As vésperas das eleições têm sido invariavelmente tensas, desde que a população brasileira retomou o direito de votar, pós-ditadura. Não só nas eleições presidenciais. Exemplo inesquecível: a eleição de Leonel Brizola em 1982, no Rio, quando houve uma tentativa espúria de golpe, o chamado “caso Proconsult”, que o combativo ex-companheiro de João Goulart conseguiu abortar.
Brizola foi também personagem de outro momento histórico (item 3, abaixo), quando a TV Globo foi obrigada a lhe dar um direito de resposta de mais de três minutos em 1994. A participação decisiva da mídia no episódio do seqüestro de Abílio Diniz, em 1989, que ajudou a eleger Fernando Collor, é outro emblema do golpismo e do desprezo pela democracia. Relembrem, abaixo.
1) Caso ProconsultEm 18 de novembro de 1982, com a demora na divulgação dos resultados da eleição para o governo do Rio de Janeiro, o então candidato Leonel Brizola, do PDT, apontado como virtualmente eleito na boca de urna, foi à imprensa internacional para denunciar uma tentativa de fraudar a apuração a favor do candidato do PDS e da ditadura, Moreira Franco. Foi o chamado escândalo da Proconsult (nome da empresa encarregada de apurar os votos). Trabalhando a favor da conspiração, a TV Globo foi forçada a recuar. Brizola venceu o combate, foi eleito e governou o estado. Leia mais clicando
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2) Lula x Collor
Em 1989, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Fernando Collor, o empresário Abílio Diniz foi estranhamente sequestrado por ativistas políticos (argentino, chileno e canadense) que, supostamente, pretendiam com o resgate arrecadar fundos para a guerrilha em El Salvador. Collor ganhou, com apoio da Rede Globo, que ainda editou o último debate entre os candidatos de maneira suja. Se eram de fato militantes de esquerda (nunca se sabe), eram muito burros aqueles seqüestradores.
3) Brizola x Globo, de novo
Atacado pela TV Globo, que o chamou de senil, novamente Leonel Brizola, governador do RJ, venceu uma batalha e conseguiu um direito de resposta de mais de três minutos. O texto de Brizola foi lido por Cid Moreira no próprio Jornal Nacional. Era o dia 15 de março de 1994, ano de eleições para presidente da República e governadores de estado. O histórico direito de resposta está abaixo:
4 comentários:
Fala, Edu. Então, no post anterior, quando toquei no assunto, não queria fazer uma cobrança, mas uma provocação para o debate. Gostei do post.
Bom, é fato que não existe no mundo jornalismo absolutamente independente, como se auto-proclamam alguns diários por aí. Se é independente do aparelho de Estado, o que é ótimo, é dependente de um mercado consumidor, que alimenta grandes conglomerados de empresas que exploram a informação. Essas empresas, evidentemente, têm suas posições e interesses políticos, e é desnecessário dizer para que lado pendem.
Mas o que chama atenção no Brasil é justamente uma espécie de jornalismo tabajara, cuja liderança tabajara é a revista Veja e suas capas ridículas, como a da última semana.
E também como o Brasil é o país do dito pelo não dito, irrita em certas publicações a tendência a campanhas subliminares. Lendo a Folha todos os dias (porque sou masoquista), fica claro de que lado o jornal está, mas em nenhum momento isso é declarado abertamente. Ao afirmar em inúmeros editoriais que a Dilma é "candidata inventada", "tirada do bolso do colete", "neófita eleitoral" etc, só um leitor mais ingênuo para não perceber a posição eleitoral do jornal. Mas sempre auto-declarada imparcial e pluralista.
É difícil saber em qual publicação atear fogo primeiro.
Alguns dos momentos mais escandalosos dessa relação tensa e nem sempre honesta que você citou eu desconhecia, mas só sei que no momento, acompanhando o noticiário de perto o ano todo, foi nítida a mudança de comportamento a partir do momento em que se percebe o óbvio: Dilma não perde mais. A partir daí, diante da constatação de que somente um fato escandaloso envolvendo diretamente a Dilma poderia dar alguma esperança ao "seu Zé", se começa a buscar irregularidades e cobrar "celeridade nas investigações". A Folha com o "escândalo do dossiê", e a Veja com o "lobby". Uma profusão de articulistas começam a avaliar o "grau de octanagem" dos escândalos e as possibilidades de interferência nas urnas. Mas o Serra continua em queda livre. Sem posição clara, sem projeto, com dinheiro escasso, poucas alianças e algumas traições na base demo-tucana. Não vai ser com uma revistinha de quinta categoria que vai chegar ao poder.
O seu post ficou ótimo. A Veja na eleição passada bateu muito mais no Lula, se dedicou a isso com capas e capas, mas percebeu que isso não deu certo e não dá certo, porque não há ligação com o povo, a ligação que o presidente e o PT têm.
Ontem, altas horas, vi a entrevista na Band do Zé Eduardo Cardoso e o diretor da Vox e acho que o Roberto Damata. A certa altura o Mitre, irq, perguntou sobre a liberdade de imprensa. O Zé Eduardo respondeu que esta é intocável, mas que é preciso haver uma regulação pelos abusos que tem acontecido e todos os entrevistas se uniram nesta reclamação. Sobre a regulação o Mitre concordou, de fachada, é claro. Na minha opinião, a comunicação é o principal desafio, senão o primeiro, que a Dilma deve enfrentar no seu governo, porque a imprensa "imparcial" irá atazaná-la desde o primeiro minuto, até o último.
Graaande Brizola! A maior referência não petista na formação política do velho Sapo Barbudo. Histórico esse vídeo que mostra o direito de resposta contra a Globo. Esse post do blog sobre os golpes históricos ficou ótimo. Aliás, ouvi uns rumores sobre uma possível tentativa de novo golpe midiático, que viria à tona na última quinta-feira antes do primeiro turno. Não sei especificar o que seria. Tomara seja só boataria... Abrs.
Brizola faz falta.
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