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Anne Hathaway: cenas espetaculares, atuação medíocre |
Sou apaixonado por filmes de ficção científica. Infelizmente, são poucos os que se salvam. Dos que vi, 2001: Uma Odisseia no Espaço (direção de Stanley Kubrick de 1968 - baseado no livro de Arthur Clarke), é o melhor. Não à toa, já que Kubrick é um gênio que soube usar as benesses de Hollywood para fazer uma obra definitiva no cinema. Blade Runner (Ridley Scott - 1982) é outro. E podemos pôr um etcétera aí.
Mas quero falar, brevemente, do filme Interestelar (no
original, Interstellar), de 2014, dirigido pelo obscuro Christopher Nolan, o
tipo de diretor que não faz diferença, já que, se não fosse ele, outro faria a
mesma coisa -- mais ou menos melhor ou pior.
Mas o filme, como resultado, é interessante e inteligente,
descontando os hollywoodianismos (a tendência ao happy end, a necessidade do
vilão, da luta física etc.).
Interestelar traz à ficção científica no cinema abordagens
que a ciência dominante, a ciência canônica, não considerava comprováveis há
apenas algumas décadas, como o buraco de minhoca, que em inglês é wormhole (este termo, na legenda do canal HBO, não é traduzido - o termo inglês worm significa mais "verme" do que "minhoca"). O buraco de minhoca continua sendo uma teoria contestada, mas já é considerada mais do que mera teoria. Outro conceito abordado pelo filme é o do buraco negro.
De fato emociona a maneira como o filme mostra o passado
como uma dimensão irrecuperável, inclusive considerando Albert Einstein e sua
Teoria da Relatividade. Não há na física a possibilidade de você mudar o
passado. O filme Interestelar joga fora abordagens tolas como a do
filme De
Volta para o Futuro (filme fascinante, mas tolo, do ponto de vista da
Física).
Interestelar é um filme antropocêntrico, como a visão do cientista Marcelo Gleiser, por exemplo. Ou seja, incorpora
a concepção de que o ser humano é a única entidade comprovadamente (mas comprovada pelo homem) inteligente do cosmos e
está destinado a povoar o universo. É uma tese hoje contestada. Há setores na Ciência que discordam de que o ser humano seja o único inteligente
no cosmos. O problema é que não há provas de que não estamos sós. Mas há muitas indicações de que está prestes a ser comprovado que não, nós não somos os únicos: o ceticismo de Marcelo Gleiser está ultrapassado.
Para finalizar, a produção de Interestelar resolveu muito mal o
papel da astronauta dra. Brand, interpretada pela péssima Anne Hathaway, que
mais parece uma coelhinha da Playboy do que uma cientista ou uma astronauta. Mesmo assim, ela protagoniza cenas espetaculares, como quando a missão da Nasa chega a um planeta estranho coberto por água, e os astronautas são surpreendidos por... Mas não vou contar.
Já o galã Matthew McConaughey, como o astronauta Cooper, foi
uma aposta vencedora. Está muito bem no papel do comandante da missão destinada
a encontrar um destino para a espécie humana para além de nossa galáxia. De
resto, o desempenho de Jessica Chastain (no papel de Murph como filha adulta de
Cooper) é muito superior ao da medíocre Anne Hathaway como a protagonista dra.
Brand. No filme, o excelente Michael Caine faz o pai da dra. Brand.
Infelizmente, como é Hollywood, os pecados se sucedem. Por
exemplo: o filme tem um elenco estelar, com o perdão do trocadilho. Além de
Michael Caine, traz como coadjuvante Matt Damon, uma real estrela da nova geração de Hollywood (junto, por exemplo, com Leonardo DiCaprio). Um luxo, ter Matt Damon como
coadjuvante. Só que, ao invés de aproveitar o personagem de Matt Damon, a
produção-direção, na minha modesta opinião, desperdiça a chance. Porque Hollywood precisa de heróis e vilões,
precisa do bem e do mal, e jogam fora o luxo de ter o ator em seu elenco.
Seja como for, Interestelar é um filme bastante
interessante. Merece ser visto. Assista.
***
Leia mais: Um pouco mais sobre Interestelar
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Leia mais: Um pouco mais sobre Interestelar
Um comentário:
Com muitas nuances, excelente o filme. Merece o registro.
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