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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Grandes atores (7): Leonardo DiCaprio



Em O Aviador, faz o excêntrico Howard Hughes

Leonardo DiCaprio, na minha opinião, divide com Matt Damon um lugar na galeria de grandes atores de sua geração. Nascido em 11 de novembro de 1974 (nativo de escorpião), com 42 anos, é quatro anos mais novo do que Damon.

Como já escrevi em outro post, DiCaprio não está sempre trabalhando com grandes diretores por acaso. Senão vejamos: atuou em filmes de Quentin Tarantino (Django Livre - 2012), Clint Eastwood (Edgar - 2011), Steven Spielberg (Prenda-me se For Capaz - 2002), Woody Allen (Celebridades - 1998) e outros. Com Martin Scorsese, diretor com o qual tem o "casamento" mais bem sucedido, o ator tem sua mais ampla parceria no cinema: foi protagonista de O Aviador (2004), Gangues de Nova York (2002), Os Infiltrados (2006), A Ilha do Medo (2010) e O Lobo de Wall Street (2013). Em Os Infiltrados, aliás, um thriller policial, faz ótimo "dueto" com Matt Damon.

O time de diretores não é pouca coisa e já quer dizer muito. Mas se você assistir a Edgar, O Aviador ou Django Livre, por exemplo, verá que DiCaprio é dos atores que, como já disse em algum lugar, fazem um  filme ser diferenciado, já que seus personagens são dotados de alma. Tire DiCaprio de O Aviador, filme com quase três horas de duração, mas que você não vê passar. Além da excelente trama  e roteiro, que conta a vida do milionário Howard Hughes (1905-1976), o filme tem cenas como  na epifânica sequência em que Hughes/DiCaprio filma (filme dentro do filme) um combate de Hell's Angels, produção de cinema que “na vida real” o empresário lançou em 1930 com estrondoso sucesso ao custo astronômico, para a época, de quase 4 milhões de dólares. A interpretação do ator no filme é magistral.

Em Prenda-me se For Capaz, de Spielberg, um genial falsário, 
Assim como no antológico Prenda-me se For Capaz, de Spielberg, em que interpreta um adolescente genial e fora da lei, perseguido pelo trapalhão policial Carl Hanratty (a cargo do excelente Tom Hanks). O f ilme é baseado na história real de Frank William Abagnale, Jr., um falsário que começou como falsificador de cheques na década de 1960 e, graças a sua genialidade, conseguiu se fazer passar por piloto da Pan Am, médico e advogado. O personagem é uma pessoa com sérios problemas psicológicos e manias, com raízes freudianas profundas. Manifesta uma obsessão – transtorno obsessivo compulsivo (TOC) – que lhe causa horror de pegar em trincos de portas (principalmente banheiros) e cumprimentar as pessoas, situações diante das quais Abagnale/DiCaprio é tomado pelo sincero pânico.

Em Django Livre, uma espécie de western em quadrinhos em forma de filme, ao estilo de Tarantino, que pode levar você à gargalhada ou às lágrimas, DiCaprio faz o vilão: o senhor de fazenda escravagista Calvin Candie. No filme, ele contracena com Jamie Foxx (que faz  Django) e o espetacular Christoph Waltz (atua no ótimo Deus da Carnificina, de Polanski, e Bastardos Inglórios, também de Tarantino).


Como o vilão Calvin Candie, em Django Livre

Escrevi no post anterior já citado (de 2014) que talvez DiCaprio, então com apenas 39 anos, precisasse de um pouco mais de estrada em sua carreira para amadurecer e se tornar realmente um dos grandes. Fazendo pequena correção, parece-me que ele já é.

Se você pesquisar sobre o ator, verá que ele é "mais conhecido" pelos papeis de Jack Dawson, em Titanic, e Romeu, em Romeu e Julieta. Dois filmes menores que não vi nem verei. Também não assisti a O Regresso (dir. de  Alejandro Iñárritu), pelo qual ganhou o Oscar. Quero ver este fime, que une DiCaprio e Iñárritu, diretor de Babel (2006) e 21 Gramas (2003).

A biografia do ator tem uma curiosidade. Segundo consta, seu nome teria sido inspirado, de acordo com sua mãe, porque ele teria dado seu primeiro pontapé quando ela, grávida, contemplava um quadro de Leonardo da Vinci na Itália. Mas essa história precisaria ser checada talvez com o próprio Leonardo DiCaprio...


sábado, 6 de fevereiro de 2016

O carnaval dos chatos – crônica para o Rei Momo



Imagem mostra arco-íris na zona nordeste
da cidade de São Paulo (Foto: Carmem Machado)


Várias e queridas pessoas do meu convívio adoram carnaval. Eu também adoro carnaval, mas por motivos diferentes.

Nesses quatro dias de liberdade, a cidade de São Paulo fica convidativa. Sem trânsito, pois milhões de pessoas estão ausentes, já que preferem a estrada, onde reencontram a neurose dos congestionamentos-monstro. Eu prefiro descansar.

Ou tomar uma cerveja no sossego da minha sala, ou na companhia de amigos agradáveis num barzinho agradável, pra colocar assuntos em dia, jogar conversa fora, contar causos.

Ou ver filmes. Sou dos que ainda alugam filmes, já que aqui no Butantã tem uma locadora, a SQP*, razoável, embora tenha perdido parte do acervo anos atrás num assalto. 

Mas também pode ser que chova o tempo todo. E que me desculpem os amigos que adoram carnaval no sentido ortodoxo (até porque a culpa não é minha, e sim da natureza), mas um carnavalzinho com chuva, como a que cai exatamente agora, à meia-noite em ponto no relógio do computador, na barra inferior à direita (agora já marca 00:01), é delicioso!

Cai uma chuva bela e torrencial (que está fazendo falta a São Paulo), e imagino que, se essa chuva estiver caindo no Sambódromo paulistano agora, os desfiles das escolas de samba (que têm de começar o carnaval exatamente quando a chuva começou no Butantã) não vão ser muito animados. A chuva tem o poder de estragar um desfile, seja de uma escola de samba, seja de um bloco rico, seja de um humilde bloco.

Eu sou do bloco mais humilde de todos, o Bloco dos Chatos, que comemora o carnaval sem carnaval. Viva o carnaval! 

Amanhã cedo vou tomar um café-com-leite e pão com manteiga sem nenhuma pressa.

*PS (no carnaval seguinte, de 2015): O que falei acima sobre a locadora SQP, no Butantã, não é mais verdade. Infelizmente, acuadas pelos novos tempos, a Regina e a Cida estão vendendo os DVDs e vão fechar a locadora. Tempos românticos, quando se alugavam filmes nas locadoras, que vão embora.

Publicado originalmente em 01/03/14 à 01:16



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O "casamento" bem-sucedido de
Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio



Reprodução


Assisti na semana passada ao filme O Aviador (do original The Aviator), de Martin Scorsese, sem saber que o diretor e o ator Leonardo DiCaprio estão novamente juntos, agora em pleno trabalho de divulgação da nova produção de Scorsese, O Lobo de Wall Street. O novo filme do diretor é violentamente criticado por colocar no pedestal, digamos assim, um personagem real e nada nobre: Jordan Belfort, operador do mercado financeiro reconhecidamente um homem inescrupuloso, “pilantra” e corrupto, que levou pessoas à bancarrota com suas especulações e sede de dinheiro e poder. O “herói” de Scorsese é interpretado por DiCaprio.

Scorsese e DiCaprio estão se especializando em filmar magnatas americanos poderosos. O Aviador é um épico que conta um período da vida do milionário Howard Hughes (1905-1976), homem inquieto, extremamente inteligente, que foi aviador, produtor e diretor de cinema, homem de negócios, projetista de aviões e controlador da companhia aérea TWA dos anos 1940 até 1966.

Independentemente dos méritos dos personagens que escolhe, o fato é que Scorsese sabe fazer cinema. O Aviador tem quase três horas de duração, mas é um filme que você não vê passar. Além da trama bem amarrada, de achados fílmicos impressionantes, há momentos absolutamente espetaculares, como a epifânica sequência em que Hughes/DiCaprio filma (filme dentro do filme) um combate de Hell's Angels, produção de cinema que “na vida real” o empresário lançou em 1930 com estrondoso sucesso ao custo astronômico, para a época, de quase 4 milhões de dólares.

Ou a sequência em que, ao testar um novo projeto (o próprio Hughes pilotava os aviões que projetava), a aeronave, o XF-1, caiu e por milagre o piloto-criador não morreu.

O Aviador também é interessante ao traçar e construir a personalidade de Hughes, a partir da curta introdução em que mostra sua mãe superprotetora, cuja fobia de micróbios levou o filho a crescer com graves sequelas psicológicas que nunca o abandonaram. O filme mostra com grande competência o contraste desse homem louco que em um momento estava confinado em uma crise de loucura e em outro podia pôr no bolso um senador que, fazendo o lobby da poderosa concorrente da TWA, a Pan Am, o interrogava em uma CPI com o objetivo de destruí-lo e tirá-lo do nascente mercado da aviação norte-americana que se expandia rumo à Europa.

Há também o humor, por exemplo quando Hughes/DiCaprio lava as mãos no banheiro obsessivamente, ou outras situações em que fica clara sua condição de vítima de uma espécie de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Enfim, um belíssimo filme.

O problema é que, diferentemente de Howard Hughes, rico e excêntrico, sim, mas que tinha sua grandeza, um personagem rico também do ponto de vista humano, glamouroso, amante e produtor de cinema e aviões, o novo objeto da lente do diretor, o especulador Jordan Belfort de O Lobo de Wall Street, não tem nada de charmoso ou nobre, muito pelo contrário, e por isso Scorsese tem sido criticado e atacado pelos que consideram sua escolha uma afronta imoral. Francamente, é um filme que não tenho vontade de ver.

Seja como for, o “casamento” de Leonardo DiCaprio com Scorsese, ao que parece, vai muito bem. Além de O Aviador, eles já trabalharam juntos em Gangues de Nova York (2002), Os Infiltrados (2006), A Ilha do Medo (2010) e agora na nova e polêmica produção sobre o bilionário sem-vergonha do mercado financeiro estadunidense.

DiCaprio

Como Edgar Hoover, no filme de Clint Eastwood
Quanto a Leonardo DiCaprio, com o qual vi vários filmes, me parece um ótimo ator, e sua atuação em O Aviador e outros filmes mostra isso. É óbvio que ele não está sempre ao lado de grandes diretores por acaso. No mais recente dos que eu tinha assistido, está também excelente como J. Edgar Hoover (no filme J. Edgar, de Clint Eastwood, 2011). Talvez mereça ser colocado na seção Grandes atores. Vou pensar sobre isso... Mas ele me parece ainda um pouco aquele ator que interpreta sempre a si mesmo (mas Al Pacino não é o maior exemplo disso?). Ou então seus personagens têm sido muito semelhantes (homens que representam o poder e o dinheiro) e ele precise interpretar outras personalidades. 

Um de seus melhores papeis é no ótimo Prenda-me se for Capaz (Catch me if You Can,  2002), direção de Steven Spielberg, em que interpreta o personagem Frank Abagnale Jr. (também real), um falsário, estelionatário e farsante que se faz passar por médico, advogado e piloto de avião, ganhando muito dinheiro e fazendo a atônita polícia de trouxa. Um filme imperdível.

Talvez DiCaprio, que tem apenas 39 anos, precise de um pouco de estrada em sua carreira para amadurecer e se tornar realmente um dos grandes. Parece-me que é seu destino.