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| Mais do que ninguém, o treinador do Galo mereceu a façanha |
Porém, não posso ser cínico e dizer que torci pro Galo. Por dois motivos: 1) acredito que se o Galo caísse hoje Cuca, talvez, considerasse encerrado o ciclo no clube mineiro, e, quem sabe, olhasse para os lados do litoral paulista, onde o Santos está precisando de um treinador exatamente como ele (o próprio treinador disse recentemente que deseja um dia voltar à Vila Belmiro, onde também hoje o Santos vergonhosamente empatou pela Copa do Brasil, por 1 a 1, com um time chamado Crac - sic - de Goiás, parece que lanterna da Série C do Brasileiro!); 2) quando o Atlético eliminou o Tijuana do México graças a uma defesa de pênalti do goleiro Victor nos estertores da partida, vi jogadores do time brasileiro falarem tanto no “Senhor que nos abençoou” que me deu bode.
Jogador brasileiro não ganha jogo, quem ganha é o “Senhor
que abençoa”. Fala sério. Se Deus existe, com certeza não está preocupado com
futebol, até porque, pelo menos no Brasil, todo mundo reza e ficaria difícil para
Ele decidir. Qual seria o critério de Deus? “Se macumba decidisse jogo, o
campeonato baiano terminaria empatado”.
“De modos que” (como diria o folclórico presidente corintiano Vicente Mateus) não aguento mais jogador de futebol evangélico. Pelo menos Cuca é católico. É até engraçado, já que Minas (quem conhece sabe) é talvez o estado mais católico do Brasil, se bem que hoje em dia não se pode saber, já que o pentecostalismo já invadiu até a Bahia de Todos os Santos.
Voltando ao futebol, o Newell's Old Boys, que é um belo
time, não soube aproveitar o enorme talento de Maxi Rodríguez no meio campo e ficou apostando na
considerável vantagem de 2 a 0 que trouxe da Argentina. Defendeu demais para
um time que sabe tocar a bola e poderia ter sido mais ousado.
O Galo quase morreu pela boca graças ao nervosismo do time,
que se irradiou pelas arquibancadas e impediu que produzisse o mesmo futebol de
alto nível que o levou até a semifinal e, agora, à final da Libertadores. Na verdade, há um terceiro motivo para eu não ter torcido para o time de Minas hoje: é que eu nunca torço para time brasileiro na Libertadores, a não ser para o meu time (os corintianos, no ano passado, mesmo os que me conhecem, não entenderam isso).
Enfim, a final, Atlético-MG x Olímpia, não tem favorito. É o futebol
mais envolvente e bonito da equipe de Belo Horizonte contra o jogo mais
pragmático, e traiçoeiro, dos paraguaios. O Galo nunca ganhou uma Libertadores.
O Olímpia tem algo que pode pesar muito, a tradição, pois é tricampeão da
Libertadores (1979, 1990 e 2002). Os maiores inimigos do Galo, porém, são a ansiedade e os nervos, do time e da torcida.
