Antes do comício, às vezes, do alto, na gaiola dos jornalistas em que está, você vê uma pessoa do povo que suplica, quase, para que você a ponha lá em cima, ela quer chegar perto do presidente. Duas mulheres bastante humildes estendem uma faixa com os dizeres: “Meu sonho é tirar uma foto com Lula”. Uma delas me pede para chamar uma repórter que está com uma filmadora. Ela quer que a menina filme a faixa, que a levemos para perto do presidente para realizar seu sonho. Dizemos a ela que é impossível. Impossível. Outras pessoas querem o mesmo, entrar ali. Mal sabem que estamos numa gaiola e que não vamos também chegar perto de Lula.
Quando Lula fala, é uma hipnose coletiva. Fala do Corinthians. Gritos, aplausos e algumas poucas vaias. Diz que o Corinthians perdeu a Libertadores porque menosprezou o primeiro jogo, achando que resolveria no segundo e dançou. Isso para dizer que a campanha não está ganha para Dilma Rousseff, e nem a de Mercadante perdida. No caso de São Paulo, está apenas no início, frisou enfaticamente. "Estamos começando hoje, aqui em Osasco".

Diz que eleição se disputa com o coração, e não só com a cabeça, que os prefeitos e a militância têm que ir pras ruas, para a porta dos trens, para a porta dos ônibus. Lula conclamando a militância é impressionante. “Eleger este companheiro aqui [dirigindo-se a Mercadante] é um desafio que está colocado.” (Lula apavora seus adversários porque até eles sabem que nada podem contra ele.)
E sobre os pedágios em São Paulo: “quem quiser ir agora na festa do peão de boaideiro em Barretos, vai pagar sessenta e cinco reais. Isso não é pedágio, isso é roubo”. Um jornalista não sei de que veículo passa por mim e diz, como para si mesmo, mas alto: “esse é o cara!”
O presidente fala da arrogância do tucanato que governa o estado de São Paulo desde 1982, ainda sob as vestes do PMDB: “um ministro meu, pra marcar audiência com o governador que agora é adversário da Dilma, às vezes passava seis meses e não conseguia uma audiência, porque eles não queriam conversar. A falta de humildade deles... não reconhecem sequer o dinheiro que nós repassamos pro estado de SP”.
Lula diz que o presidente ridicularizado porque não sabia falar inglês e espanhol, e “portanto não ia ser respeitado lá fora, vai passar para a história como o presidente da República mais respeitado no exterior que esse país já teve”. O que é verdade. Quando foi chamado de analfabeto por Caetano, demonstrou claramente ter ficado chateado. Mas Lula sabe de sua grandeza e por isso não precisa de falsa modéstia.
“Eu lembro da eleição de 89, quando a elite que concorria contra nós dizia: ‘a dona Marisa vai ter muito trabalho pra lavar todos os vidros do Palácio da Alvorada’. Desprezando as pessoas pobres porque eles achavam que nós nascemos apenas para servi-los e não para ser servidos por eles”.
Quando assumiu, prometeu que criaria 10 milhões de empregos. Criou 14 milhões. Aumentou o salário mínimo em 74%. 700 mil jovens de baixa renda puderam entrar na faculdade pelo ProUni. (Em sua fala, Dilma lembra que o DEM, partido do vice de Serra, Indio da Costa, tem uma ação para tentar acabar com o ProUni no STF.) Nos 8 anos de Lula, 30 milhões de pessoas ascenderam à classe média. Os números são indefensáveis, por isso a campanha do PSDB está perdida, sem rumo e sem proposta.
Dilma se saiu bem, considerando que é uma neófita em palanques perto de cobras-criadas como Marta Suplicy e Mercadante. Discursou com segurança. “Nós mudamos o país porque não olhamos só números e cifrões, olhamos as pessoas. Atrás dos prédios existem pessoas”, disse a provável futura presidente do Brasil diante de Lula, esse líder que emociona seu povo e a todos os que acreditaram que o Brasil podia mudar.
3 comentários:
Uma coisa curiosa que está acontecendo eleitoralmente. Com a divulgação do Datafolha de hoje, vemos que Dilma ultrapassou Serra em todas as regiões. No Sudeste, uma das regiões mais tucanas, é uma lavada, 42% a 33%. A Folha não publicou a estimativa por estado. No entanto, o maior colégio eleitoral do sudeste é São Paulo, e, desta forma, muito provável que a Dilma esteja ganhando por aqui também, mesmo que por uma margem pequena. Por que esses votos não estão sendo transferidos para o Mercadante? Se o PT conseguir a transferência, pode conseguir um segundo turno em São Paulo. Mas é provável que haja um voto "dilmalckmin" expressivo por aqui. E aí o PT vai beber do próprio veneno. São Paulo continuará fazendo falta ao poder do PT, e o que se desenha é que Alckmin vai se entrincheirar por aqui, tentar reunir os cacos da oposição para enfrentar Dilma/Lula em 2014.
Eduardo copiei a maior parte do seu post no meu blog.
Pois é, o primeiro turno está desenhado, isto porque as outras pesquisas ainda não saíram, mas a vantagem deverá ser maior.
Tb acho que o desafio é o Mercadante, mas com Russomano, Skaf e Mercadante atirando em Alckmin alguma coisa deve acontecer.
Só uma correção ao meu comentário. O Serra ainda está vencendo no Sul. Dentro da margem de erro, entretanto: 40% a 38%; ou seja, empate técnico.
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