Foto: Ivan Storti/ Santos FC
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Goleiro santista Rafael pegou dois pênaltis |
Não foi um daqueles jogos pra se dizer digno das tradições desse grande clássico. Mas foi um bom jogo. O time da Vila eliminou o Palestra nas quartas e está na semifinal do Paulistão, ou Paulistinha, como queiram. O jogo terminou 1 a 1 na Vila Belmiro. Nos pênaltis, 4 a 2 pro Santos.
Vi o Santos e Palmeiras de hoje ao lado de meu pai, que é parmerense. Meu pai é um torcedor dissimulado. Desses que fazem de conta que não estão nem aí, cujo discurso é o de que “perder ou ganhar faz parte do jogo”. Dá de ombros. Quando seu Palmeiras está muito mal, no fundo do poço, ele sempre tem um discurso pronto: "Agora eu torço pro Juventus". Mas hoje não era o caso. Hoje era Santos e Palmeiras.
Devido a uma pane seca no meu carro (que ficou sem gasolina no caminho – que absurdo!), chegamos atrasados e só comecei a ver o jogo na altura em que Edu Dracena deu uma bomba e só não fez um golaço porque o goleiro Bruno, muito criticado, com razão, pela torcida alviverde, fez o improvável e salvou a meta do Palmeiras com um tapa na bola ainda mais bonito do que o lindo chute de Dracena. Eram uns 38’ do primeiro tempo, mais ou menos. O Santos já ganhava de 1 a 0, desde os 12’, e eu não vira nada até então.
De repente, Neymar não estando num dia inspirado, lá vem o comentário do meu pai: “ué, mas todo mundo não fala que esse Neymar é bom?”, cutucava, a cada momento em que o 11 do Santos deixava de fazer um gol ou errava um lance. “Neymar, nem bem”, completava meu pai, dando risada do próprio trocadilho infame. Ele é um palmeirense pentelho como todos os palmeirenses... Mas foi bom ver o Santos x Parmera com o véio dando risada da própria piada, ele que foi atropelado há três semanas por uma moto e por muita sorte hoje está bem. Acabei rindo gostosamente também.
No meio do segundo tempo, comentei na sala que eu achava que o jogo estava fácil. E estava mesmo. 1 a 0, gol perdido atrás de gol perdido. Era questão de tempo. Mas a Eminência Parda retrucou, reclamando dos gols perdidos (Neymar perdeu vários) e fazendo uma previsão pessimista: “vai acabar tomando um gol”. Não deu outra. Golaço de Kleber, do Palestra, em cabeçada fulminante e com estilo, aos 38 do segundo tempo!
No finzinho do jogo Neymar pegou a bola na lateral esquerda, na metade entre o risco do meio campo e o da linha de fundo. Driblou o marcador para dentro, chegou rápido no bico esquerdo da área, driblou dois zagueiros horizontalmente, paralelo à risca da grande área e, na meia lua, de frente, bateu de direita. Infelizmente o chute não foi feliz, e o goleiro Bruno defendeu com facilidade. Uma pena. Teria sido um golaaço, um gol antológico.
A decisão foi pros pênaltis. Como todo torcedor nessa hora só consegue antever o pior, meu pai disse: “o Santos vai ganhar. Tem jogadores melhores”. O tom continuava sendo um dar de ombros, mas o dar de ombros de um palmeirense convicto. Eu também, por prudência, preferi antever o pior. “Acho que o Palmeiras vai ganhar” – disse.
O mesmo Kleber que empatou de cabeça perdeu o primeiro dos 5 pênaltis da série alviverde: Rafael defendeu com o pé direito a bola fraca que ele bateu no meio do gol. Quando já estava 4 a 2 para o Santos, Leandro bateu no canto direito e o arqueiro santista Rafael pegou de mão trocada, com a esquerda, numa grande defesa. “Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira”, como dizia Fiori Giglioti.
Curiosamente, o goleiro palmeirense Bruno foi o melhor jogador da partida (eu daria a ele o Moto-Rádio), mas o arqueiro santista Rafael, com duas defesas, decidiu a disputa de pênaltis, após a qual meu pai imediatamente mudou de assunto.
Neymar não precisou bater o último pênalti. O Santos ganhou antes disso.
– Neymar, nem bem.