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Praia do Atalaia |
Texto e fotos por Roseli Costa
Aracaju, que significa “cajueiro dos papagaios”, é a junção
de duas outras palavras: arara e caju, símbolos da capital de Sergipe, o menor
estado brasileiro. A cidade acorda às 5 da tarde, quando começa a ser abraçada
pela noite (é, lá anoitece cedo!). Antes disso, tem-se impressão de que teremos
pouco a conhecer, a não ser a belíssima Orla de Atalaia, de 30 km de extensão,
que entorna a cidade, com areal longo, diferente de todas as praias, mar verde
e calmo, restaurantes, praças e lagos. Mas não é o que ocorre.
A partir desse horário, descortina-se a paradoxal beleza
delicada e agreste do local. Passeios pela orla não bastam, pois há que se
conhecer as feiras de artesanato riquíssimas, o oceanário, o Centro de Arte
Sergipana e os vários passeios que se apresentam como opção, adornados por
montanhas, rios, lagoas, dunas, manguezais, caatinga e pantanal.
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Orla do do Atalaia |
Um bom exemplo de passeio fora da orla é a Croa de Goré,
pequena ilha que submerge diariamente com a alta da maré e nos mantém
repentinamente com os pés dentro de água cristalina. No caminho desta, há a
Ilha dos Namorados, com seus contornos de areia fina rodeada por água límpida.
Também se deve conhecer a Praia do Saco, tida como a mais bela de Sergipe.
Ressaltem-se as cidades históricas de Laranjeiras e São Cristóvão, com conjunto
arquitetônico dos séculos XVI, XVII e XVIII, composto de ladeiras de pedra,
casarões e igrejas inesquecíveis. Encontra-se também, como opção de lazer mais
longínqua, o Canyon de Xingó, nascido do represamento do Rio São Francisco para
a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó, em 1994, na divisa de Sergipe e
Alagoas, que com suas águas verdes e montanhas parcialmente submersas compõe
maravilhoso e único espetáculo.
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Croa do Goré |
Quando se retorna dos passeios múltiplos que lá se pode
fazer, não agradam menos as voltas pela orla bem projetada para o lazer e a
convivência, tanto de dia quanto à noite, entre ciclistas, caminhantes,
crianças, idosos, todos contemplados com bancos coloridos de alvenaria, comidas
típicas da melhor qualidade, ciclovias, parques, profusão de lagos, pedalinhos,
quadras de esportes, pistas de skate, monumentos que exaltam a raiz nordestina,
trenzinhos, artesãos, cantadores de viola e de flauta, doceiros e restaurantes
de todos os tipos. Por isso mesmo é aconselhável não fazer todos os passeios
oferecidos e deixar de conhecer cada cantinho da cidade. É preferível visitar
Aracaju mais de uma vez ou ficar mais que uma semana para dar conta de tanta
beleza.
Depois de dois dias na cidade, acostuma-se a todo dia comer
tapioca, tomar sorvete desse mesmo típico ingrediente; também o de castanha e o
de caju, todos muito apreciados. Também se habitua na capital de Sergipe à
brisa refrescante num frequente calor de 25 a 35 graus.
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Ilha dos Namorados |
Saindo da orla e adentrando Aracaju, temos bairros de casas
simples com grandes quintais, algumas ruas de terra, que pouco lembram uma
capital. E mais adiante, o centro histórico, com algumas construções antigas,
shoppings, centro financeiro, o imenso Rio Sergipe, bem como o grande e
marcante mercado sertanejo, alegria dos habitantes locais e dos turistas, já
que nele pode-se encontrar de tudo, com forte marca sertaneja.
Aracaju não é o destino principal dos turistas sedentos por
pacotes badalados e de grande projeção. Mas a característica da cidade que dorme
até 17 horas repete-se nas descobertas de recantos que só os catamarãs, barcos,
lanchas e jipes revelam, para compor uma visão mais acertada do que é a cidade
das araras, dos cajus e do saboroso sorvete de tapioca.
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Centro de Aracaju |
3 comentários:
Obrigada pelas oportunidades de me expressar em seu blog, Eduardo Maretti. É muito prazeroso e o único meio (tirando o Facebook, que é mais lúdico) pelo qual posso exercer minha paixão de escrever, principalmente sobre temas de que gosto, como turismo e educação.
Parabéns pelas fotos e pelo texto, Rose, muito bem reportados. Sempre quando penso em caju ou chupo um caju, logo me vem a lembrança da visita que fiz a Bahia, onde lá pude tirar uma caju do cajueiro e sentir o gosto dessa fruta deliciosa. Agora dá pra entender melhor a música de Caetano Veloso em "Aracaju".
abraços
Verdade, Alê. O turismo tem o poder de encantar, descansar e ensinar História, Geografia e até Arte, não?!
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