quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O novo Santos Futebol Clube: realidade vs. utopia

Passadas as eleições e, finalmente, a posse do novo presidente e dos novos conselheiros do Santos Futebol Clube, vão aqui algumas palavras.

Estou entre os que não votaram mas apoiaram a chapa encabeçada por Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Porém, não me incluo na lista de quem acha que Luis Álvaro é o bem e Marcelo Teixeira o mal absoluto. Como presidente, MT tirou o Santos em 2002 de uma amarga e humilhante fila que chegava a 18 anos e ganhou ainda outro Nacional (2004) e um bicampeonato paulista (2006/2007). Não vou ficar discorrendo sobre a gestão passada; aliás, gestões passadas, que já somavam dez anos.

Tanto tempo é inadmissível, assim como a regra segundo a qual um sócio precisa de três anos após associar-se para poder votar. Essas e outras distorções serão corrigidas, espero, como prometeu o novo mandatário no Sportv, na semana passada. Creio que um mandato de três anos seria ideal. Dois é pouco e quatro, muito.

Acredito que os novos tempos podem ser bons para o clube e sua torcida. MT representa o velho estilo, Luis Álvaro promete o novo, fundo de investimento e modernidades financeiras assim. O novo presidente é neto de Álvaro de Oliveira Ribeiro, que foi mandatário do clube em seus primórdios. Ao dizer que, em sua gestão, não haverá caça às bruxas, Luis Álvaro demonstra ser uma pessoa sensata e racional. E parece se referir a Fábio Costa, o goleiro campeão brasileiro e bicampeão paulista.

Por mim, Fábio Costa fica. Mas exercendo a liderança e a identificação inegáveis que tem com o Santos de forma positiva. Para mim, um campeão como ele deve ter um lugar, desde que domine seu temperamento explosivo e pare de criar problemas dentro do elenco. Nessa triste época de jogadores de aluguel, que nem enxergam a camisa que vestem, os atletas que gostam do clube que defendem, cada dia mais raros, têm muito valor.

Dorival Júnior como treinador foi uma boa opção. É um cara tranquilo, parece que ético. A questão é saber se aguentará a pressão. Num grande clube, a pressão é uma ameaça permanente. Dominará a fogueira de vaidades que é o elenco de um time de futebol? A ver.

Perguntado na entrevista citada acima que time a torcida santista verá em campo em janeiro, o novo presidente disse que será aguerrido, e que o clube não quer mais jogadores de aluguel. Oxalá seja assim. Mas os boatos sobre o interesse em Keirrison me preocuparam. Para mim não existe exemplo mais acabado de um jogador de aluguel do que o desse sujeito (os palmeirenses que o digam).

O time precisa voltar a ter na Vila Balmiro o velho e temido alçapão, que nos últimos anos se transformou num velório. O clube precisa investir em marketing, pensando em seu futuro, e ter um time campeão. São muitos desafios. Luiz Gonzaga Belluzzo, que prometia ser o novo no Palmeiras, terminou o primeiro ano de seu mandato muito mal.

Agora, Luis Álvaro terá a realidade pela frente, que brigará uma luta encarniçada e cotidiana com a utopia.

6 comentários:

Olavo Soares disse...

Concordo 99% com seu post. O único ponto de discordância está em Fábio Costa. Acho que ele não acrescenta muita coisa para o Santos; nem como "líder" e nem como goleiro mesmo, já que suas atuações não estavam sendo nenhuma maravilha.

Anônimo disse...

Parabéns Edu, muito bom este seu post.
Agora é só aguardar.
Estou ansioso com o novo time e espero que seja 90% do que o presidente disse.
Abraços!

Felipe disse...

Eu dou muita importância ao goleiro. Pra mim com um goleiro torcedor como Rogério Ceni o resto do time pode ser de aluguel e pipoqueiro. O Rogério é chato e arrogante, mas eu queria um desse no meu time. E pra mim o Fabio Costa no Santos é o goleiro que mais me lembra o apego do Ceni. Espero que o Felipe no Corinthians ainda se torne esse goleiro insubstituível e que a diretoria não faça a besteira de vendê-lo. Abraço!

Edu Maretti disse...

Alguns santistas ficaram bronqueados com F. Costa, por ter ele jogado no Corinthians. E tb por outros motivos, alguns dos quais no post... Mas o grande Gilmar dos Santos Neves nos anos 60 também jogou nos dois alvinegros...

Tem o Marcos do Palmeiras também, né. Curioso isso, só goleiros.

Agora, uma coisa te digo: o Ceni no meu time, jamais!
abs

Luciano disse...

tava na hora hein!!!
o buraco chamado SEGUNDONA tava perto.... muda tudo santos....

Gabriel Megracko disse...

Espero apenas que o Santos se profissionalize ainda mais, já que esse é o funil a que o futebol está submetido. Marketing é importantíssimo (como provou o Corinthians, que deu o tiro certo ao trazer o inacreditável gordo!). Porém, preservar um elenco disposto é mais fundamental que contratar grandes nomes. E por aí vão todas as considerções acerca do futuro do S.F.C. Aguardemos, é melhor.
Torço para o Santos de camisa branca e futebol irreverente e que tem cheiro de gol e de mar, o resto é lá com eles.