CINISMO
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Tânia Rêgo/Agência Brasil |
Depois de um golpe de Estado que recolocou o Brasil no
patamar de república de bananas, e que repercutiu em todo o mundo democrático
como o que de fato é, um golpe de Estado; depois da operação de entrega, em
andamento, de um dos maiores tesouros nacionais conhecidos, o pré-sal; depois
da consolidação do “estado de exceção no interior da democracia, capitaneado
pelo Judiciário” (Pedro Serrano); depois da enxurrada de medidas que castram e
abolem conquistas civis que o país levou décadas para conquistar e direitos
trabalhistas de sete décadas; depois de PEC do Fim do Mundo e outras
barbaridades que seu partido ajudou a fazer, Fernando Henrique Cardoso, o
Nobre, agora vem reclamar do “protagonismo” da Polícia Federal e do Ministério
Público.
Não há mais limite para o cinismo neste pobre país.
Questionado sobre o envolvimento generalizado de políticos e
presidenciáveis na “megadelação da Odebrecht” (termo do repórter), o
ex-presidente declarou em entrevista ao Valor Econômico de ontem: “A tentativa de passar
a esponja não vai dar certo, a sociedade não vai aceitar isso. Agora, você pode
dizer: você errou e não vai ser candidato, você errou e vai pagar por isso,
você fez um crime e vai para a cadeia. Não é a mesma coisa. Todos têm erros e
não estou dizendo que já que é assim, que venha o caixa dois, não é isso. Temos
que responder à seguinte questão: quanto custa a democracia e quem paga. Esta é
uma questão mundial, não é brasileira não. Quanto custa a democracia e quem paga,
isto tem que ser posto claramente”.
Sobre o Ministério Público e a Polícia Federal, o
ex-presidente declarou ao Valor: “Você não pode deixar que qualquer instituição
do Estado tenha um protagonismo além do limite”.
FHC agora acaba de se lembrar da democracia, logo ele, líder
de um partido que votou unanimemente pelo golpe contra Dilma Rousseff, partido
que infelizmente, para ele, é citado na megadelação, mas até agora não teve um
só cacique transformado em réu pela Lava Jato, enquanto Lula é perseguido como
uma espécie de Lampião da política.
Que bom teria sido se o ex-companheiro do grande Ulysses
Guimarães tivesse se lembrado da democracia antes. Se mesmo com as
discordâncias políticas e mesmo ideológicas houvesse levantado a voz contra a
ameaça quando ela ainda era uma ameaça. Mas agora é tarde, Fernando Henrique.
Você perdeu seu lugar na imortalidade, como diria Milan Kundera.
Um comentário:
Nossa, que mais?
Sim é preciso deixar isso bem claro, FHC é um golpista.
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