sábado, 5 de dezembro de 2009

Caetano faz mea culpa sobre Lula, mas não convence

DIAS DEPOIS...

Em evento na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, onde foi participar de eventos sobre o Tropicalismo, Caetano Veloso tentou explicar a declaração dada ao jornal O Estado de S. Paulo, quando disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é analfabeto.

Não foi convincente. Normalmente eloquente, Caetano leu um texto (foto acima), não se sabe se escrito por ele ou por sua assessoria. “Faz pouco causei, meio involuntariamente (sic), um pequeno escândalo no Brasil por ter aparecido num jornal dizendo que o presidente é analfabeto. Era realmente algo feio de se ver na primeira página do jornal”, reconheceu.

De acordo com o discurso dele, o fato é feio por dois motivos: “primeiro, não é verdade factual, Lula não é analfabeto. Segundo, porque esse tom me parecia semelhante ao tom grosseiro que tanto me desagrada na nova direita, que faz sucesso nos media”, leu Caetano.

Caetano explicou ainda que não quis corrigir “a edição sensacionalista de minhas palavras” porque, segundo ele, “estava mais “interessado em quebrar o tabu de certas rodas, amplamente majoritárias, de estar proibido de dizer-se mal de Lula”.

O autor de “Sampa” continuou, dizendo que Lula surge a seus olhos como “uma figura de grandeza histórica e épica". Afirmou que Lula está fazendo um governo “importante, bom”. Mas disse também que há coisas más, “como inchaço do Estado”. Se essa não é uma opinião perfeita do que ele chama de “nova direita”, então acho que não estou entendendo.

Finalmente, como uma reação de seu próprio ego diante do mea culpa, quando já falava sem ler, Caetano acabou voltando (pergunta: involuntariamente?) ao ponto que causou o “escândalo”. Ele comentou a posição dos linguistas segundo os quais o modo de falar de Lula é importante social e historicamente pela proximidade com o falar do povo. Disse discordar deles. “Eu não imagino com muita facilidade, em outro lugar, um presidente que nem sequer concorde os artigos com os substantivos que usa se elegendo e tendo 80% de aprovação. Não imagino nem na Argentina, nem na França, nem nos Estados Unidos, nem em Portugal”.

Talvez, se fizesse um esforço, Caetano conseguisse imaginar esse fato no Brasil.

PS: como eu disse na primeira publicação sobre esse episódio, é algo que mais entristece do que agride.

Atualizado às 14h50

Um comentário:

Felipe Cabañas disse...

primeiro fez o mea culpa, e depois chamou o cara de analfabeto de novo, só que polidamente: "nem sequer concorda os artigos com os substantivos"... o caetano não me engana há muito tempo... ele merece uma tese de doutorado psicológica... como a mesma mente pode escrever Haiti e depois se tornar tão reacionária na mesma vida???