quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Aracaju, a capital que acorda ao cair da noite



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Praia do Atalaia


Texto e fotos por Roseli Costa

Aracaju, que significa “cajueiro dos papagaios”, é a junção de duas outras palavras: arara e caju, símbolos da capital de Sergipe, o menor estado brasileiro. A cidade acorda às 5 da tarde, quando começa a ser abraçada pela noite (é, lá anoitece cedo!). Antes disso, tem-se impressão de que teremos pouco a conhecer, a não ser a belíssima Orla de Atalaia, de 30 km de extensão, que entorna a cidade, com areal longo, diferente de todas as praias, mar verde e calmo, restaurantes, praças e lagos. Mas não é o que ocorre.

A partir desse horário, descortina-se a paradoxal beleza delicada e agreste do local. Passeios pela orla não bastam, pois há que se conhecer as feiras de artesanato riquíssimas, o oceanário, o Centro de Arte Sergipana e os vários passeios que se apresentam como opção, adornados por montanhas, rios, lagoas, dunas, manguezais, caatinga e pantanal.


Orla do do Atalaia

Um bom exemplo de passeio fora da orla é a Croa de Goré, pequena ilha que submerge diariamente com a alta da maré e nos mantém repentinamente com os pés dentro de água cristalina. No caminho desta, há a Ilha dos Namorados, com seus contornos de areia fina rodeada por água límpida. Também se deve conhecer a Praia do Saco, tida como a mais bela de Sergipe. Ressaltem-se as cidades históricas de Laranjeiras e São Cristóvão, com conjunto arquitetônico dos séculos XVI, XVII e XVIII, composto de ladeiras de pedra, casarões e igrejas inesquecíveis. Encontra-se também, como opção de lazer mais longínqua, o Canyon de Xingó, nascido do represamento do Rio São Francisco para a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó, em 1994, na divisa de Sergipe e Alagoas, que com suas águas verdes e montanhas parcialmente submersas compõe maravilhoso e único espetáculo.


Croa do Goré

Quando se retorna dos passeios múltiplos que lá se pode fazer, não agradam menos as voltas pela orla bem projetada para o lazer e a convivência, tanto de dia quanto à noite, entre ciclistas, caminhantes, crianças, idosos, todos contemplados com bancos coloridos de alvenaria, comidas típicas da melhor qualidade, ciclovias, parques, profusão de lagos, pedalinhos, quadras de esportes, pistas de skate, monumentos que exaltam a raiz nordestina, trenzinhos, artesãos, cantadores de viola e de flauta, doceiros e restaurantes de todos os tipos. Por isso mesmo é aconselhável não fazer todos os passeios oferecidos e deixar de conhecer cada cantinho da cidade. É preferível visitar Aracaju mais de uma vez ou ficar mais que uma semana para dar conta de tanta beleza.

Depois de dois dias na cidade, acostuma-se a todo dia comer tapioca, tomar sorvete desse mesmo típico ingrediente; também o de castanha e o de caju, todos muito apreciados. Também se habitua na capital de Sergipe à brisa refrescante num frequente calor de 25 a 35 graus.


Ilha dos Namorados

Saindo da orla e adentrando Aracaju, temos bairros de casas simples com grandes quintais, algumas ruas de terra, que pouco lembram uma capital. E mais adiante, o centro histórico, com algumas construções antigas, shoppings, centro financeiro, o imenso Rio Sergipe, bem como o grande e marcante mercado sertanejo, alegria dos habitantes locais e dos turistas, já que nele pode-se encontrar de tudo, com forte marca sertaneja.

Aracaju não é o destino principal dos turistas sedentos por pacotes badalados e de grande projeção. Mas a característica da cidade que dorme até 17 horas repete-se nas descobertas de recantos que só os catamarãs, barcos, lanchas e jipes revelam, para compor uma visão mais acertada do que é a cidade das araras, dos cajus e do saboroso sorvete de tapioca.


Centro de Aracaju



3 comentários:

Roseli Costa disse...

Obrigada pelas oportunidades de me expressar em seu blog, Eduardo Maretti. É muito prazeroso e o único meio (tirando o Facebook, que é mais lúdico) pelo qual posso exercer minha paixão de escrever, principalmente sobre temas de que gosto, como turismo e educação.

Alexandre disse...

Parabéns pelas fotos e pelo texto, Rose, muito bem reportados. Sempre quando penso em caju ou chupo um caju, logo me vem a lembrança da visita que fiz a Bahia, onde lá pude tirar uma caju do cajueiro e sentir o gosto dessa fruta deliciosa. Agora dá pra entender melhor a música de Caetano Veloso em "Aracaju".
abraços

Roseli Costa disse...

Verdade, Alê. O turismo tem o poder de encantar, descansar e ensinar História, Geografia e até Arte, não?!