Como todo mundo sabe, ou deveria saber, estamos numa época em que as coisas são descartáveis e nada que é “velho” faz sentido, porque o bom é consumir, consumir e consumir. Não apenas consumir, aliás, e sim consumir loucamente produtos novos, modernos e bonitinhos por fora, mas quase sempre indecentes no conteúdo.
Por isso me ocorre esse pensamento nostálgico, meio bobo, em coisas que não podem acabar.
Uma coisa que nunca pode acabar é o Chocolate do Padre. Que hoje é da poderosa Nestlé, mas foi fabricado a partir de 1921 por uma fábrica chamada Chocolate Gardano S.A. (foto), que foi comprada pela atual proprietária em 1957.
Realmente, não dá para viver sem o chocolate do padre. Tomar chocolate quente com leite com os horrorosos “achocolatados” que têm mais açúcar do que chocolate afronta um paladar minimamente exigente como o meu. E também ofende quem acha que comer alimentos saudáveis é o mínimo que se pode querer num mundo onde a gente se alimenta de lixo e ainda acha gostoso.
E as cozinheiras que gostam de fazer doce? Como vão fazer bolos e outras guloseimas de chocolate sem o chocolate do padre? Impensável. Até existem produtos similares, mas nada se iguala ao tradicional e eterno chocolate do padre.
Agora, o interessante é que a imagem dos padres degustando algo muito saboroso é de um quadro do pintor italiano Alessandro Sani (1856-1927). E o mais engraçado é que, na obra pintada pelo artista, o que eles experimentam e se vê ao lado deles, numa travessa, é um frango ensopado. Nada a ver com chocolate! Se você observar ao comprar uma caixa no supermercado, verá que a atual dona da marca inverteu a imagem. Na ilustração da Nestlé, o padre da esquerda está na direita e vice-versa.
Realmente, não dá para viver sem o chocolate do padre. Tomar chocolate quente com leite com os horrorosos “achocolatados” que têm mais açúcar do que chocolate afronta um paladar minimamente exigente como o meu. E também ofende quem acha que comer alimentos saudáveis é o mínimo que se pode querer num mundo onde a gente se alimenta de lixo e ainda acha gostoso.
E as cozinheiras que gostam de fazer doce? Como vão fazer bolos e outras guloseimas de chocolate sem o chocolate do padre? Impensável. Até existem produtos similares, mas nada se iguala ao tradicional e eterno chocolate do padre.
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| Obra do pintor Alessandro Sani |
Serve para frieiras, como desodorante, alguns tipos de micoses simples, para assadura de bebês e sei lá mais o quê. Como imaginar o mundo sem ele?
Às vezes acontece de você entrar no supermercado e não consegue encontrar numa gôndola um requeijão ou uma manteiga que não seja light. Se eu fosse presidente do mundo por um dia, eu proibia produtos light.
O Catupiry, entre as coisas que não podem acabar, é controverso. Tem gente que adora e tem gente que odeia. Eu gosto dele pra passar no pão, como alternativa à insubstituível manteiga quando você quer dar uma variada.
Mas concordo que a obsessão por Catupiry pode ser prejudicial à tradição. Hoje em dia, tudo tem que ter Catupiry. É um negócio que irrita. A velha e boa coxinha, você chega numa padaria metida a chique, pede uma coxinha, e o cara responde perguntando: "com Catupiry ou sem Catupiry?". Ou seja, o tradicional requeijão é melhor do que qualquer outro, na minha opinião, não pode acabar, mas sem exageros. Como dizia minha avó, "tudo o que é demais enjoa".
Maizena é outro produto que me provoca profunda simpatia e eu acho que não deveria acabar. O gozado é que, embora goste de cozinhar, eu na verdade nunca usei e não sei o que fazer com Maizena, que nada mais é do que amido.
Numa rápida pesquisa, descubro que com ela se pode fazer torta, bolinhos, pizza, bolos, molhos e uma infinidade de coisas gostosas. Leio na Wikipedia que para significar amido de milho “usa-se também a palavra maisena, derivada do taíno (língua indígena das Antilhas), maís, pelo espanhol maíz, significando ‘milho graúdo’”. “Amido de milho é o nome que se dá à farinha feita do milho, e usada na culinária como substituto da farinha de trigo ou para o preparo de cremes, como espessante.”
Palavra que vou passar a tentar usar a velha e boa Maisena em algumas receitas.
E como não citar o insubstituível Lysoform, que agora há
pouco coloquei na máquina de lavar para bater umas calças jeans? Hoje em dia
você vai num supermercado e tem tantos produtos de limpeza e tantas cores e
utilidades específicas que eu realmente não consigo comprar. Fico perdido.
Lysoform eu compro, mas geralmente na farmácia. Serve para limpar e desinfetar roupas, e não precisa usar os tais amaciantes com aquele cheiro enjoado de sabonete Gessy.
O Lysoform serve também para lavar banheiro, se não quiser usar cândida (que é como a gente chamava antigamente a água sanitária).
Aliás, por falar em farmácia, lembro do Neutrox, “referência em tratamento capilar há 38 anos e que oferece tecnologia e uma excelente relação custo-benefício”, como li num site.
Aquele “creme rinse”, como a gente falava, era sensacional. Ou ainda é? Não sei, outro dia procurei na farmácia e achei a “linha reformulada”, com um monte de produtos, uma gama de soluções para todo tipo de problemas e cabelos e situações.
Fiquei triste, pois o velho e bom Neutrox tradicional, com aquela embalagem cilíndrica amarelinha, e o produto igualmente amarelinho que você punha no cabelo depois de lavar, esse não achei. Terá sido lamentável se tiverem acabado com o Neutrox básico, que me lembra a infância na praia. Era um remédio perfeito contra o mal que a água do mar e o sol faziam para o cabelo.
E a pomada Minancora, quem nunca usou contra espinhas? A pomada fiel à família brasileira desde 1915, composta de óxido de zinco (0,200g/g), cloreto de benzalcônio (0,005g/g) e cânfora (0,050g/g). A não ser a cânfora, não tenho a menor ideia do que sejam os outros compostos. Mas para espinha na cara adolescente, servia, e como. Usava-se para perebas em geral, para assadura de bebê e um monte de coisa, até para herpes. Leio no site do produto que “é indicada para o tratamento de doenças de pele, como espinhas, frieiras (desidroses) e escaras”.
Lysoform eu compro, mas geralmente na farmácia. Serve para limpar e desinfetar roupas, e não precisa usar os tais amaciantes com aquele cheiro enjoado de sabonete Gessy.
O Lysoform serve também para lavar banheiro, se não quiser usar cândida (que é como a gente chamava antigamente a água sanitária).
Aliás, por falar em farmácia, lembro do Neutrox, “referência em tratamento capilar há 38 anos e que oferece tecnologia e uma excelente relação custo-benefício”, como li num site.
Aquele “creme rinse”, como a gente falava, era sensacional. Ou ainda é? Não sei, outro dia procurei na farmácia e achei a “linha reformulada”, com um monte de produtos, uma gama de soluções para todo tipo de problemas e cabelos e situações.
Fiquei triste, pois o velho e bom Neutrox tradicional, com aquela embalagem cilíndrica amarelinha, e o produto igualmente amarelinho que você punha no cabelo depois de lavar, esse não achei. Terá sido lamentável se tiverem acabado com o Neutrox básico, que me lembra a infância na praia. Era um remédio perfeito contra o mal que a água do mar e o sol faziam para o cabelo.
E a pomada Minancora, quem nunca usou contra espinhas? A pomada fiel à família brasileira desde 1915, composta de óxido de zinco (0,200g/g), cloreto de benzalcônio (0,005g/g) e cânfora (0,050g/g). A não ser a cânfora, não tenho a menor ideia do que sejam os outros compostos. Mas para espinha na cara adolescente, servia, e como. Usava-se para perebas em geral, para assadura de bebê e um monte de coisa, até para herpes. Leio no site do produto que “é indicada para o tratamento de doenças de pele, como espinhas, frieiras (desidroses) e escaras”.
Não sei se ainda existe. Vou procurar a Minancora numa farmácia, faz muitos e muitos anos que não compro.
Já a Água de Rosas, essa eu nunca usei. Mas diz que é muito útil e antiga. É muito utilizada para limpeza de pele e “é produzida pelo povo árabe desde o século IX. Alguns pesquisadores acreditam que foram os indianos os criadores do produto, já outros pensam que surgiu ao mesmo tempo na Índia, Bulgária e mundo árabe.”
Vou procurar na farmácia também.
*Publicado originalmente à 01:26 de 6 de junho de 2013








