quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ayrton Senna – mito, perfeição técnica e paixão


Para Marco Ferreira e Luciano Oliveira


Instituto Ayrton Senna
20 anos

No dia 1° de maio de 1994 bilhões de pessoas assistiram via satélite ao acidente que matou o piloto Ayrton Senna na pista de Imola, na Itália. Num primeiro momento, para quem viu a morte ao vivo, o mais impressionante foi o paradoxo da cena: depois do impacto e de os restos do carro "navegarem" a esmo às margens da pista por alguns segundos, a visão do bólido estático transmitia uma estranha e indefinível sensação de silêncio e imobilidade. A primeira expectativa era a de que, como é comum em acidentes com esses quase perfeitos conjuntos técnicos dos quais, por assim dizer, o homem é parte integrante, o piloto saísse andando do acidente, embora a violência do impacto no muro, no momento mesmo, tenha também causado a impressão de que não era mais um desses casos tornados milagrosos pela indestrutível fibra de carbono que envolve o piloto no carro. Mas o que se via era a cena do bólido estático, interminavelmente estático: uma espécie de "desrealização" (termo que Laymert Garcia dos Santos usa em outros contextos) da velocidade. O paradoxo.

 Anunciada a morte, o país do samba, do carnaval e do futebol (país cuja alegria os estrangeiros não cansam de enaltecer como uma de suas mais importantes virtudes) mergulhou na talvez maior depressão de sua história recente, superando, segundo algumas avaliações, a comoção causada pelo suicídio de Vargas. Por quê?

 Há quem considere, os puramente racionais, que a mídia fabricou o espetáculo da morte, ou melhor, usou-a para erguer o mito em nome da audiência; há os que veem no caso uma fatalidade mística e em Ayrton Senna um espírito de líder, pois julgam impossível uma pessoa comum arregimentar em torno de si tamanha energia; e há os que simplesmente se comoveram, os carentes de emoções, mas não viram no caso nada mais do que um fato incomum a movimentar seu cotidiano amorfo.

É de se supor que as duas primeiras "espécies" de pessoas tenham parte de razão.

A Fórmula 1 é uma dos mais importantes emblemas do desenvolvimento técnico desde que se criou o motor a explosão entre o fim do século passado e início deste. Muitas das tecnologias desenvolvidas para o aumento do desempenho dos bólidos nas pistas são posteriormente assimiladas, com as transformações e adaptações necessárias, aos conjuntos técnicos fabricados em série pelas grandes indústrias. A Fórmula 1 é um laboratório.

Os pilotos, nesse sentido, não são meras cobaias: sabe-se, por exemplo, que não basta a um bom piloto saber conduzir o veículo, somar pontos com sua habilidade, conquistar títulos como nos esportes tradicionais. Os mais requisitados são aqueles capazes de apreender, decodificar e trabalhar a informação (usando aqui o conceito de Simondon) no sentido do pleno desenvolvimento, da otimização do carro, uma otimização extrema.

Não poucas vezes divulgaram-se opiniões segundo as quais Ayrton Senna era o mais "perfeito" piloto já visto. É possível que fosse. Muitos eram os que assistiam às provas unicamente pela sua presença nas pistas e que depois de sua morte perderam o interesse por elas. Mesmo os leigos, semileigos ou simples amantes de esportes em geral percebiam que havia algo incomum em Ayrton Senna. Ao contrário de outros, ou apenas talentosos ou apenas bons "desenvolvedores" de carros, o piloto brasileiro possuía ambas as qualidades: o talento, a mais espantosa habilidade e perícia, talento com o qual proporcionou momentos espetaculares nas pistas, realizando manobras impossíveis ou tirando do seu carro um desempenho acima do normal em situações mesmo de avaria técnica (era, apenas para citar um exemplo, conhecido como imbatível correndo sob chuva); e também era raro conhecedor da "linguagem" da máquina, de suas necessidades intrínsecas.

Se a ideia de Gilbert Simondon é a supressão da dicotomia homem versus máquina, então pode-se dizer que a "função integradora da vida"  por ele almejada foi quase de modo absoluto encarnada pelo conjunto homem-máquina da Fórmula 1 e essa integração foi atingida pelo piloto brasileiro mais do que qualquer outro: é inquestionável que seu talento incomum se aliava à capacidade sobre-humana de interpretação das informações. O talento de um Nigel Mansel, por exemplo, jamais pressupôs o conhecimento técnico (o piloto inglês era um conhecido mal intérprete da linguagem do carro, que, com a telemetria, deixou de dizer respeito apenas à mecânica). O brasileiro Nelson Piquet, que também possuía o talento aliado ao conhecimento técnico (foi um dos maiores "acertadores de carros" da história da Fórmula 1) não tinha, porém, uma terceira qualidade, a mais rara e impressionante.

Não foram apenas o talento e o conhecimento técnico os responsáveis pelo aparecimento do mito Ayrton Senna. Havia também nele um carisma que alguns consideram místico, uma obsessão apaixonada por algo interior e além da realidade em que vivia. O amor à velocidade era para ele como que mágico, como se de alguma forma, superando o tempo, submetendo-o, vencendo-o e a si mesmo constantemente, procurasse um objetivo transcendente, a superação mesma de sua condição humana e a do conjunto que formava com o carro. Seu orgulho não era facilmente confundido com a vaidade. Ele próprio, aliás, encarregou-se de fomentar esse misticismo, evocando o nome de Jesus Cristo em situações conhecidas. Se fosse outra pessoa, poderíamos imputar a isso uma pura estratégia de marketing.

No caso de Senna, suas características e o conjunto de situações que ele protagonizou ajudam também a aumentar a aura de misticismo que cercam sua pessoa e sua morte: o frequente olhar distante para lugar nenhum, o sorriso invariavelmente triste, a espontaneidade com que, carregando a bandeira brasileira em algumas grandes conquistas, elevou por efêmeros momentos o orgulho de um povo ferido e humilhado, a crise de choro de 15 minutos que abateu-o na véspera da morte ao saber que o piloto austríaco Roland Ratzenberger acabara de sofrer nos treinos um acidente fatal, e seu estranho e longo olhar fixo para o carro, registrado pelas câmeras minutos antes de iniciar-se a corrida em Imola. Há ainda estranhas coincidências: como, por exemplo, o fato de ele ter morrido na mesma curva em que no mesmo dia 1° de maio de 1987, portanto exatamente 7 anos antes, o também brasileiro Nelson Piquet, seu declarado desafeto, escapou milagrosamente da morte depois de chocar-se a 300 km por hora contra o muro da mesma curva Tamburelo. E mais: como se essa coincidência não bastasse, como se o Destino houvesse querido não deixar dúvidas sobre seus desígnios, Senna conheceu a morte na 7° volta da corrida. Os cabalistas não considerariam, por tratar-se do número 7, estas coincidências desprezíveis.

Há também a ironia de suas posições nos tempos que precederam o acidente. Mais de uma vez reclamou da automação sem limites a ameaçar o talento. Chegou a dizer que todos os pilotos, com a informatização, seriam nivelados e a paixão de dirigir em breve seria destruída pela tecnologia. A competitividade seria reduzida à rapidez da contínua disputa pela superação tecnológica. Ele se referia à equipe Williams (à época, era piloto da McLaren), cuja tecnologia desenvolvera em alto grau recursos como a suspensão ativa (o que fazia com que o piloto não sentisse as trepidações e o carro grudasse no solo), câmbio automático (é conhecida a opinião de qualquer motorista comum sobre o prazer proporcionado pela mudança de marchas, "o maior prazer de dirigir", segundo muitos), gasolina potencializadora do motor já por si só o mais potente do "circo", entre outros.

Pelo conhecimento e pelo talento, Senna sabia que essa evolução tendia à automação absoluta, embora, provavelmente, o absoluto, como uma espécie de utopia técnica, jamais fosse atingido (sendo apenas o horizonte da tendência), mas o grau chegaria a um patamar muito elevado, ou seja, tendendo ao que Simondon chama de "autômato" (Du Mode d'Existence des Objets Techniques, páginas 139 e 140). Nesse caso, sua intuição previa um deslocamento do equilíbrio homem-máquina, o desnivelamento em favor da máquina, enfim a quebra da integração. Simondon diz que o autômato, "máquina perfeita", é uma noção obtida pela passagem ao limite: sua margem de indeterminação será nula, pois "poderá receber, interpretar ou emitir a informação". E mais: "Ora, se a margem de indeterminação do funcionamento é nula, não há mais variação possível; o funcionamento se repete indefinidamente, e por consequência a interação não tem mais significação". Essa era a tendência dos carros de Fórmula 1 em 1993.

Mas as tendências, quando Ayrton Senna já havia definido sua ida para a mesma Williams cuja tecnologia criticara em nome do talento, mudaram abrupta e radicalmente no início de 1994. Em nome do interesse pela competição, que se esvaziava rapidamente graças ao desnivelamento entre as equipes, o grau de desenvolvimento tecnológico foi não apenas interrompido como houve um retrocesso, com a proibição de certos tipos de gasolina, da suspensão ativa e outras “conquistas”. Ao iniciar a temporada, as equipes procuravam adaptar-se às novas regras. A Willliams, a que mais sentiu as proibições exatamente porque já se havia ajustado às inovações, entrou como que num vácuo técnico. Senna pegou o carro nesse momento em que a Williams se viu envolvida de repente numa situação imprevista, com a inversão do status técnico para a elevadíssima margem de indeterminação subsequente. O austríaco Roland Ratzenberger, não por acaso, foi vítima da mesma situação.

Por fim, o ritual fúnebre ajudou a consolidar o mito. Não se pode negar a participação da mídia nessa consolidação. Mas, melhor do que a racionalidade que nega a necessidade humana do mito, traduz melhor a situação a frase do piloto Emerson Fittipaldi naquela semana: "O brasileiro não sabia que gostava tanto do Ayrton". A sincera comoção, o luto da Nação expressado pelas mais diversas pessoas (social e culturalmente) corroboram essas palavras. A tristeza do País revelou algo como a gratidão catártica pela grandeza catalisada por Senna, gratidão de um povo vilipendiado, e revelou também que esse povo, mesmo humilhado, mesmo carente de "vitórias" no seu miserável cotidiano, ainda tem orgulho de si mesmo. A energia gerada pela comunhão nesse luto, dizem os místicos, não é desprezível. Foi dito por um deles que a morte de Senna provocou um entendimento inconsciente da evolução e das mudanças.

Ou terá sido tudo fruto do acaso? A inesperada união de tantas criaturas diferentes em torno da morte é apenas um dado para análise sociológica? Sabe-se que a união das pessoas em torno da mesma energia produz efeitos poderosos. A partir desse ponto, não é possível especular. Se há desígnios em relação a Ayrton Senna que nos escapam, eles continuarão sendo segredo dos deuses. Se não os há, da mesma forma jamais ficaremos sabendo.

Nota
Este ensaio foi escrito em 1995, para um curso de pós-graduação que eu fazia na época, poucos meses depois da morte de Ayrton Senna. Ele contém uma visão talvez pessimista demais dos destinos do país que, hoje, 20 anos depois, não são mais exatamente aquelas.

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Adeus, Pacaembu


Foto: Edu Maretti



O Corinthians se despede do Pacaembu. Com uma vitória sobre o coirmão carioca Flamengo (por 2 a 0), o “bando de loucos” disse adeus ao estádio que se acostumou a chamar de casa. Tenho um grande carinho pelo Pacaembu, não somente como corintiano, mas sobretudo como amante do futebol. Creio que o Pacaembu é, ao lado do Maracanã e do Mineirão, um dos grandes templos do futebol brasileiro. Poderíamos situar junto desses templos o Morumbi, o Beira-Rio e o velho Olímpico Monumental, mas esses estádios estão por demais carregados pela imagem e história de seus donos. Não são públicos, como os três primeiros, historicamente apropriados por diversos times e diferentes comunidades de torcedores.

Particularmente, não sou um corintiano que valoriza especialmente a “construção da casa própria”. Não penso que todo time tem de ser detentor de um estádio para ser grande, ideia que, para mim, é bastante são-paulina, uma vez que o Morumbi foi por muito tempo considerado o maior estádio particular do mundo, motivo de orgulho e soberba para os torcedores do SPFC. Tenho uma certa visão de que a ideia de que o Corinthians deveria ser dono de um estádio foi de certa forma inoculada em nossa mente por nossos rivais. Creio que seria possível resistir. Conquistamos a América e o mundo sem “casa própria”.

Historicamente, uma nova fase se inicia para o Corinthians. Seus desdobramentos ainda são imprevisíveis, uma vez que o orçamento inicial (já enorme) do novo estádio explodiu durante a construção e, ao contrário do que muitos pensam, o clube terá, sim, de arcar com a maior parte dos recursos captados para erguer a arena. Neste novo contexto, poderemos sentir mais saudades do Pacaembu do que imaginamos.

Não só corintianos conhecem a energia desse charmoso estádio, inaugurado há exatos 74 anos, também num dia 27 de abril, em partida em que o Palmeiras goleou o Coritiba. Infelizmente, na noite em que eu mais desejei entrar no bom e velho Paca, a noite enluarada do dia 4 de julho de 2012, não consegui. Cheguei a clicar sobre o ingresso no site do Fiel Torcedor, mas depois o site caiu e, quando voltou, todos os ingressos estavam esgotados.

De todo modo, embora tenha assistido a uma boa quinzena de jogos do Corinthians no estádio, a memória mais emblemática que conservo dele é televisiva: o estádio inteiro agitando bandeirinhas brancas para receber o time para o segundo tempo da final da Libertadores, os 45 minutos em que o Corinthians despedaçou o poderoso Boca Juniors e conquistou a América pela primeira vez. Por isso, assisti com enorme tristeza a noite mórbida em que o time enfrentou o Millonários com portões fechados (punição justa pela tragédia de Oruro, causada por nossa torcida). Creio que esses dois episódios ilustram a intensidade da história corintiana no estádio que, na simplicidade de sua arquitetura e de suas instalações, recebeu com galhardia algumas das páginas mais significativas da história do Sport Club Corinthians Paulista. A nação corintiana deve dizer obrigado. 

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A banana, o futebol e o Brasil






Só brasileiro mesmo, pra ter uma atitude de tamanha presença de espírito como a de Dani Alves. Com a disseminação dos atos racistas cada vez mais frequentes e (diga-se) impunes na Europa, o gesto do lateral direito do Barcelona e da seleção brasileira de pegar e comer a banana jogada no campo no jogo contra o Villarreal (vitória do time catalão por 3 a 2) entra para a antologia do futebol.

Por essas e outras é que acho inadmissível que os mal humorados (ou mal intencionados) torçam "contra" o Brasil, seja para a Copa do Mundo dar errado, seja para perdermos o Mundial.

Dani Alves mostrou com ironia e bom humor a alma brasileira para o mundo todo ver que nós adoramos banana, adoramos futebol, adoramos carnaval, somos hospitaleiros e nossa resposta à intolerância e à imbecilidade é essa: comer banana, que é amarela como a camisa da seleção e tem potássio, que evita cãimbras.

Cada vez mais me convenço de que o futebol é uma metáfora da vida.

A Veja, esse magnânimo veículo do jornalismo marrom, já deu matéria tentando desqualificar o gesto. Ótimo. A Veja detesta a cidadania. O que é bom para a Veja não é bom para o Brasil... E vice-versa. Logo, se a Veja quer destruir, é porque é bom.

PS: e mais uma coisa: se o gesto é aproveitado pelo marketing, tanto melhor: é marketing do bem.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pensamento para sexta-feira [50]
Bruta flor


Magnífico. Chico e Caetano interpretam O quereres. Ainda jovens e lindos! Com direito a erro do Chico.





Vídeo resgatado! por Gabriel Megracko no YouTube

Gabriel García Márquez (1927-2014) – está chovendo em Macondo



Foto da edição da novela
A incrível história de Cândida Erêndira
e sua avó desalmada
(Record - 1972)
Por volta das 17h desta quinta-feira da Semana Santa, como constatariam nossos avós, divulgou-se a notícia da morte de Gabriel García Márquez. Nas redes sociais, muita gente se manifestou. Todo mundo queria dizer uma frase para expressar algo, um sentimento ou uma impressão. Li a palavra “triste”, “tristeza” e similares várias vezes.

Não me parece que “triste” seja a palavra adequada para falar da morte dele. García Márquez tinha 87 anos (conta que poucos de nós atingiremos) e escreveu obras fundamentais para a literatura da América Latina e do mundo o qual acaba de deixar. É um espírito que cumpriu plenamente sua missão.

Entre tudo o que li na teia fragmentada das redes sociais, o mais significativo e bonito foi isto, do companheiro João Paulo Soares: “chove em Macondo”.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Coincidências em torno do estranho caso de Mikkel Jensen, o dinamarquês


Muita gente postou em blogs e redes sociais opiniões sobre a estranha história do tal jornalista dinamarquês Mikkel Keldorf, cujo singelo sonho era assistir à Copa do Mundo no Brasil e de repente, em Fortaleza, num acesso de humanismo, se deu conta da injustiça social na capital cearense, e foi embora para a Dinamarca, deixando de “herança” um post no Facebook, uma matéria no Tribuna do Ceará e uma entrevista ao Uol. 

Facebook/Reprodução


O dinamarquês provocou polêmica, mas ninguém sabe ao certo quem é, a que ou a quem trabalha, que interesses tem. Mesmo assim, desde ontem (15), as redes sociais foram tomadas por uma febre. As pessoas espalharam o texto do tal jornalista e/ou sua história sem checar quem é o cara, que intenções tinha ou tem, às vezes baseadas na ingênua justificativa de estarem respaldadas em perfis “confiáveis”, mal se dando conta de que estes também embarcaram na onda, ou por ingenuidade ou simplesmente para conseguir uns pontinhos de audiência a seus perfis ou blogs, ou por outros motivos.

Comecei a achar estranho logo de cara, ao notar que o texto sobre o tal jornalista dinamarquês que, ao lado do post do próprio, detonou toda a celeuma foi publicado no tal Tribuna do Ceará, com a observação: “A pedido de Mikkel, este artigo foi publicado com o jornalista já na Dinamarca”, dando o tom sensacionalista para atrair leitores incautos, incluindo os de “perfis confiáveis”.

Curiosamente, e não por acaso, o Tribuna do Ceará é um veículo ligado ao ex-senador tucano Tasso Jereissati. Apesar da dificuldade de se encontrar a informação, a Wikipedia diz: “No dia 11 de Março de 2012 a emissora [TV Jangadeiro, de propriedade de Jereissati] lança um novo layout para seu site integrando também ao novo portal de notícia do Sistema Jangadeiro de Comunicação, chamado de Tribuna do Ceará”.

Em 2010 já circulavam notícias no estado segundo as quais Tasso Jereissati iria “resgatar o jornal Tribuna do Ceará, começando pela internet”.

Pois foi justamente esse o veículo que deu a notícia que no dia seguinte (hoje) ganhou credibilidade com a publicação de entrevista no Uol. Observação: o Tribuna do Ceará é hospedado no Uol, além de a TV Jangadeiro , do mesmo grupo, ser afiliada da Rede Bandeirantes.

O tom e o conteúdo das publicações detonadas a partir desse estranho dinamarquês têm o óbvio efeito de denegrir e causar descrédito à Copa do Mundo no Brasil e, particularmente, também, ao governo do Ceará, cujo governador é Cid Gomes, irmão do ex-ministro Ciro Gomes e desafeto de Jereissati.

Costumo dizer que não existem coincidências. Nesse caso, as coincidências parecem falar por si.

Abaixo, segue resultado interessante de pesquisa do jornalista Igor Natusch, publicado em seu perfil no Facebook.



Tanto falaram de Mikkel Jensen, o jornalista dinamarquês que desistiu de cobrir a Copa chocado com os dramas do Brasil, que resolvi pesquisar um pouco o cara. Não fui com uma tese pronta: apenas queria ver qual era. Achei infos que julgo interessantes, que postei no meu perfil do twitter e vou tentar (apesar do sono) compilar aqui. Se eu estiver errado em qualquer coisa, por favor me corrijam, já que não há nenhum AMOR PRÓPRIO meu envolvido. Nâo considero isso senão um levantamento divertido de fazer. Lá vai:

- Antes de mais nada: Mikkel Jensen não é o nome profissional dele. Será bem mais fácil achar referências sob o nome Mikkel Keldorf, que ele usa com bem mais frequência;

- Seu perfil no Facebook (https://www.facebook.com/mtkjensen) parece que não existia antes de fevereiro de 2013. Suas primeiras postagens, já críticas à Copa, são de 19 de novembro.

Antes, só likes. (que o perfil seja novo não é absurdo: muitos criam perfis em redes sociais para uso em viagens ou contato com pessoas em países distantes. Tenho amig@s nessa situação e pode perfeitamente ser o caso aqui. talvez não postasse porque não tinha o que dizer – usava apenas para falar no chat, sei lá);

jornalista-dinamarques-1

- O curioso é que a pessoa creditada como sua namorada, Melanie Festersen Spile (https://www.facebook.com/melanie.spile), também não tinha perfil no Facebook antes de fev/2013. Ela viajou junto com ele? Criou perfil exclusivamente para conversar com o namorado que viajava? É possível;

- O único lugar onde é possível achar contribuições frequentes de Mikkel Keldorf é no Pladepressen (http://pladepressen.dk), que parece ser um site focado na cena musical da região. Mikkel escreveu uns artigos e tirou fotos para o veículo, que durou um ano ou um pouco mais. As últimas atualizações na página do Pladepressen no Facebook (https://www.facebook.com/Pladepressen) são de… Fevereiro de 2013. Ou seja, razoável deduzir que Mikkel Keldorf era um dos sócios do Pladepressen e desistiu da empreitada quando resolveu vir ao Brasil, no começo do ano passado (se quiserem ler uma edição do Pladepressen:http://pladepressen.dk/wp-content/uploads/2012/10/PladePressens-e-mag-oktober.pdf);

- Então Mikkel Keldorf – que tem material esparso publicado em alguns lugares desde 2012, incluindo viagem à China e inclusive uma reportagem sobre Ronaldinho (http://www.tipsbladet.dk/content/druk-og-damer-ronaldinhos-fede-fodboldferie), mas nada antes disso – vem ao Brasil. Edita, até onde consegui puxar, um único material jornalístico entre setembro de 2013 e abril de 2014: uma reportagem em vídeo para a TV2 dinamarquesa (http://nyhederne.tv2.dk/2014-03-31-reportage-sikkerheden-i-rio-vakler-forud-vm) sobre ações policiais na Favela da Maré, no Rio;

- Aí como sabemos, ele se revolta com coisas que descobre em Fortaleza e, ao invés de fazer um material jornalístico bombástico sobre o que achou, decide largar a cobertura da Copa de mão (seu sonho) e volta para casa. Sabe onde sua decisão é noticiada primeiro? Na Dinamarca, mais precisamente no dia 9 de abril: http://ekstrabladet.dk/sport/fodbold/landsholdsfodbold/vm2014/article2258090.ece

Até aí, ninguém noticiou nada a respeito dele no Brasil;

- Curiosamente, um vídeo de quase 40mins é publicado no canal de Mikkel Keldorf no Youtube no dia 12: https://www.youtube.com/watch?v=SjxWXjeOFc8 Esse vídeo é curiosíssimo e para mim, intrigante. Nele, o jornalista não faz matéria alguma: é entrevistado por figuras ocultas, que em nenhum momento se identificam – o vídeo, embora editado de forma competente, não tem créditos senão o do próprio Mikkel, aqui também Keldorf e não Jensen. Quem o entrevista? Por que esse material (uma boa história em potencial) só aparece na página do próprio Keldorf e não da(s) pessoa(s) responsável(is) pelo vídeo? Por enquanto, não se sabe;

- Finalmente, dois dias depois de postar o vídeo no YouTube, Mikkel faz um desabafo em sua conta no Facebook, que serviu de base para todas as matérias feitas até aqui. Ninguém parece saber que a história foi divulgada semana passada na Dinamarca, nem que um vídeo enorme foi publicado pelo próprio Mikkel no fim de semana. Ou seja, ninguém falou com Mikkel Keldorf Jansen ou foi além do post no facebook para escrever suas matérias.

Meu palpite (e é tudo palpite mesmo, nada além): Mikkel Keldorf é um jornalista eventual – um cara que viaja para lugares distantes como turista e oferece material a jornais dinamarqueses para ajudar a pagar as contas. Posso ter pesquisado mal, mas não achei nenhuma produção jornalística consistente de sua parte, a não ser no Pladepressen, uma pequena revista regional sobre música que parece ter sido projeto dele próprio. Ou seja, dizer que é jornalista é algo que refere-se a parte de suas atividades, talvez sua formação, mas não é exatamente a coisa que ele mais faz na vida. Confiram o perfil profissional dele:http://www.mikkelkeldorf.dk/category/resume/ Veio para o Brasil tentar cobrir a Copa e ganhar dinheiro, o que não conseguiu (vendeu uma só matéria, ao que parece). Acho razoável deduzir que volta à Dinamarca especialmente por isso, ainda que o choque com as mazelas do Brasil possa, é claro, ter influenciado sua decisão.

Antes de ir, alguém descobre sua história e faz o vídeo – pessoas das sombras, que não se identificaram e não fizeram menção de usar o material que fizeram ou jogá-lo na imprensa. Ninguém sabe nada dele além do Facebook – a própria versão que apresentam sobre sua carreira e sua preparação para cobrir a Copa é a que ele próprio oferece, sem nenhuma investigação por cima. E o vídeo – potencialmente bombástico, ainda que (frisemos) sem créditos – passa despercebido. Deduzo que alguém gravou o depoimento para uso futuro, mas não contava que o próprio Keldorf o publicasse – e talvez mais ainda, que os posts de Keldorf no Facebook chamassem atenção. O noticiário dinamarquês descobre o caso primeiro, de qualquer modo. Não é um cara com faro jornalístico – se fosse, tentaria vender sua história e iria atrás da pauta que descobriu, ao invés de voltar correndo para seu país natal.

Não: ele volta depois de vender uma só matéria televisiva, e após gravar um depoimento para pessoas misteriosas. Que acharam sua história ótima para um vídeo de 40mins, mas que perdem a exclusividade dela para um post no facebook – por acidente ou por plano, não sabemos. E que permitem (ou não impedem) que o próprio Mikkel Keldorf publique o vídeo em sua conta pessoal no YouTube.

Não acredito na história de Mikkel Keldorf. Para mim, ele voltou por falta de trabalho e romantizou a situação em benefício próprio, convencendo algumas pessoas no meio do caminho – que chegaram a gravar um vídeo, mas não o publicaram. Talvez por acharem que não valia a pena. Chamo a atenção para o fato de que o único trabalho que Keldorf comercializou aqui é… em vídeo. Editado por ele próprio. Talvez ele próprio tenha editado o vídeo, a partir de brutas que os autores originais não quiseram usar. Pode ser tudo um hoax razoavelmente bem elaborado, mas não creio nisso: acho que é apenas a tentativa de um jornalista meia-boca em tirar algo de bom de uma iniciativa profissional fracassada. E uma mostra de como, para ganhar cliques, nossa imprensa brasileira publica qualquer coisa. Inclusive longas matérias cuja única fonte é uma postagem de um desconhecido no Facebook.

É isso. Eu achei divertido. Espero que vocês também tenham achado! Para quem leu esse catatau, meu muito obrigado.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Lotus de Ayrton Senna





Talvez seja difícil entender que uma pessoa qualquer, de repente, diante de uma máquina como essa dessas fotos, um simples carro, sem poder evitar, sinta de repente os olhos inapelavelmente se encherem de água e a garganta embargar. Pois foi isso que sentimos no sábado, ao chegar perto da Lotus que Ayrton Senna pilotou e com a qual ganhou o primeiro Grande Prêmio de sua carreira na Fórmula 1, em Portugal, no autódromo do Estoril, em 21 de abril de 1985 (veja vídeo abaixo). Saudade dos domingos de manhã.

A Lotus mítica está exposta no Shopping Villa-Lobos até o próximo dia 21 de abril. Se você gosta da coisa, tem uma semana para ver.

Foi muito legal ver pessoas de todas as idades lá, celebrando o mito. Mito, sim, pois que civilização viveu jamais sem mitos? Um menino de uns 10 anos, que só conhece Senna de ouvir falar, perguntou ao pai: "é verdade que ele foi um maiores do mundo, pai?"

Pois é. É quase uma heresia, talvez para alguns um absurdo, dizer isso, mas senti uma emoção semelhante à que senti ao ver obras de artistas gigantes como Renoir ou Van Gogh vendo a máquina pilotada pelo gênio Ayrton Senna.


Clique nas fotos para ampliar















Troféu da vitória do GP da Bélgica de 1985


A primeira vitória, em Estoril (Portugal – 1985)

sábado, 12 de abril de 2014

Juvenal Juvêncio, o fabricante de manchetes, detona José Serra



As entrevistas de Juvenal Juvêncio são impagáveis, como mostra o trecho acima. O presidente do São Paulo é um personagem polêmico. Odiado por muitos, acusado de ser um fanfarrão e de se eternizar no poder como presidente do São Paulo, o dirigente, hoje com 82 anos, porém, tem uma virtude amada por jornalistas. Como escreveu o Sérgio Xavier Filho, da Placar, "basta colocar o microfone à sua frente. Juvenal é manchete garantida".

Na entrevista que deu ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, que vai ao ar na terça-feira, 15 de abril, o cartola detona José Serra ao contar a história dos porquês políticos que, segundo ele, impediram que o Morumbi fosse o estádio para sediar jogos da Copa do Mundo em São Paulo. Fala de Lula, de Kassab...

José Serra, furioso, emitiu na terça-feira (8) uma nota desmentindo Juvenal. "Sempre apoiei que a abertura da Copa fosse em São Paulo e no estádio do Morumbi. As afirmações em contrário de Juvenal Juvêncio além de desconexas são falsas", disse o simpático tucano. Tá bom.

Por tudo isso é verdade que, como disse o amigo Flávio Fraschetti
no Facebook, com sua ironia costumeira, "pior que esse cara vai fazer falta". É fato.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pensamento para sexta-feira [49] – De Pelé e Maradona, ao som de Manu Chao


Fotos: Reprodução


Muita gente, com razão, ficou indignada com o que disse Pelé, o “rei” do futebol, no dia 7 (segunda-feira), sobre o acidente que matou um jovem de 23 anos nas obras do Itaquerão dias antes, fatalidade abafada pelas autoridades responsáveis pela construção do estádio e pela realização da Copa do Mundo. Pelé falou literalmente o seguinte:

“O que aconteceu no Itaquerão, o acidente, isso é normal, é coisa da vida, pode acontecer, foi um acidente, morreu, isso aí não acredito que assuste. Mas a maneira que está sendo administrado a entrada e saída de aeroporto e turista no Brasil, eu acho que isso é uma coisa que tá preocupando.”

Isso foi mote pra uma discussão com amigos por e-mail (o velho, bom e esquecido e-mail nesses tempos de redes sociais). Lá pelas tantas, inevitavelmente, surgiu no debate o nome de Maradona, como é comum acontecer. A dicotomia Pelé x Maradona, que começou no futebol, acabou transcendendo o esporte.

É indiscutível que Pelé foi mais jogador que Maradona. Mas o argentino foi o segundo maior da história. Já como pessoa, homem e cidadão, também é indiscutível que o hermano dá de 10 a 0 no brasileiro, seja como ser político (o que reflete o grau de politização muito maior dos argentinos em relação aos brasileiros), seja como figura humana, o que a amiga Tania Lima, na troca de e-mails acima referida, tão bem definiu: “Maradona, apesar dos percalços, e talvez principalmente pelos percalços, deixa-nos enxergar que existe ali uma figura humana”.

E chegando ao fim desta livre-associação de sexta-feira, convido-os a ver o trecho (de 2’42”) do documentário Maradona by Kusturica (2008), do diretor de cinema sérvio Emir Kusturica, que mostra uma “canja” do músico parisiense Manu Chao com sua linda canção “La Vida Tombola”, que compôs justamente inspirado em Maradona:





terça-feira, 8 de abril de 2014

Terra, Marte, "lua de sangue" e os adoradores do fim do mundo

Reprodução

A oposição de Marte (o deus romano da guerra na mitologia romana) ao Sol e o fato de o planeta vermelho estar mais brilhante em abril, chegando à máxima aproximação no próximo 14 de abril de 2014, antecede o primeiro de quatro eclipses da Lua, no dia 15. 

As oposições ocorrem quando Marte fica a uma distância mínima da Terra. O planeta vermelho aparece, nesses dias, ao Leste ao anoitecer. Cruza o céu, próximo à Espiga, a estrela mais brilhante da Constelação de Virgem, e vai se pôr no Oeste ao nascer do Sol.

O astrônomo Jair Barroso, pesquisador do Observatório Nacional, diz que, olhando para o céu todos os dias por uma ou duas semanas, as pessoas vão notar as diferenças. “Marte vai aparecer praticamente com o mesmo brilho, mas irá mudando de posição em relação à estrela Espiga. Por ser um planeta que está mais perto da Terra, aparenta ter um deslocamento mais rápido”, explica o astrônomo.

O fenômeno se dá uma vez a cada 778 dias. Mas o fato que chama a atenção dos que adoram pensar no fim do mundo é que o evento destes dias antecede as "luas de sangue", um fenômeno que poderá ser visto da terra na semana que vem (dia 15/4) e alguns místicos associam como sinal do fim dos tempos (o que não falta neste mundo são adoradores do fim do mundo...). Trata-se de uma rara sequência de quatro eclipses lunares chamada de tétrade ("luas de sangue"). O ciclo começa na semana que vem, no dia 15 de abril, e terminará apenas no ano de 2015: os eclipses ocorrem 15 abril/2014, 8 de outubro/2014, 4 de abril/2015 e 28 de setembro de 2015.

De acordo com a Nasa, as "quatro luas de sangue" só foram vistas três vezes em mais de 500 anos: 1493, 1949 e 1967. 

Os místicos veem nessas datas importantes associações: em 1493 era Idade Média. E, na ocasião, os judeus foram expulsos da Espanha pela Inquisição; em 1949, nasceu o Estado de Israel na Palestina; e em 1967 ocorreu a Guerra dos Seis Dias entre árabes e israelenses, quando o Egito liderou um ataque a Israel e os árabes foram derrotados em menos de uma semana.


Com Agência Brasil 

Atualizado às 13:31 de 9/04/2014

domingo, 6 de abril de 2014

"Novo capítulo de protelação para manter José Dirceu preso em regime fechado"



Foto: Alexandre Maretti
Em nota divulgada à imprensa neste sábado (5), os advogados de José Dirceu acusam o juiz da Vara de Execuções Penais de Brasília Bruno Ribeiro de nova medida "para manter o ex-ministro José Dirceu preso em regime fechado". Dirceu tem direito ao semiaberto, mas há quase 5 meses cumpre pena mais severa e sofre perseguição que o impede de conseguir trabalho externo e extrapola mandamentos jurídicos.

Leia a nota dos advogados:

Em novo capítulo de protelação para manter o ex-ministro José Dirceu preso em regime fechado no presídio da Papuda, o juiz da Vara de Execuções Penais de Brasília Bruno Ribeiro toma uma decisão contraditória e encaminha ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, com quase um mês de atraso, o pedido do Ministério Público do DF para que se quebre indiscriminadamente sigilos telefônicos ainda com o propósito de investigar o suposto telefonema recebido por José Dirceu no presídio.

Além de uma clara contradição com o encerramento das investigações conduzidas pela própria Vara, o pedido é extremamente genérico e sem a fundamentação exigida por lei, pleiteando que todas as ligações – de cinco operadoras de telefonia móvel – feitas/recebidas da região da Papuda para a Bahia, de 1 a 16 de janeiro, sejam encaminhadas ao Ministério Público.

O intuito de protelar a regularização do regime semiaberto de José Dirceu torna-se indisfarçável: o pedido pouco razoável do MPDF foi apresentado à VEP em 26 de fevereiro, porém o juiz Bruno Ribeiro só o despachou em 28 de março, quando já havia se declarado impedido de decidir o caso, repassando a decisão para o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.

O encaminhamento ocorre depois que a própria VEP encerrou sua investigação sobre a suposta ‘falta disciplinar’, chegando à mesma conclusão emitida ainda em janeiro pela Secretaria de Segurança Pública do DF: o ex-ministro nunca fez qualquer telefonema de dentro da Papuda.

No dia 11 de março, o juiz Bruno Ribeiro, na presença de um representante do MP, interrogou José Dirceu por videoconferência e ouviu dele a mesma resposta: em nenhum momento fez uso de celular nas dependências do presídio. O ex-ministro também negou o recebimento de qualquer tipo de regalia. Após o interrogatório, a Vara de Execuções Penais encerrou o caso sem objeção por parte do Ministério Público.

No último dia 2, diante do silêncio e demora para se cumprir um direito assegurado ao nosso cliente pela Constituição e pela Lei de Execuções Penais, encaminhamos ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, pedido de prioridade na análise do caso por se tratar de um cidadão idoso. A petição reitera que o pedido de trabalho externo foi apresentado em 19 de dezembro do ano passado e já obteve parecer favorável da Seção Psicossocial e do Ministério Público do Distrito Federal. Diz ainda que a investigação sobre a suposta falta disciplinar está cabalmente encerrada e que a Procuradoria-Geral da República, ciente da apuração, não solicitou diligências nem tampouco apresentou argumentos contrários ao pedido de trabalho externo.

José Luis Oliveira Lima
Rodrigo Dall’Acqua


sábado, 5 de abril de 2014

A pesquisa do Ipea e o esquerdismo da
matemática subjetiva





O erro do Ipea (e posterior retratação) na pesquisa sobre a mentalidade brasileira em relação à mulher provocou reações ilustrativas de que um setor do estilo “tudo ou nada” do esquerdismo brasileiro briga até com a matemática. Ao ser divulgada, a pesquisa dizia num primeiro momento, equivocadamente, que 65,1% dos brasileiros concordam, total ou parcialmente, com a afirmação de que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Após o instituto vir a público e reconhecer que houve erro (erro lamentável, aliás), e que são 26% (e não 65,1%) os que concordam com a afirmação, algumas reações mostram que a ideologia faz mal à matemática.

Segundo opiniões baseadas na premissa filosófica da matemática subjetiva, os números “pouco importam quando a realidade é machista”. De acordo com essa visão de sociologia de botequim, seja de 65%, 26%, 10%, 5% ou 0,1% o número de brasileiros que acham que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", a indignação é a mesma. Li isso no Facebook de uma amiga. Discordo dessa visão para a qual as estatísticas só contam quando são a favor.

A indignação é um sentimento. Os números são lógicos, não mentem e não enganam.

Ora, 4 + 4 = 8. Assim como 5 + 3 = 8. Raciocine comigo: imagine 8 meninos do mesmo tamanho que vão fazer dois times pra disputar uma pelada na rua (*ver nota), um joguinho de futebol de rua, um “vira 5-acaba 10”. Suponha ainda que por alguma circunstância, talvez uma aposta, os meninos resolvem dividir os times em uma equipe de 5 jogadores pra jogar contra outra equipe de 3. Considerando que os 8 jogadores são mais ou menos equivalentes em termos de habilidade futebolística, qual time teria mais chance de vitória? Evidentemente, o time com 5 jogadores.

É lógico, matemático, que uma sociedade em que 26% (aproximadamente um quarto) das pessoas acham que as mulheres merecem ser atacadas é uma sociedade ainda muito imperfeita, mas sem dúvida menos pior do que uma outra onde esse número chegasse a assombrosos 65%, ou dois terços dos brasileiros! 

4 + 4 = 8
5 + 3 = 8

Uma sociedade em que 65% das pessoas têm essa mentalidade medieval seria uma civilização da barbárie e os machistas doentios seriam uma maioria esmagadora, e isso talvez exista ainda hoje em certos países em que mulheres “adúlteras” são apedrejadas até a morte, como eram nos tempos da Israel bíblica, lugares onde viceja o horror. A outra sociedade, a que apareceu na errata do Ipea, é ainda desigual, mas nela os 26% de imbecis e psicologicamente perturbados são minoria, e portanto mais fáceis de ser combatidos.

Donde se conclui que, se uma mulher vivesse na primeira sociedade “revelada” pelo Ipea, ela teria muito mais motivo para ser indignada, e nesse lugar sua indignação poderia lhe custar caro, a vida mesmo, e a vida tirada de maneira brutal. Já para a mulher que vive no Brasil, país que infelizmente ainda é machista e muitas vezes violento, a luta já não é tão difícil. Existem conquistas históricas e o caminho a percorrer é menos árduo e longo. A indignação não pode ser a mesma.

A violência contra a mulher no Brasil é mais, mas muito mais grave no chamado "Brasil profundo" do que no Sudeste do país. A pesquisa do Ipea mostra a média. Nos lugares mais pobres o índice aumenta, nos mais ricos diminui, isso é sociológica e matematicamente irrefutável também. Detesto brigar com a matemática. 

Vi amigas dizerem "ufa!", ao saber que o Ipea errou, embora com a ressalva assertiva de que muito há que evoluir. Outras preferem simplesmente dizer que "a indignação é a mesma". É o que chamo de esquerdismo da matemática subjetiva.

Sim, é claro que a violência contra a mulher é inaceitável. Assim como é inaceitável a violência contra as crianças. É inaceitável a violência contra os homens. É inaceitável a violência contra os animais. É inaceitável a violência contra os rios, os oceanos, contra os livros, contra o conhecimento.

A violência é inaceitável.

***

Nota* Antes que eu seja acusado de machista, esclareço que, com disputar uma pelada na rua, quero dizer bater uma bola na rua, ou na praia, jogar um jogo contra (tipo a rua de cima contra a rua de baixo), juntar alguns meninos e correr atrás de uma bola, tentando fazer gols em balizas marcadas por duas pedras de um lado e duas pedras de outro da rua (ou da praia), sendo que cada par de pedras representa simbolicamente um conjunto de duas traves e um travessão pelos quais o jogador tem que fazer passar a bola, momento em que se comemora um gol.

domingo, 30 de março de 2014

Santos sofre, mas derrota Penapolense e vai à final; Palmeiras decepciona e cai diante do Ituano



Santos 3 x 2 Penapolense
Palmeiras 0 x 1 Ituano












Com esses resultados, o Santos faz a final do Paulistão 2014 com o Ituano, para decepção de quem pensava numa decisão, que há décadas se esperava, entre Santos x Palmeiras, por incompetência do time de Gilson Kleina.

A dificuldade do Santos na Vila contra o surpreendente time do Penapolense foi consequência da partida desastrosa (para dizer o mínimo) do zagueiro David Braz, reserva que, como se vê, não deveria nem mesmo ser reserva do time. Ele cometeu um pênalti desnecessário e entregou o segundo gol de presente para a equipe de Narciso fazer 2 a 1 de virada ainda no primeiro tempo. No segundo gol, diga-se, a lambança foi feita em parceria com o goleiro Aranha, com 50% de culpa para cada um. Muitos santistas acham que Aranha “é seleção”, o que me parece um exagero. É um bom goleiro, mas daí a ser um goleiro de seleção vai uma bela distância.

O Penapolense que o Peixe derrotou é um time melhor taticamente do que o violento Ituano. Isso posto, o Palmeiras protagonizou mais uma de sua série histórica de vexames contra times pequenos. Os episódios de que mais me lembro foram a perda do título paulista para a Inter de Limeira no Morumbi em 1986 (1 a 2) e as eliminações pelo ASA de Arapiraca na Copa do Brasil de 2002 (o Verdão ganhou por 2 a 1, mas caiu porque o ASA ganhara de 1 a 0 no Nordeste) e pelo Santo André em pleno Parque Antarctica pela mesma competição de 2004 (4 a 4).

A saída de Alan Kardec (que levou uma entrada digna de cartão vermelho do jogador do Ituano Alemão) e a ausência de Valdívia no primeiro tempo, poupado por estar com o tornozelo inchado após apanhar o jogo todo do Bragantino, além da saída do goleiro titular Fernando Praz (que não sei por que saiu) foram decisivas para a derrota do Alviverde. E, como todo mundo sabe, o goleiro reserva, Bruno, é um frangueiro: o chute do jogador Marcelinho foi daqueles que ele nunca mais vai acertar de novo, mas mesmo assim dava pra pegar, o goleiro caiu atrasado.

Voltando ao Peixe, impressionante a estrela do menino Stéfano Yuri, da escola santista, uma verdadeira indústria de grandes jogadores. Enquanto o caríssimo Lenadro Damião perdeu quatro gols absolutamente feitos (apesar de ter marcado o segundo do Santos), o menino entrou aos 40’ do segundo tempo, no sufoco, e na primeira bola em que pôs os pés mandou pra rede. Sensacional.

Enfim, pra quem esperava o clássico Santos x Palmeiras, numa final inédita em décadas, vai ter que se contentar mesmo, infelizmente, com Santos x Ituano.

O Palmeiras fica pra próxima.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Santos faz 4 a 0 na Ponte e chega à semifinal do Paulistão com 30 gols marcados na Vila


O Santos de Oswaldo de Oliveira eliminou a Ponte Preta no jogo único pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista de forma categórica, por 4 a 0, na Vila Belmiro.

Veja os gols, e (que ótimo!) sem narração de nenhum locutor chato (Uh-tererê!, grita a torcida na Vila) : 



Destaque para o polivalente Thiago Ribeiro, que jogou no campo todo, roubando bola na defesa como se fora um volante ou chutando a gol como se fora um meia.

O volante-meia Cícero é fundamental para dar qualidade ao meio de campo, que tem no volante Arouca um esteio e no voluntarioso meia Geuvânio a ousadia. E no atacante Gabriel a malícia, e também a ousadia. O menino Gabriel tem confiança e chuta (como fez no terceiro gol do time), enquanto o caríssimo Leandro Damião, em jogada semelhante, depois, sem a mesma autoconfiança, preferiu tentar um passe equivocado.

Mas lembremos que Damião fez uma jogada espetacular, dando um passe de bicicleta para Geuvânio entrar sozinho e fazer 2 a 0 logo no início do 2º tempo, e a partir daí o jogo ficou fácil.

O time do Santos tem sabido se defender e armar bem para anular o adversário em seu (do Santos) campo de defesa. E no contra-ataque tem sido mortal, com as assistências que podem vir dos pés de Geuvânio, Cícero, até mesmo Arouca em alguns momentos.

A defesa tem se comportado bem, com titulares ou reservas. A dupla de zaga (de reservas) Neto e David Braz, que atuaram na vitória contra o Palmeiras por 2 a 1 no domingo na Vila e nos 4 a 0 de hoje contra a Macaca, está dando conta do recado. Particularmente, Neto foi surpreendentemente seguro nos dois jogos.

O problema da equipe da Vila Belmiro são as laterais. Pela direita, Cicinho é voluntarioso e afoito, costuma levar bola nas costas e não é muito inteligente; pela esquerda, o chileno Mena é lento e dá a impressão de que nunca vai estar lá para cobrir (ou seja, também leva bola nas costas).

Seja como for, o Peixe eliminou a Ponte com mais uma das várias goleadas que aplicou no estadual deste ano, com destaque para os 5 a 1 contra o Corinthians.

O Alvinegro da Vila jogou 9 vezes em seu campo até aqui no Paulistão: foram 9 vitórias, 35 gols a favor (3,33 por partida) e 5 contra. Está na semifinal jogando um futebol bonito, parecido àquele que sua torcida gosta, que mostra em campo o espírito de Santos.

PS: duas horas e meia depois, o Penapolense do técnico Narciso eliminou o São Paulo Futebol Cube do glorioso Muricy Ramalho na disputa de pênaltis por 5 a 4, depois de um exuberante 0 a 0, digno de um Tricolor de Muricy.

Como o Santos enfrenta agora, na semifinal, o Penapolense, e tem tudo para ir à final, e o Palmeiras precisa ganhar nas quartas do Bragantino amanhã (hoje, quinta-feira 27) e depois enfrentar na semi o Ituano (que eliminou o Botafogo de Ribeirão Preto), é possível que finalmente (finalmente!) Santos e Palmeiras façam uma final depois de muitas décadas.

Ainda não consegui apurar concretamente qual foi a última vez que o prélio Palmeiras x Santos foi a final de alguma coisa. O que até agora consegui saber foi que decidiram o Paulista de 1959 numa "melhor de 4 pontos", e que o Alviverde levou a taça: link do Futepoca. 

sábado, 22 de março de 2014

São as águas de março fechando o verão


Texto e fotos de Carmem Machado



os dias tem sido assim, elas vêm chegando, chegando...

Clique nas fotos para ampliar



às vezes fica assustador!




sempre fiz, e até o fim farei, aniversário
junto com as águas de março




mas a gente agradece!




depois das chuvas tem feito um belo pôr de sol




talvez a lua nos brinde + ou - desse jeito:




são as águas de março fechando o verão