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Cooper (Matthew McConaughey) com dra Brand (Anne Hathaway ) |
Depois de rever Interestelar, confesso ser necessário
escrever um segundo post sobre este belo filme, que é um dos que hoje eu
colocaria entre os dez de uma lista de DVDs que levaria a uma ilha deserta
(onde tivesse como reproduzir, é claro), para fugir da solidão.
Também minha crítica ao diretor Chris Nolan foi talvez um
pouco exagerada. Meu amigo Emerson Lopes esclareceu, via Facebook, que Nolan já
declarou que Interestelar foi uma singela homenagem a 2001, de Kubrick. Humildade
faz bem. É evidente que minha ranzinzice do primeiro post não tem a capacidade
de diminuir o trabalho de Nolan como diretor do filme.
O fato é que Interestelar emociona.
O som como que primevo a perpassar o filme; o som metafísico
quando aparece a nave Endurance; o som que marca o tempo no planeta de Miller, som
de relógio que dá uma carga de dramaticidade extrema à cena (uma das mais
espetaculares do filme) naquele planeta de água onde cada hora equivale a sete
anos terrestres e onde a gravidade é
130% a da terra.
A discussão sobre o tempo. A impossibilidade de mudar o passado.
A discussão sobre o tempo. A impossibilidade de mudar o passado.
O diálogo do astronauta Cooper (Matthew
McConaughey) com a filha Murph (Mackenzie Foy): "Só estamos aqui como lembrança dos filhos...
Quando você tem filhos, você se torna fantasma do futuro deles", diz ele à
filha inconformada pela partida do pai para uma jornada talvez sem retorno.
A sequência da partida de Cooper, da fazenda para o espaço.
A sequência do relógio quando Murph entende o código
binário.
Achados. Como Cooper, na varanda de sua fazenda com o sogro
Donald (John Lithgow), em cena que depois se repete quase exatamente, mas num
contexto em que seu interlocutor já não é humano, mas um robô.
O desespero para comunicar à filha Murph os dados quânticos
em alguma região da quinta dimensão.
A busca humana por sua perpetuação diante de um cenário de
morte em que a Terra está se extinguindo ("A humanidade nasceu na terra
mas não está destinada a morrer aqui").
No post anterior eu critiquei o fato de o filme necessitar
de um vilão. Mas até isso é justificável, já que uma pessoa na situação de dr. Mann
(hibernando num tanque em um planeta onde a vida é impossível) facilmente
enlouqueceria, mesmo sendo um genial cientista. Aliás, a interpretação de Matt
Damon é magistral. Até mesmo dentro de um capacete sua expressividade é
impressionante. "Máquinas não funcionam bem (numa missão a outro mundo) porque
não se programa o medo da morte", diz ele a Cooper enquanto exploram o
planeta gelado e morto.
As interpretações dos atores, até mesmo de Anne Hathaway
como dra. Brand (mea culpa), que se não é nenhuma Meryl Streep, pelo menos tem
uma atuação discreta. No post anterior creio que fui um pouco inclemente na
minha crítica com a atriz.
Três atrizes interpretam a filha de Cooper e cientista Murph.
Mackenzie Foy (na infância), Jessica Chastain (juventude e fase adulta) e Ellen
Burstyn (na velhice). Três belas interpretações. Isso para não falar de Michael
Caine como dr. Brand, pai da astronauta.
Os robôs TARS e CASE, que podem ser programados para ter
senso de humor e graus de sinceridade, que parecem aranhas geométricas
inteligentes e desempenham papel importante como personagens.
A fotografia deslumbrante do filme, combinada à música.
O conteúdo científico e a onipresente Teoria da Relatividade
Geral, de Einstein, assim como outros conceitos, entre os quais do "buraco
de minhoca", e elementos cósmicos como o buraco negro.Li alguns textos idiotas na "grande mídia" que
procuravam defeitos científicos no filme. Todos textos rasos e estúpidos,
escritos por gente que não conhece nada de ciência. (A má-fé e/ou ignorância da
mídia não tem a ver apenas com a política.)
Li também um tal crítico num blog falando
mal do filme por sua "inconsistência tonal". Provavelmente um
acadêmico mal humorado com problemas no fígado que quer aparecer em cima de
algo infinitamente maior do que ele. Deve adorar Gritos e Susurros de Bergman.
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Leia também: Interestelar: ficção inteligente, apesar de Hollywood
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Leia também: Interestelar: ficção inteligente, apesar de Hollywood
2 comentários:
Eu penso que os filmes são muito interessantes, podemos encontrar de diferentes gêneros. De forma interessante, o criador optou por inserir uma cena de abertura com personagens novos, o que acaba sendo um choque para o espectador, que esperava reencontrar de cara as queridas crianças. Desde que vi o elenco de Interestelar imaginei que seria uma grande produção, já que tem a participação de atores muito reconhecidos, Pessoalmente eu irei ver por causo do ator Matthew McConaughey, um ator muito comprometido (pode ver os Filmes de Fantasía são uma ótima opção para entreter), além disso, acho que ele é muito bonito e de bom estilo.
Esses dois últimos parágrafos são dignos de uma criança birrenta de 5º série e dão uma noção do quanto os fãs desse filme são insuportáveis. Basta que alguém aponte os defeitos crônicos do filme e começa o chororô.
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