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sábado, 30 de agosto de 2014

Chame-se Marina do que for, menos de "nova política" ou "terceira via"






O que explica que Marina Silva, uma candidata sem partido (hospedada temporariamente no PSB para não ficar de fora das eleições presidenciais deste ano), com um discurso que alterna diletantismo e conservadorismo, em crise com sua base política, alçada à condição de candidata pelo acaso e ainda com propostas confusas para diversas áreas, possa aparecer como uma opção viável de "terceira via" ou "nova política"?

Creio que, em parte, porque o massacre midiático anti-PT atingiu níveis críticos e, neste ano, parte expressiva do eleitorado está mais preocupada com quem vai sair do que com quem vai entrar, o que costuma ser uma opção eleitoral suicida.

Por outro lado, o PSDB passa por uma séria crise (a não ser, evidentemente, em seu feudo particular, o estado de São Paulo), e não se apresenta mais, mesmo com o candidato que muitos chegaram a ver como o mais promissor desde FHC, como opção de transformação. Esta mesma crise passará a rondar o PT se o partido perder o governo federal e não perceber que é já hoje um partido que carece de reformulação e da ascensão de novas lideranças, como Fernando Haddad.

De todo modo, podemos dizer que, se há uma "imprensa de oposição" (e há, embora alguns veículos assumam oficialmente, como o próprio Estadão, e outros não), o tiro da campanha negativa anti-PT sairá pela culatra: o preço será a promoção de uma incógnita, ao contrário do que seria a eleição de Aécio Neves.

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Nos últimos dias temos ouvido falar da candidatura de Marina Silva como "terceira via". Creio que este é um conceito maltratado, muito mal utilizado e, com toda a certeza, boa parte do suposto eleitorado da ex-petista não tem a menor ideia do que seja.

Em termos de pensamento político no pós-guerra fria, terceira via significa sobretudo o meio termo entre o capitalismo liberal e socialismo de Estado, este último supostamente morto com a queda do muro. No caso, configurou-se na década de 1990 sobretudo como uma proposta socialdemocrata – e, por isso, com muitas raízes fincadas na esquerda, no pensamento progressista –, tendo Anthony Giddens como referência importante.

Ora, companheiros, não é preciso ser nenhum gênio para compreender que o governo do PT configura-se como uma via entre o capitalismo liberal desenfreado e o socialismo dirigista de Estado – tanto é que apanha tanto da extrema-esquerda, que gostaria de ver um governo mais radical, quanto da direita liberal por ser "muito estatista".

O que quero dizer é: um candidato que se assume como "Terceira Via" deve, antes, dizer a qual conceito de terceira via se refere. Se Marina Silva se refere ao conceito socialdemocrata de terceira via, ela está obviamente perdida politicamente, não conseguindo enxergar que o governo atual é, já, uma terceira via.

Se quer definir uma outra terceira via, deveria deixar claro em que ela consiste; se se refere unicamente a uma terceira via enquanto "mais uma opção além de PT-PSDB", está usando o conceito de forma equivocada. Enfim, chame-se a candidata do que for, menos de "nova política", e dificilmente de "terceira via".