: O dia em que Chico Buarque virou Geni

2 - Com seu voto de Minerva, o ministro Celso de Mello decidiu pela admissibilidade dos embargos infringentes na Ação Penal 470, o que possibilita a revisão de aspectos do julgamento do que a mídia chama de mensalão.

José Cruz/ABr


Apesar dos estridentes protestos da “opinião pública” sedenta de punição a qualquer preço, ecoando a mídia, Mello deu uma aula de Direito constitucional. Como disse o jurista Luiz Moreira em entrevista a Conceição Lemes, sobre o julgamento:

Qual é a pressuposição do ordenamento jurídico no Brasil? É que o Supremo Tribunal Federal é o tribunal que garante os direitos fundamentais.

“E garantir os direitos fundamentais – diz o regimento do Supremo — significa que, se em uma ação penal houver quatro votos pela absolvição, esses réus fazem jus a um novo julgamento. Isso ocorre para que se forme uma maioria consistente, de modo que o Tribunal se posicione inequivocamente pela condenação dos réus.

“(...) manda a tradição humanista do ocidente que se proceda à absolvição dos réus se houver dúvidas sobre a sua culpabilidade, se não estiverem cabalmente comprovadas as acusações.”

Mello votou com Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Os votos vencidos foram dos ministros Joaquim Barbosa (relator e verdugo), Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.

(A entrevista de Luiz Moreira na íntegra está aqui). 


3 - O papa Francisco manifestou esta semana um posicionamento que aponta para mudanças importantes na maneira como a igreja encarna certos tabus, como sobre a homossexualidade e o aborto. Depois do papado dos reacionários João Paulo II e Bento XVI, o Vaticano aponta para uma visão de mundo mais próxima do século XXI.

Não sou ingênio. Claro que a Igreja sabe que se não mudar e evoluir, ela vai acabar. Mas, seja como for, as declarações do papa são bem-vindas.

Disse ele, por exemplo (dirigindo-se a gays, mulheres que abortaram ou se separaram dos companheiros):

"A religião tem o direito de exprimir sua opinião própria a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: a ingerência espiritual na vida das pessoas não é possível."

domingo, 28 de julho de 2013

Pensata para domingo sem missa


Reprodução
Programação do noticiário da TV aberta essa semana: como o Papa acorda, como dorme, como come, o que come, onde come, por que come, o que fala, o que pensa, o que acha, papamóvel, autopapa, aeropapa, sermões do papa, a careca do papa, a batina do papa (ou sei lá como se chama a roupa do papa), papa visitando pessoas carentes, pregações do papa sobre comportamento, moralidade, esperança e história. Na boa, cansei de papa. (Por Felipe Cabañas da Silva, no Facebook)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Leonardo Boff acredita que papa Francisco representa ruptura


"Eu acho que esse é o papa da ruptura. Essa é a palavra que Bento 16 e João Paulo 2º mais temiam. Eles acreditavam que a igreja tinha que ter continuidade, portanto o Concílio Vaticano Segundo não poderia significar ruptura com o Primeiro. Mas não, agora há uma ruptura, a figura do papa não é mais a clássica, é outra. Francisco não começou com a reforma da cúria, começou com a reforma do papado."

Elza Fiuza/ABr
"Manifestações não foram contrao PT, a Dilma ou o Lula

A declaração é do teólogo Leonardo Boff em entrevista à revista alemã Deutsche Welle, sobre o papa Francisco., que chega ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude.

Questionado por que está tão otimista, já que os problemas da Igreja como exclusão dos divorciados, a discriminação dos homossexuais, a proibição de mulheres-sacerdotes continuam, Leonardo Boff afirmou que o papa deu indicações claras de que acena para mudanças: "Ele soube que um pároco em Roma negou o batismo ao filho de uma mulher solteira. E o papa disse: 'Esse padre está errado, porque não existe mãe solteira. Existe mãe e filho. E ela tem o direito de ver o filho batizado, porque a igreja tem que ter as portas abertas, pouco importa a condição moral da pessoa'. E ele foi mais fundo ao dizer que não se pode inventar um oitavo sacramento, proibindo os fiéis que não se enquadrem na disciplina eclesiástica de participar da vida da igreja e dos sacramentos. Até agora, os temas de moral sexual, de moral familiar, de celibato e de homossexualidade eram proibidos de serem discutidos. Se um teólogo ou um padre discutisse esse assunto, era logo censurado. Agora, ele vai permitir a discussão".

Leonardo Boff também falou sobre as manifestações de junho no Brasil: "elas não são contra o PT, a Dilma ou o Lula. Elas mostram uma insatisfação geral com o Brasil que temos, que é um país com profundas desigualdades. São 5.000 famílias brasileiras que controlam 43% de toda a riqueza nacional. Além disso, o próprio PT atingiu o seu teto. Ou ele muda e refaz a sua relação orgânica com os movimentos sociais, ou ele se transforma num partido como os demais, que buscam o poder e acabam se corrompendo".

A entrevista na íntegra neste link